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Ciência faz o que parecia impossível e recupera atividade em cérebro congelado pela 1ª vez: isso pode funcionar em pessoas?

Publicado em 20/03/2026 às 20:22
Ratos, Cérebro
Imagem: Ilustração
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Estudo alemão mostra que tecido cerebral de ratos manteve funções após congelamento extremo e reacende debate sobre preservação neural para uso médico futuro

Pesquisadores da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberg e do Hospital de Erlangen mostraram, em estudo publicado na PNAS, que tecido cerebral de ratos congelado em frio extremo pode recuperar sinais elétricos após descongelamento, avanço para preservação funcional e pesquisa médica.

Estudo aponta avanço para congelar cérebro

Congelar um cérebro ou um corpo inteiro é uma ideia comum na ficção científica, associada à promessa de prolongar a vida ou permitir viagens espaciais em hibernação.

Ainda distante desse cenário, um estudo sugere que a preservação funcional de tecido cerebral por frio extremo pode ser mais viável do que se acreditava, em pequena escala.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberg, a FAU, e do Hospital de Erlangen. O trabalho saiu na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os pesquisadores congelaram tecido cerebral e observaram, após o descongelamento, que neurônios voltaram a trocar sinais elétricos e responderam a estímulos de forma próxima do normal em algumas amostras.

Salamandra siberiana forneceu a pista inicial

Segundo comunicado da FAU, a salamandra siberiana consegue sobreviver por décadas enterrada no permafrost, em temperaturas de até 50 graus negativos.

O segredo está no fígado, capaz de produzir álcool glicérico. Essa substância atua como anticongelante biológico e impede que o frio destrua as células.

Esse mecanismo inspira cientistas que buscam aplicar algo semelhante ao cérebro.

Vitrificação tenta evitar cristais de gelo

O grande problema de congelar cérebro não é só o frio. A dificuldade central aparece quando a água do tecido se solidifica e forma cristais de gelo.

Ao congelar, a água aumenta de volume, e esses cristais podem deformar ou rasgar a estrutura microscópica do cérebro. Isso ameaça conexões e sinapses indispensáveis para retomar a atividade neuronal.

A solução explorada foi a vitrificação. Em vez de deixar a água congelar convencionalmente, o tecido é resfriado muito rapidamente com nitrogênio líquido a -196 °C.

Esse resfriamento súbito reduz a chance de formação de cristais. Assim, grande parte da água se solidifica em estado amorfo, mais parecido com vidro do que com gelo.

O método já existia, mas aplicá-lo ao tecido nervoso sem destruí-lo era um obstáculo. Os crioprotetores químicos que evitam gelo também são tóxicos para os neurônios.

Hipocampo de ratos recuperou funções

No estudo, a equipe trabalhou com cortes finos do hipocampo de ratos, região crucial para a memória. O material foi conservado entre dez minutos e sete dias a -150 °C.

Após o descongelamento em soluções quentes, as membranas neuronais estavam intactas. As mitocôndrias não mostravam sinais de dano metabólico.

Os neurônios também responderam a estímulos elétricos de forma quase normal. Esse resultado indicou preservação de funções importantes do tecido após o processo.

O achado mais significativo foi a detecção de potenciação de longo prazo nas sinapses. Esse processo fortalece conexões entre neurônios com o uso e é considerado central para aprendizado e memória.

Para o Dr. Alexander German, autor principal do estudo, o essencial não foi apenas a sobrevivência de algumas células, mas a preservação de características funcionais esenciais do tecido.

Resultado ainda tem limites claros

Apesar do avanço, o experimento mostrou limites importantes. Apenas algumas amostras recuperaram atividade próxima do normal após o descongelamento.

Além disso, cérebros de camundongos são minúsculos em comparação ao humano. Resfriar e reaquecer órgãos maiores de forma uniforme é um desafio completamnete diferente.

O pesquisador Mrityunjay Kothari, da Universidade de New Hampshire, que não participou do estudo, disse ao Earth.com que esse tipo de avanço transforma ficção científica em possibilidade científica.

Ainda assim, ele alertou que aplicações como armazenar órgãos inteiros continuam muito além das capacidades atuais. Por isso, o estudo não indica ser possível congelar pessoas para revivê-las no futuro.

Aplicações imediatas são científicas e médicas

Os pesquisadores destacam que as aplicações estão longe desse cenário. O resultado aponta, sobretudo, para usos científicos e médicos.

Uma possibilidade é preservar por longos períodos tecido cerebral removido em cirurgias, como ocorre em alguns pacientes com epilepsia. Esse material poderia ser estudado para investigar doenças neurológicas ou testar medicamentos.

A longo prazo, a criomedicina também pode se beneficiar. German menciona melhorar a conservação de órgãos para transplantes, proteger o sistema nervoso após lesões graves e ganhar tempo em situações sem tratamento disponível.

Com informações de DW.

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Romário Pereira de Carvalho

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