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Cidade gaúcha derrubou o número de beneficiários do Bolsa Família em quase 40% em apenas um ano e meio com busca ativa que conecta cada pessoa cadastrada diretamente a vagas de emprego em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 30/03/2026 às 16:29 Atualizado em 30/03/2026 às 16:32
Bento Gonçalves reduziu beneficiários do Bolsa Família em 38% com busca ativa que conecta cada pessoa a vagas de emprego. Veja como a cidade fez.
Bento Gonçalves reduziu beneficiários do Bolsa Família em 38% com busca ativa que conecta cada pessoa a vagas de emprego. Veja como a cidade fez.
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Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, reduziu em 38% o número de beneficiários do Bolsa Família em cerca de um ano e meio usando busca ativa para encontrar cada pessoa cadastrada e conectá-la diretamente a vagas de emprego na região, resultado muito acima da média nacional de 11% e da estadual de 15%, com equipes que elaboram currículos e fazem o encaminhamento direto às empresas.

Uma cidade no sul do Brasil está fazendo o que nenhum outro município conseguiu na mesma escala com o Bolsa Família. Em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, a prefeitura decidiu ir além da assistência tradicional e passou a buscar ativamente os beneficiários do programa para conectá-los diretamente a vagas de emprego. O resultado é impressionante: em cerca de um ano e meio, o município reduziu em quase 40% o número de famílias atendidas. Enquanto a média de redução no Brasil foi de 11% e no Rio Grande do Sul de 15%, Bento Gonçalves alcançou 38% mais que o triplo do índice nacional.

O dado vem do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e chama atenção justamente pela discrepância. Não se trata de corte de benefícios por decreto ou de cancelamento burocrático. A estratégia é baseada em busca ativa: equipes da prefeitura vão atrás de cada beneficiário do Bolsa Família, entendem a situação individual, oferecem suporte na elaboração de currículos e encaminham diretamente para empresas que estão contratando. É um modelo que transforma o programa social de destino permanente em ponte temporária para o mercado de trabalho.

O que Bento Gonçalves fez diferente com o Bolsa Família

A mudança central está no método. Na maioria dos municípios brasileiros, o Bolsa Família funciona de forma passiva: o governo deposita o benefício e o cidadão continua recebendo enquanto cumprir os requisitos.

Em Bento Gonçalves, a prefeitura inverteu a lógica. Em vez de esperar que o beneficiário procure ajuda para sair do programa, equipes municipais fazem busca ativa vão até as pessoas, visitam endereços, verificam condições e oferecem oportunidades concretas.

A partir do contato inicial, a prefeitura verifica o interesse do beneficiário em ingressar no mercado de trabalho. Para quem demonstra disposição, o município oferece suporte direto: ajuda na elaboração de currículos, orientação profissional e encaminhamento para empresas da região que têm vagas abertas.

O município funciona como uma ponte entre quem precisa de emprego e quem precisa contratar papel que normalmente não é exercido pela assistência social.

Além disso, a iniciativa prevê apoio inicial durante a transição. Beneficiários que aceitam uma vaga de emprego recebem condições mínimas para se manter até que o salário comece a entrar.

Esse detalhe é fundamental: sem suporte na transição, muitas pessoas recusam vagas por medo de perder o Bolsa Família antes de ter renda garantida. Bento Gonçalves resolveu esse gargalo oferecendo segurança durante o período de adaptação.

A busca ativa e o controle de cadastros que fizeram a diferença

A busca ativa em Bento Gonçalves não se limita a oferecer emprego. Quando as equipes municipais não conseguem localizar um beneficiário no endereço informado no cadastro do Bolsa Família, o caso é encaminhado à gestão federal.

O resultado pode ser o bloqueio do benefício até que a pessoa regularize seus dados uma medida que combate fraudes e garante que os recursos cheguem a quem realmente precisa.

Esse controle cadastral é outro fator que contribuiu para a redução de 38% nos beneficiários. Parte das pessoas que saíram do programa não foi encaminhada ao emprego, mas sim identificada como beneficiária irregular gente que mudou de cidade, que já tinha renda acima do limite ou que simplesmente não existia no endereço declarado.

A busca ativa revelou inconsistências que a gestão passiva não detectava, limpando o cadastro e direcionando recursos para quem de fato se encontra em situação de vulnerabilidade.

O prefeito Diogo Siqueira (PL) resumiu a filosofia por trás da estratégia em entrevista à CNN Brasil: “A gente acredita muito que é muito mais importante colocar a pessoa para trabalhar do que dar mais um benefício.” A frase sintetiza o modelo de Bento Gonçalves: o Bolsa Família como caminho temporário, não como destino permanente.

Os números que colocam Bento Gonçalves acima da média nacional

A comparação com os índices estaduais e nacionais é o que dá dimensão ao resultado. No mesmo período em que Bento Gonçalves reduziu seus beneficiários do Bolsa Família em 38%, o Rio Grande do Sul como um todo registrou queda de 15%, e o Brasil inteiro alcançou apenas 11%.

A diferença é de mais de três vezes a média nacional um desempenho que não encontra paralelo em nenhum outro município de porte semelhante.

O contexto econômico ajuda a entender parte do resultado. Bento Gonçalves está localizada na Serra Gaúcha, uma região com economia diversificada, polo moveleiro e vitivinícola, e taxa de desemprego historicamente abaixo da média nacional.

A oferta de vagas de emprego na região facilita o encaminhamento dos beneficiários algo que seria mais difícil em municípios com alta taxa de desemprego e poucas oportunidades formais.

Ainda assim, o diferencial de Bento Gonçalves não é a economia local, mas sim a decisão política de usar a busca ativa como ferramenta de transição.

Outros municípios da Serra Gaúcha com condições econômicas semelhantes não alcançaram resultados parecidos, o que indica que a estratégia de ir atrás dos beneficiários e conectá-los ao mercado de trabalho é o fator determinante.

O Bolsa Família em escala nacional e o que o modelo de Bento Gonçalves pode ensinar

Atualmente, o Bolsa Família atende 18,73 milhões de famílias em todos os 5.570 municípios brasileiros. O investimento mensal do Governo Federal chega a R$ 12,76 bilhões, com valor médio de repasse de R$ 683,75 por família.

São números que mostram o tamanho e a importância do programa para a rede de proteção social do país e também o custo que representa para o orçamento público.

O programa prevê mecanismos como o Benefício Primeira Infância, voltado a crianças de até seis anos, além de valores extras para gestantes, nutrizes e jovens.

Existe ainda a regra de proteção, que permite que famílias permaneçam temporariamente no Bolsa Família mesmo após aumento de renda, recebendo parte do benefício durante a transição.

Esses instrumentos reconhecem que a saída do programa precisa ser gradual e é exatamente esse princípio que Bento Gonçalves aplicou de forma ativa.

A questão que o modelo gaúcho levanta é se a busca ativa pode ser replicada em escala nacional. Em municípios com economia aquecida e oferta de emprego, a estratégia tem potencial claro.

Em regiões com desemprego estrutural e poucas oportunidades formais, o desafio é maior mas o princípio de ir atrás dos beneficiários, verificar cadastros e oferecer suporte concreto vale para qualquer contexto. O que Bento Gonçalves provou é que tratar o Bolsa Família como trampolim, e não como rede permanente, produz resultados mensuráveis.

Com informações do portal NDMAIS.

O que você acha do modelo de Bento Gonçalves para reduzir o Bolsa Família? A busca ativa por emprego deveria ser adotada em todos os municípios ou a realidade de cada região exige estratégias diferentes? Deixe sua opinião nos comentários esse debate sobre assistência social e mercado de trabalho precisa de vozes diversas.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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