Município da Baixada Fluminense aparece isolado na faixa mais crítica do índice nacional e concentra mais de meio milhão de moradores em cenário de baixo desempenho em saúde, educação e renda, segundo levantamento recente que compara dados oficiais em todo o país.
Belford Roxo apareceu na última colocação do estado do Rio de Janeiro no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal e também ficou entre os 500 piores resultados do país.
Com 0,3868 ponto, o município foi o único fluminense enquadrado na faixa de desenvolvimento crítico, condição reservada aos indicadores abaixo de 0,4.
Ranking IFDM expõe posição crítica no Rio
O resultado chama atenção não apenas pela posição no ranking, mas pelo porte da cidade.
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Belford Roxo tinha 483.087 moradores no Censo 2022, densidade demográfica de 6.116,19 habitantes por quilômetro quadrado e estimativa de 518.384 habitantes em 2025, segundo o IBGE.
Na análise especial da Firjan para o Rio, o município é apontado como o sexto maior do estado, o que amplia o peso social do desempenho registrado no levantamento.
A edição mais recente do IFDM examinou 5.550 municípios brasileiros com base em estatísticas públicas oficiais e manteve três eixos centrais na composição da nota: Emprego & Renda, Saúde e Educação.
Pela metodologia, notas entre 0 e 0,4 indicam desenvolvimento crítico; de 0,4 a 0,6, desenvolvimento baixo; de 0,6 a 0,8, moderado; e acima disso, alto.
Nesse desenho, Belford Roxo ficou abaixo do piso mínimo de transição para a faixa seguinte.
Queda no desempenho ao longo da década
Mais do que permanecer no fim da tabela estadual, a cidade ainda piorou em relação ao início da série comparada no estudo fluminense.
A nota geral passou de 0,3940 em 2013 para 0,3868 em 2023, uma variação negativa de 1,8%.
No mesmo intervalo, os outros dois municípios do Rio que estavam em condição crítica em 2013 saíram dessa faixa e avançaram para o nível de desenvolvimento baixo.
Belford Roxo foi o único que continuou estagnado no patamar mais grave.
Saúde puxa pior resultado do município
A abertura por área ajuda a localizar o tamanho do problema.
Em Emprego & Renda, o município recuou de 0,4865 para 0,4539, mantendo-se em desenvolvimento baixo e acumulando queda de 6,7% na comparação com 2013.
Em Educação, houve melhora de 0,3374 para 0,4326, suficiente para retirar o indicador da faixa crítica, mas não para levá-lo além do nível baixo.
Foi em Saúde que o resultado mais pesou: a nota caiu de 0,3580 para 0,2740, retração de 23,5%, preservando o município na faixa crítica também nesse eixo.
Esse desempenho em saúde ajuda a explicar por que a cidade terminou isolada na última posição do estado.
O relatório da Firjan destaca que Belford Roxo foi, ao lado de Duas Barras, um dos casos em que houve piora simultânea em Emprego & Renda e Saúde ao longo da série observada.
Ainda que a educação tenha avançado, o ganho não compensou as perdas nas outras duas frentes, sobretudo na área que mede condições mais diretamente associadas ao atendimento básico e aos desfechos sanitários.
Baixada Fluminense tem pior média do estado
No recorte regional, o quadro também é desfavorável.
A Baixada Fluminense registrou IFDM médio de 0,5316, desempenho 14,6% inferior à média dos municípios do estado do Rio.
Segundo a Firjan, todas as vertentes regionais ficaram abaixo do padrão estadual: Educação marcou 0,4854, Saúde ficou em 0,5189 e Emprego & Renda em 0,5904.
O estudo aponta que esse foi o pior resultado médio entre as regiões fluminenses.
Dentro da Baixada, o contraste é evidente.
Itaguaí foi o melhor resultado regional, com 0,6705, único município da região classificado com desenvolvimento moderado e colocado na 25ª posição estadual e 1.851ª nacional.
Na outra ponta, Belford Roxo aparece como lanterna regional e estadual, sem alcançar desenvolvimento moderado em nenhuma das três áreas avaliadas.
A distância entre os dois casos resume a heterogeneidade interna de uma mesma região metropolitana.
Isolamento no cenário estadual do Rio
A fotografia do estado reforça o isolamento do caso belford-roxense.
No Rio de Janeiro, 63% dos municípios ficaram na faixa de desenvolvimento moderado, 35,9% em desenvolvimento baixo e apenas 1,1% em situação crítica.
Esse único caso crítico foi justamente Belford Roxo.
A Firjan também observou que o Rio era, naquele recorte, o único estado do Sudeste sem nenhuma cidade em alto desenvolvimento, mas, ainda assim, a maioria dos municípios fluminenses conseguiu permanecer acima da zona crítica.
Impacto direto em mais de 500 mil moradores
Sob a ótica populacional, a situação ganha outra escala.
A Firjan calcula que mais de 518 mil habitantes vivem em condições críticas de desenvolvimento no município.
Não se trata, portanto, de uma distorção estatística em uma cidade pequena, mas de um sinal negativo concentrado em um dos maiores contingentes urbanos do estado, inserido em uma área densamente ocupada e fortemente conectada aos fluxos metropolitanos de trabalho, transporte e serviços.
O ranking também derruba a leitura de que proximidade com a capital, adensamento urbano ou integração territorial seriam suficientes, por si sós, para empurrar os indicadores sociais.
Belford Roxo segue sem desempenho moderado em Educação, Saúde ou Emprego & Renda, mesmo estando em uma das áreas mais populosas do entorno metropolitano do Rio.
O dado mais expressivo não é apenas a posição no fim da lista, mas a persistência da cidade como exceção negativa no mapa fluminense.
Ao padronizar a leitura de saúde, educação e mercado de trabalho com base em dados oficiais, o IFDM não esgota a complexidade de um município, mas oferece um retrato comparável do que avançou e do que regrediu ao longo do tempo.
No caso de Belford Roxo, a série histórica mostra que houve melhora em educação, porém insuficiente para compensar a deterioração em saúde e a perda em emprego e renda.
O resultado final traduz uma crise de desenvolvimento que deixou de ser apenas regional e passou a ocupar, de forma objetiva, o centro do debate estadual.

