1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Cientistas descobrem que o Estreito de Gibraltar pode se fechar antes do previsto e voltar a unir Europa e África
13 comentários 4 min de leitura

Cientistas descobrem que o Estreito de Gibraltar pode se fechar antes do previsto e voltar a unir Europa e África

Imagem de perfil do autor Noel Budeguer
Escrito por Noel Budeguer Publicado em 29/12/2025 às 19:19 Atualizado em 29/12/2025 às 19:20
Estreito de Gibraltar pode se fechar antes do esperado e voltar a unir Europa e África, apontam cientistas
Um modelo em 3D indica que a região vive um processo tectônico ativo e que o fechamento pode ocorrer em 20 milhões de anos.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
414 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Um modelo em 3D indica que a região vive um processo tectônico ativo e que o fechamento pode ocorrer em 20 milhões de anos

A possibilidade de o Estreito de Gibraltar desaparecer voltou ao centro das atenções por causa de um cenário tectônico que muda a leitura do que acontece sob essas águas.

O corredor que separa Espanha e Marrocos, e conecta o Mediterrâneo ao Atlântico, aparece como uma área em transformação contínua, com impacto direto na forma como se entende a evolução geológica da região.

A projeção é de longo prazo, mas traz um recado claro: a dinâmica de placas ali não está parada e segue em ajuste, com sinais associados à atividade sísmica.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

Um estudo internacional reuniu universidades portuguesas e alemãs e apresentou um modelo tridimensional para observar a interação das placas na região de Gibraltar.

O trabalho foi publicado pela Sociedade Geológica de América e propõe uma revisão do quadro tectônico local, mostrando movimentos que ajudam a explicar a sismicidade ao redor.

A principal novidade está na leitura do sistema como algo ativo e em evolução, mesmo onde se imaginava um comportamento mais estável.

estreito de Gibraltar é um estreito que liga o mar Mediterrâneo com o oceano Atlântico, situada entre o extremo sul da Espanha e o Marrocos, no noroeste da África. Tem 58 quilômetros de comprimento e estreita-se a 13 quilômetros de largura entre a ponta Marroquina (Espanha) e a ponta Cires (Marrocos)

O modelo em 3D e a leitura das placas na região

O modelo permite visualizar o comportamento das placas africana e euroasiática em um ponto considerado crítico para a geologia do planeta.

A simulação indica que a placa do Mediterrâneo ocidental está afundando sob a do Atlântico, processo conhecido como subdução.

Esse tipo de movimento envolve uma placa se dobrando e deslizando por baixo de outra, o que ajuda a entender por que certas áreas acumulam energia e podem registrar terremotos.

Sinais de subdução e a atividade sísmica entre Atlas e Golfo de Cádiz

A região apresenta intensidade sísmica registrada desde o Atlas até o Golfo de Cádiz, o que reforça a ideia de um sistema em constante reajuste.

A subdução aparece como elemento central para explicar esse comportamento, com a placa do Mediterrâneo ocidental descendo em direção ao manto.

Em termos simples, é como se uma parte do fundo oceânico estivesse sendo empurrada para baixo, mantendo a área em movimento por muito tempo.

Como o Atlântico pode começar a encolher nesse cenário

Para que um oceano maduro como o Atlântico entre em fase de contração, precisam surgir novas zonas de subdução.

Essas zonas marcam onde as placas começam a ceder e se deslocar, mas isso não acontece com facilidade, porque as placas são densas e resistentes.

A explicação central envolve a possibilidade de as zonas de subdução migrarem e avançarem para regiões onde ainda não estavam estabelecidas, o que amplia o alcance do processo.

Vista del Estrecho de Gibraltar, con el mar separando Europa y África, una franja de agua clave para la geología, la navegación y la historia del Mediterráneo y el Atlántico

O que pode acontecer a partir de agora com o Estreito de Gibraltar

A projeção indica que o Estreito de Gibraltar tende a se fechar em um horizonte que, na escala geológica, é curto: cerca de 20 milhões de anos.

Com o fechamento, a consequência seria a união de Europa e África, mudando a configuração continental no ponto onde hoje existe a passagem marítima.

Esse tipo de transformação não é percebido na escala humana, mas ajuda a mapear como o planeta se reorganiza ao longo do tempo.

Invasão por subdução e a relação com cinturões sísmicos e vulcânicos

O mecanismo chamado invasão por subdução surge como uma chave para entender como novas zonas podem se formar e avançar por áreas oceânicas.

Esse comportamento também se liga à ideia de futuros anéis vulcânicos e sísmicos parecidos com o Anel de Fogo do Pacífico, cinturão de 40 mil quilômetros conhecido pela forte atividade tectônica.

Nesse cenário, o Mediterrâneo pode funcionar como sinal inicial de mudanças em cadeia, com potencial para remodelar paisagens e estruturas geológicas ao redor.

O histórico da região inclui eventos extremos como a crise salina do Messiniense, reforçando que o Mediterrâneo já passou por transições profundas.

A proximidade entre placas em uma área com muita população e economia ativa destaca a importância de ampliar a monitorização sísmica e melhorar a leitura dos riscos naturais.

Mesmo sem efeitos visíveis no curto prazo, a mensagem principal é direta: o planeta segue se construindo e se reconstruindo, e o Estreito de Gibraltar faz parte desse movimento contínuo.

Inscreva-se
Notificar de
guest
13 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Adonis
Adonis
04/01/2026 17:54

Ooh! What is it with these people? One minute they tell us the planet will be underwater if I have a shower longer than 15 minutes, the next they say all the water is gonna dry up.

Fábio
Fábio
02/01/2026 11:04

20 milhões de anos… e o pessoal acredita em tudo kkkk

Avel de alencar
Avel de alencar
01/01/2026 14:34

Estou ansioso para ver.

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
13
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x