Uma nova bateria espacial desenvolvida por cientistas chineses pode funcionar na atmosfera de Marte e suportar temperaturas extremas
Cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia da China anunciaram o desenvolvimento de uma bateria espacial inovadora para exploração em Marte. Esta bateria, além de ser leve e recarregável, pode utilizar a atmosfera marciana como fonte de energia, resistindo às extremas variações de temperatura do planeta vermelho.
Essa tecnologia representa um avanço significativo nas missões de exploração espacial, onde o uso eficiente de recursos locais é crucial para o sucesso a longo prazo.
Uma inovação para missões espaciais

Conforme os pesquisadores, a bateria espacial consegue realizar a “inalação direta da atmosfera de Marte como combustível” durante o seu processo de descarga. Além disso, pode ser recarregada utilizando fontes de energia externa, como solar e nuclear.
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Essa capacidade permite que o dispositivo funcione por longos períodos, mesmo em condições desafiadoras. Segundo o estudo publicado na revista Science Bulletin, a bateria conseguiu operar por mais de 1.350 horas – aproximadamente dois meses marcianos – a uma temperatura de 0°C.
Marte é conhecido por suas temperaturas extremas, com variações de até 60 graus entre o dia e a noite. Para lidar com essas condições, a bateria espacial foi projetada para suportar grandes flutuações térmicas, o que a torna uma solução viável para missões prolongadas em superfícies extraterrestres.
Utilizando recursos locais para gerar energia
Uma das características mais notáveis dessa nova tecnologia é a forma como ela gera energia. A bateria funciona de maneira semelhante a uma célula de combustível, convertendo reações químicas em eletricidade.
Segundo Xiao Xu, uma das autoras do estudo, o dispositivo utiliza gases da atmosfera marciana, como dióxido de carbono, oxigênio e monóxido de carbono, como “combustível“. Esse processo elimina a necessidade de transportar grandes quantidades de combustível para Marte, o que representa uma redução significativa no peso e nos custos das missões.
Assim como as células de combustível de hidrogênio e oxigênio, que utilizam esses elementos para gerar energia, a bateria marciana aproveita os recursos disponíveis no próprio planeta, produzindo eletricidade diretamente através de reações químicas ou eletroquímicas. Dessa forma, as missões podem contar com uma fonte de energia local e sustentável.
Vantagens em relação às tecnologias atuais
Atualmente, as missões em Marte dependem principalmente de baterias de íon-lítio portáteis, além de grandes painéis solares e baterias nucleares para alimentar rovers e outros equipamentos de exploração.
No entanto, a acumulação de poeira nos painéis solares, como ocorreu com o rover chinês Zhurong, pode limitar a quantidade de luz recebida, reduzindo a eficiência do sistema de energia. A nova bateria proposta pelos pesquisadores chineses pode oferecer uma solução para esse problema, já que não depende exclusivamente de painéis solares.
Embora a nova bateria não tenha como objetivo substituir as fontes de energia já existentes, como as baterias nucleares ou solares, ela representa uma adição importante ao sistema de fornecimento de energia.
A combinação de múltiplas fontes, como solar, nuclear e a bateria desenvolvida, pode garantir uma exploração mais eficiente e duradoura em Marte.
Próximos passos no desenvolvimento da bateria
O estudo, que é uma prova de conceito, ainda está em fase de desenvolvimento. Os cientistas esperam melhorar a tecnologia da bateria sólida, abordando questões como a volatilização dos eletrólitos em baixas pressões e o gerenciamento térmico e barométrico.
Isso poderá garantir que as futuras baterias marcianas sejam ainda mais eficazes e confiáveis, permitindo que missões de longa duração sejam realizadas com maior segurança e eficiência.
Essa nova abordagem de aproveitar os recursos locais de Marte abre novas possibilidades para a exploração espacial, trazendo uma visão mais sustentável e autossuficiente para o futuro das missões interplanetárias.

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