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Cientistas criam robôs menores que um grão de sal, que nadam sozinhos, funcionam por meses com luz e custam apenas um centavo cada

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 03/01/2026 às 01:27 Atualizado em 03/01/2026 às 01:29
Robôs microscópicos autônomos, do tamanho de um grão de sal, nadam sozinhos, usam luz como energia e integram sensores e computador.
Robôs microscópicos autônomos, do tamanho de um grão de sal, nadam sozinhos, usam luz como energia e integram sensores e computador.
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Desenvolvidos por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, os robôs microscópicos medem apenas 200 × 300 × 50 micrômetros, operam de forma totalmente autônoma, são movidos a luz, custam cerca de um centavo por unidade e inauguram uma nova escala para aplicações científicas e industriais

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia e da Universidade de Michigan desenvolveram robôs autônomos e programáveis de 200 × 300 × 50 micrômetros, movidos a luz, capazes de operar por meses, custar cerca de um centavo e perceber o ambiente sem controle externo.

Robôs submilimétricos rompem limite histórico da robótica autônoma

Descritos nas revistas Science Robotics e Proceedings of the National Academy of Sciences, os robôs operam sem cabos, campos magnéticos ou controle tipo joystick, sendo apresentados como os primeiros verdadeiramente autônomos e programáveis nessa escala.

Cada unidade mede cerca de 200 por 300 por 50 micrômetros, dimensão inferior a um grão de sal e próxima à escala de muitos microrganismos biológicos, o que permite novas aplicações médicas e industriais em ambientes microscópicos.

Segundo os pesquisadores, a miniaturização alcançada representa uma redução de 10.000 vezes no tamanho de robôs autônomos, abrindo uma faixa inédita de operação para sistemas programáveis quase invisíveis a olho nu.

O projeto foi liderado por Marc Miskin, professor assistente de Engenharia Elétrica e de Sistemas, que destaca que a robótica permaneceu limitada por décadas ao patamar submilimétrico.

Física da microescala exige abandono de pernas e braços mecânicos

Embora componentes eletrônicos tenham encolhido continuamente, robôs encontraram dificuldades para acompanhar essa tendência, sobretudo abaixo de um milímetro, área considerada estagnada por cerca de 40 anos, segundo os próprios pesquisadores.

Na microescala, forças dominantes mudam radicalmente. Gravidade e inércia, relevantes no mundo humano, cedem lugar a efeitos de superfície como arrasto e viscosidade, que passam a controlar o movimento em líquidos.

Nesse regime, empurrar água se assemelha a empurrar alcatrão, tornando ineficazes estratégias tradicionais baseadas em membros articulados, além de frágeis e difíceis de fabricar em dimensões tão reduzidas.

Diante desse cenário, a equipe optou por um sistema de propulsão totalmente novo, concebido para funcionar em harmonia com a física microscópica, em vez de tentar replicar soluções usadas por robôs maiores.

Propulsão elétrica permite natação sem partes móveis

Diferentemente de peixes, que se impulsionam empurrando água para trás, os robôs microscópicos não flexionam seus corpos durante o deslocamento, adotando uma abordagem baseada em campos elétricos.

Ao gerar um campo elétrico, os robôs impulsionam íons presentes na solução ao redor. Esses íons, por sua vez, deslocam moléculas de água próximas, animando o fluido em torno do corpo do robô.

Esse efeito cria a sensação de que o robô se encontra em um rio em movimento, sendo que o próprio robô também é responsável por gerar esse fluxo, ajustando o campo conforme necessário.

A variação controlada do campo elétrico permite trajetórias complexas e deslocamento coordenado em grupos, semelhantes a cardumes, com velocidades de até um comprimento corporal por segundo.

Como os eletrodos não possuem partes móveis, os robôs apresentam alta durabilidade e podem ser transferidos repetidamente entre amostras com micropipetas sem sofrer danos estruturais.

Energia luminosa sustenta operação por meses

Os robôs são carregados por luz emitida por LEDs, fonte suficiente para manter seu funcionamento contínuo por meses, eliminando a necessidade de baterias convencionais ou conexões físicas externas.

Essa característica amplia o potencial de uso em ambientes fechados e delicados, como amostras biológicas, onde cabos, campos magnéticos ou controles externos seriam inviáveis ou interfeririam nos resultados.

A autonomia energética reforça o caráter independente das máquinas, que executam tarefas programadas sem necessidade de supervisão constante ou intervenção humana direta durante a operação.

Esse conjunto de atributos consolida os dispositivos como uma nova classe de robôs microscópicos capazes de atuar por longos períodos com manutenção mínima.

Integração de computadores microscópicos viabiliza decisões autônomas

Para que um robô seja realmente autônomo, é necessário incorporar computador, sensores, controle de propulsão e fonte de energia em um espaço inferior a um milímetro, desafio assumido pela equipe da Universidade de Michigan.

O grupo liderado por David Blaauw detém o recorde do menor computador do mundo, experiência fundamental para viabilizar a eletrônica embarcada nos robôs microscópicos.

O encontro entre Miskin e Blaauw ocorreu há cinco anos, durante uma apresentação organizada pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, quando ficou clara a complementaridade entre propulsão e computação.

Mesmo assim, foram necessários cinco anos de desenvolvimento conjunto para entregar o primeiro robô totalmente funcional, integrando movimento, processamento e sensoriamento em um único chip.

Circuitos operam com apenas 75 nanowatts

O principal obstáculo da eletrônica foi a limitação energética. Os painéis solares microscópicos produzem apenas 75 nanowatts, mais de 100.000 vezes menos energia do que um relógio inteligente consome.

Para contornar essa restrição, a equipe desenvolveu circuitos especiais capazes de operar em voltagens extremamente baixas, reduzindo o consumo de energia do computador em mais de 1000 vezes.

Ainda assim, os painéis solares ocupam a maior parte da superfície disponível, restando um espaço mínimo para processador e memória responsáveis por armazenar os programas.

Foi necessário repensar completamente as instruções computacionais, condensando múltiplas operações tradicionais em instruções únicas, reduzindo o tamanho do código e permitindo sua execução no espaço disponível.

Primeiro robô submilimétrico com cérebro completo

Com essas inovações, os pesquisadores afirmam ter criado o primeiro robô submilimétrico capaz de pensar, integrando processador, memória e sensores em um dispositivo microscópico autônomo.

Até onde a equipe sabe, nenhum projeto anterior havia conseguido inserir um computador completo em um robô dessa escala, marco que diferencia esses dispositivos de soluções anteriores controladas externamente.

Essa capacidade permite que os robôs sintam o ambiente, tomem decisões e ajam de forma independente, caracterizando uma nova etapa da robótica em microescala.

Os pesquisadores ressaltam que essa combinação de autonomia, programação e miniaturização redefine os limites do que é possível em sistemas robóticos microscópicos.

Sensores térmicos monitoram atividade celular

Entre os recursos embarcados estão sensores eletrônicos capazes de detectar temperatura com precisão de um terço de grau Celsius, valor relevante para monitoramento biológico em nível celular.

Com essa sensibilidade, os robôs podem se deslocar em direção a regiões de temperatura crescente ou registrar medições que indiquem atividade celular, permitindo avaliar a saúde de células individuais.

Para comunicar essas informações, foi criada uma instrução especial que codifica valores, como temperatura, nos movimentos executados pelo robô durante uma pequena dança observável ao microscópio.

Os movimentos são gravados por uma câmera e decodificados pelos pesquisadores, em um processo comparado à forma como abelhas transmitem informações por meio de movimentos.

Programação individual amplia possibilidades coletivas

Os robôs são programados por pulsos de luz, que também funcionam como fonte de energia. Cada unidade possui um endereço único, possibilitando o carregamento de programas distintos em cada robô.

Essa abordagem permite que diferentes robôs desempenhem funções específicas dentro de uma tarefa coletiva maior, aumentando a complexidade das operações possíveis em conjunto.

A possibilidade de atribuir papéis distintos a robôs quase invisíveis amplia o espectro de aplicações em ambientes onde intervenções tradicionais seriam impossíveis ou imprecisas.

Segundo os pesquisadores, essa flexibilidade marca um avanço importante em sistemas cooperativos de microescala, apesar do tamnho extremamente reduzido das máquinas.

Plataforma abre caminho para versões mais avançadas

O projeto atual é descrito como uma plataforma geral. Seu sistema de propulsão integra-se de forma eficiente à eletrônica, os circuitos podem ser fabricados em larga escala e o custo unitário é estimado em um centavo.

Versões futuras poderão armazenar programas mais complexos, mover-se mais rapidamente, incorporar novos sensores ou operar em ambientes mais desafiadores, mantendo a arquitetura básica já demonstrada.

A longevidade operacional, com funcionamento por meses, reforça a viabilidade de aplicações contínuas em contextos científicos e industriais de microescala.

Para Miskin, o trabalho demonstra que é possível inserir cérebro, sensor e motor em algo quase invisível e fazê-lo sobreviver e funcionar por longos períodos, abrindo um futuro inédito para a robótica microscópica.

O artigo foi elaborado com base em informações divulgadas por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia e da Universidade de Michigan, conforme descrito em estudos publicados nas revistas Science Robotics e Proceedings of the National Academy of Sciences, além de declarações dos autores envolvidos no desenvolvimento dos robôs microscópicos autônomos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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