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Cientista revela que etanol produzido a partir do milho polui mais que a própria gasolina

18 de fevereiro de 2022 às 09:35
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Pesquisador aponta etanol de milho como poluente – foto: AGropop/divulgação

Um cientista norte-americano está indo contra estudos anteriores e afirma que o etanol a partir do milho consegue emitir cerca de 24% a mais de poluentes, em relação à gasolina

A gasolina que é comercializada em postos norte-americanos tem 10% de sua composição feita de etanol a partir do milho, que é conhecido como gasohol. Entretanto, de acordo com estudos publicados nesta semana pela Academia Nacional de Ciências, esse combustível consegue ser mais poluente que a gasolina, indo contra uma pesquisa feita pelo Departamento de Agricultura dos EUA, que mostra o etanol e outros biocombustíveis um pouco mais sustentáveis que o combustível fóssil. Segundo o cientista do Centro de Sustentabilidade e Meio Ambiente Global Madison, Dr. Tyler Lark, o etanol a partir do milho não é favorável ao meio ambiente.

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Etanol a partir do milho consegue emitir mais poluentes que a gasolina

A pesquisa do cientista revelou que o estudo anterior estava totalmente equivocado, e ainda afirmou que o etanol a partir do milho emite cerca de 24% a mais de carbono que a gasolina, por conta das emissões que são geradas por mudanças de solo para que o milho seja plantado, dos fertilizantes e também de outros processos para a produção.

Já o presidente da Associação dos Combustíveis Renováveis, Geoff Cooper, afirmou que o estudo do cientista é distorcido e fictício, argumentando que seus autores escolheram as piores hipóteses a dedo.

Cultivo de milho é ampliado devido à legislação norte-americana

É exigida, por uma legislação norte-americana de 2005, uma mistura de 68 bilhões de litros de etanol a partir do milho na gasolina comercializada nos postos. O intuito seria diminuir a dependência de combustível importado e as emissões de poluentes, resultando em uma expansão no cultivo de milho de 8,7% e também da área cultivada entre os anos de 2008 e 2016, com mudanças no uso de terras agrícolas que seriam desativadas ou voltadas para outros fins.

Um estudo realizado em 2019, que é citado pela indústria de biocombustíveis, afirma que as emissões de carbono do etanol a partir do milho são cerca de 39% menores em relação à gasolina, por conta da eliminação de carbono ligado à criação de novos plantios. Entretanto, de acordo com o cientista, essa pesquisa não levou a sério o impacto das emissões da conversão de terras.

Etanol a partir do milho no Brasil

O presidente da União Nacional de Etanol de Milho (UNEM), Guilherme Nolasco, explica que a pesquisa do cientista não se cabe ao Brasil porque as condições de plantio do país são totalmente diferentes dos EUA. Sendo assim, é impossível comparar as emissões geradas aqui e lá.

Cerca de 87% do etanol utilizado no Brasil é produzido a partir da cana, e apenas os 13% restantes são gerados a partir do milho. Do total de 115 milhões de toneladas de milho produzidas, apenas 8 milhões são voltados para a produção de etanol, 20 milhões são exportados, e o restante é para consumo próprio.

O milho transformado em álcool gera impostos, empregos, renda, e os farelos ainda viram subproduto. As estimativas de Guilherme indicam uma ampliação na participação do etanol a partir do milho, dos atuais 13% para 20% do total produzido até 2030.

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