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O eletrodoméstico que mais consome energia na casa brasileira não é o ar-condicionado, fica no menor cômodo da casa, é usado diariamente e sozinho pode responder por até 25% da conta de luz, enquanto uma alternativa na mesma tomada reduz esse custo em até 70%

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 20/06/2026 às 18:48
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Chuveiro elétrico consome até 40% da conta de luz no Brasil; bomba de calor reduz gasto em até 75% e alivia o sistema elétrico
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Chuveiro elétrico pesa no consumo residencial e pressiona o pico da rede; bomba de calor surge como alternativa com até 70% menos energia.

O chuveiro elétrico continua entre os maiores focos de consumo de energia nas residências brasileiras. Pesquisa divulgada pela Unicamp aponta que as estimativas oficiais para a participação do equipamento no consumo residencial ficavam entre 20% e 30%, enquanto as simulações do estudo chegaram a cerca de 23%. Nas regiões Sul e Sudeste, esse peso chegou a 40% do consumo residencial no horário de pico, entre 18h e 19h.

O impacto não para na conta doméstica. Segundo a mesma pesquisa, a energia consumida pelos chuveiros elétricos do país ao longo de um ano corresponde a praticamente 30% da energia gerada por Itaipu no mesmo período. Nesse cenário, a bomba de calor para aquecimento de água aparece como uma alternativa mais eficiente: a Energy Star informa que esse tipo de sistema pode entregar a mesma água quente usando 70% menos energia do que um aquecedor elétrico convencional.

Chuveiro elétrico se popularizou no Brasil, mas virou um dos maiores vilões do consumo doméstico

O chuveiro elétrico que se espalhou pelas casas brasileiras foi criado por um brasileiro, Francisco Canho, e se popularizou a partir dos anos 1930, quando a urbanização acelerou e o acesso à rede elétrica ajudou a consolidar esse modelo de aquecimento instantâneo da água.

A própria USP destaca que o equipamento se tornou parte da rotina nacional justamente por unir simplicidade técnica, resposta imediata e instalação mais acessível do que outros sistemas.

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O problema é que essa praticidade cobra um preço alto em energia. De acordo com a Unicamp, um chuveiro típico nas regiões Sudeste e Sul opera com cerca de 4 mil watts de potência. Para comparação, a mesma fonte cita cerca de 1 mil watts para um forno de micro-ondas e 300 watts para uma geladeira, o que ajuda a explicar por que poucos minutos de banho já têm peso desproporcional no consumo da casa.

Banho no fim da tarde ajuda a formar o horário de pico e pressiona o sistema elétrico

O estudo da Unicamp mostra que o chuveiro elétrico não pesa apenas porque consome muito, mas porque é usado quase ao mesmo tempo por milhões de pessoas.

Entre 18h e 19h, quando o sistema já enfrenta forte demanda, o equipamento chegou a responder por até 40% do consumo de energia elétrica residencial no Sul e Sudeste. No recorte de todas as residências, a pesquisa afirma que metade do consumo no horário de pico parte do chuveiro elétrico.

Banho no fim da tarde ajuda a formar o horário de pico e pressiona o sistema elétrico
Banho no fim da tarde ajuda a formar o horário de pico e pressiona o sistema elétrico

Esse dado ajuda a explicar por que o chuveiro elétrico é tratado como um problema estrutural da matriz de consumo no país. A própria Unicamp ressalta que, se houver esforço para reduzir esse peso, o ganho para o sistema tende a ser relevante, porque a pressão sobre transformadores, redes de distribuição e sobre a própria curva de carga cai justamente no momento mais crítico do dia.

Bomba de calor aquece a água com muito menos eletricidade do que a resistência elétrica

A bomba de calor funciona de forma diferente do chuveiro de resistência. Segundo a Energy Star, ela trabalha como uma espécie de geladeira ao contrário: em vez de retirar calor de dentro de um compartimento, captura calor do ar ao redor e o transfere para a água. Por isso, consegue entregar água quente com gasto bem menor de eletricidade.

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A bomba de calor para aquecimento de água funciona de forma diferente de um modelo elétrico convencional.

Segundo a Energy Star, esse sistema opera como uma geladeira ao contrário: em vez de retirar calor de um compartimento, ele capta calor do ar ao redor e o transfere para a água armazenada no reservatório. Por isso, consegue aquecer água com consumo bem menor de eletricidade.

A própria Energy Star informa que modelos certificados podem usar cerca de 70% menos energia do que um modelo padrão e ser até 4 vezes mais eficientes.

A entidade também afirma que, para uma família de quatro pessoas, a economia pode chegar a cerca de US$ 550 por ano na conta de luz, com retorno da diferença de investimento em torno de três anos nesse mercado de referência.

Troca do chuveiro por aquecimento mais eficiente pode aliviar a conta e reduzir a pressão no pico

Quando se coloca lado a lado o peso do chuveiro elétrico na curva de carga e a eficiência da bomba de calor, o efeito potencial fica mais claro.

Se o equipamento que mais pressiona o banho no horário de ponta passa a ser substituído por um sistema que entrega a mesma função usando muito menos eletricidade, a tendência é de redução simultânea no gasto individual e na pressão sobre a rede nos momentos de maior demanda. Essa conclusão decorre da combinação entre os dados da Unicamp e da Energy Star.

Isso não significa que a mudança seja automática. O próprio histórico do chuveiro elétrico ajuda a entender sua permanência: ele se espalhou no Brasil por ser simples, barato e imediato.

Ainda assim, o avanço de alternativas mais eficientes recoloca o debate sobre aquecimento de água em outro patamar, porque o tema deixa de ser apenas conforto doméstico e passa a envolver eficiência energética, custo da conta de luz e alívio do sistema elétrico.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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