A hipótese de uma quinta força surge em meio ao chamado “Grande Desconexão”, problema que separa o comportamento da gravidade em escalas cósmicas e no sistema solar, onde planetas, sondas e medições ao redor do Sol ainda seguem com precisão as previsões tradicionais da física.
Um estudo conduzido por Slava Turyshev, físico do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, propõe uma nova forma de investigar se uma misteriosa quinta força pode estar escondida no sistema solar. A pesquisa parte de uma diferença ainda sem solução: o Universo em grandes escalas mostra sinais de efeitos não explicados completamente pela gravidade conhecida, enquanto tudo nas proximidades do Sol continua compatível com a física tradicional.
A discussão envolve conceitos difíceis de testar, como energia escura e matéria escura, usados para explicar observações feitas em regiões muito amplas do espaço. Mesmo assim, dentro do sistema solar, planetas, sondas e medições do espaço-tempo ao redor do Sol seguem as previsões esperadas, sem sinais claros de comportamento incomum.
Quinta força pode explicar diferença entre escalas cósmicas e locais
O ponto central da pesquisa é o chamado “Grande Desconexão”, expressão usada para descrever a aparente diferença entre a física observada em grandes escalas e a física medida perto da Terra. Em regiões com pouca matéria, efeitos ligados à energia escura ou à gravidade modificada podem se tornar mais perceptíveis, enquanto em ambientes densos esses sinais parecem desaparecer.
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Nas escalas de galáxias e além, há fortes evidências de que algo influencia a gravidade ou o espaço-tempo de maneiras ainda não totalmente explicadas pelas teorias atuais. A energia escura continua sendo a principal explicação para esse comportamento, embora sua natureza real permaneça desconhecida.
Dentro do sistema solar, a situação é diferente. As órbitas dos planetas, os sinais de espaçonaves e as medições ao redor do Sol continuam alinhados com a relatividade geral, o que torna mais difícil encontrar qualquer pista direta de uma possível quinta força.
Modelos de ocultação tentam explicar força invisível
Uma das explicações analisadas envolve o fenômeno chamado triagem, no qual o efeito responsável pela diferença muda de comportamento conforme o ambiente ao redor. Quando a densidade aumenta, esse efeito fica mais fraco ou mais difícil de detectar com os instrumentos atuais.
O primeiro modelo é conhecido como camaleão. Nesse cenário, uma quinta força hipotética, diferente da gravidade, do eletromagnetismo e das duas forças nucleares, ajustaria sua intensidade de acordo com a quantidade de matéria próxima.
Em regiões de baixa densidade, essa força se tornaria mais forte e produziria efeitos associados à energia escura. Em áreas densas, ela enfraqueceria a ponto de não ser detectada, embora continuasse existindo.
Perto de objetos como o Sol, essa quinta força poderia aparecer apenas em uma fina camada externa. Mesmo assim, a pesquisa aponta que, em princípio, ela ainda poderia ser medida nessa região.
Modelo Vainshtein amplia desafio para medições solares
Outra hipótese é o modelo de triagem de Vainshtein. Nesse caso, a força não muda de intensidade por si mesma, mas a gravidade ao redor suprime sua influência e faz com que ela pareça fraca.
Esse modelo introduz o conceito de Raio de Vainshtein, que marca a distância em que a força recuperaria sua intensidade normal. Para o Sol, esse raio é estimado em cerca de 400 anos-luz, região que inclui muitas estrelas.
A consequência é que a força permaneceria suprimida muito além do sistema solar. Isso também significa que seus efeitos poderiam ficar ocultos até em grandes partes da galáxia.
Missões atuais não bastam para testar a hipótese
Missões como Euclid e o Instrumento Espectroscópico de Energia Escura, conhecido como DESI, podem registrar vestígios sutis desses modelos em observações de grande escala. No entanto, esses levantamentos observam galáxias distantes e não mostram diretamente como essas forças se comportariam dentro do sistema solar.
Para testar a hipótese localmente, cientistas precisariam de uma missão dedicada a esse objetivo. Mais do que isso, seria necessário formular uma teoria falsificável, com previsões claras sobre o que uma missão desse tipo deveria detectar.
Turyshev ressalta a importância de previsões testáveis antes de novos experimentos no sistema solar. Sem uma hipótese precisa, repetir medições semelhantes às já feitas tende a confirmar novamente a relatividade geral, sem oferecer avanços relevantes.
Novos instrumentos podem buscar sinais da quinta força
A pesquisa aponta que dados de levantamentos cosmológicos podem ajudar a criar hipóteses mais precisas aplicáveis ao sistema solar. Com previsões bem definidas, seria possível projetar experimentos direcionados para procurar sinais da quinta força.
O desenvolvimento de instrumentos sensíveis o bastante para detectar efeitos tão sutis pode levar tempo. Enquanto isso, missões focadas em melhorar a capacidade de medição, passo a passo, podem preparar o caminho para testes mais ambiciosos.
Caso uma previsão clara surja a partir dos dados atuais e um experimento viável seja construído para testá-la, a busca poderá levar a uma descoberta importante. Uma evidência concreta de uma quinta força teria potencial para mudar a compreensão sobre gravidade, energia escura e o funcionamento fundamental do Universo.
Com informações Universe Today
