1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cidade da Serra Catarinense está há meses sem chuva suficiente e o prejuízo de R$ 21 milhões já devastou plantações de soja milho e feijão enquanto moradores ficam sem água
Localização SC Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Cidade da Serra Catarinense está há meses sem chuva suficiente e o prejuízo de R$ 21 milhões já devastou plantações de soja milho e feijão enquanto moradores ficam sem água

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 30/04/2026 às 16:18
Atualizado em 30/04/2026 às 16:50
Capão Alto, cidade da Serra Catarinense, acumula R$ 21 milhões em prejuízos com seca que devastou lavouras e deixou moradores sem água. Emergência até agosto.
Capão Alto, cidade da Serra Catarinense, acumula R$ 21 milhões em prejuízos com seca que devastou lavouras e deixou moradores sem água. Emergência até agosto.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Capão Alto, cidade da Serra Catarinense atingida por seca severa, decretou emergência até agosto de 2026 após prejuízos de R$ 21 milhões com lavouras de soja, milho, feijão e abóbora devastadas, pecuária leiteira comprometida e mananciais de água em risco para consumo humano em comunidades rurais vulneráveis.

Uma cidade da Serra Catarinense está vivendo crise hídrica que já destruiu lavouras, comprometeu a pecuária e deixou moradores sem acesso garantido à água. Capão Alto acumula prejuízos superiores a R$ 21 milhões no setor agropecuário segundo levantamento da prefeitura, e a gravidade da situação levou a prefeita Sadiana Arruda Melo Coelho Lopes a decretar situação de emergência com validade até agosto de 2026, medida que permite à cidade acessar recursos federais e adotar ações emergenciais para minimizar os danos que a estiagem provoca desde o início do ano. As perdas atingem diretamente culturas como soja, milho, feijão e abóbora, além da pecuária leiteira, setor em que produtores relatam dificuldades crescentes para alimentar o rebanho.

Os números da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) revelam a dimensão do problema que a cidade enfrenta. O volume de chuvas registrado em janeiro foi de apenas 76,6 milímetros, menos da metade da média histórica para o período, que é de 177,6 mm, déficit que combinado com temperaturas acima dos 30°C intensificou a perda de umidade do solo e comprometeu o desenvolvimento das lavouras em estágio crítico do ciclo produtivo. A cidade que depende da agropecuária como base econômica viu suas plantações secarem no momento em que mais precisavam de água, e o resultado são campos devastados que não produzirão a safra esperada.

Como a seca devastou as lavouras da cidade na Serra Catarinense

Capão Alto, cidade da Serra Catarinense, acumula R$ 21 milhões em prejuízos com seca que devastou lavouras e deixou moradores sem água. Emergência até agosto.

O impacto sobre as plantações é generalizado e atinge culturas que sustentam a economia local. A soja, o milho e o feijão são os três pilares da produção agrícola da cidade, e todos sofreram redução significativa na produtividade porque o solo ressequido não forneceu umidade suficiente para que as plantas completassem o ciclo de crescimento e frutificação. A abóbora, cultivada em menor escala mas com importância para a renda de pequenos produtores, também foi severamente afetada. No campo, agricultores que investiram em sementes, insumos e preparo do solo assistem ao prejuízo que já soma R$ 21 milhões sem poder reverter o dano porque a ausência de chuva é variável que nenhuma técnica agrícola substitui.

A pecuária leiteira enfrenta crise paralela na cidade. Com pastagens secas e produção de forragem comprometida, pecuaristas precisam comprar ração em volume muito acima do normal para manter a alimentação do rebanho, custo adicional que reduz ou elimina a margem de lucro da atividade e que para pequenos produtores pode significar a diferença entre continuar na atividade ou vender os animais por fração do valor. A seca não destrói apenas a safra do momento: compromete a capacidade produtiva da cidade e das lavouras para os meses seguintes porque animais mal alimentados produzem menos leite e demoram a recuperar a produtividade mesmo quando as condições melhoram.

Por que a falta de água na cidade preocupa além da agricultura

Capão Alto, cidade da Serra Catarinense, acumula R$ 21 milhões em prejuízos com seca que devastou lavouras e deixou moradores sem água. Emergência até agosto.

A estiagem na cidade não afeta apenas lavouras e rebanhos. A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil informou que houve comprometimento dos mananciais que abastecem a zona rural, elevando o risco de falta de água tanto para consumo humano quanto para a dessedentação animal, cenário que transforma a crise agrícola em emergência humanitária quando comunidades inteiras ficam sem acesso ao recurso mais básico para sobrevivência. A cidade convive com a realidade de moradores que precisam buscar água em fontes cada vez mais distantes ou depender de caminhões-pipa que nem sempre chegam com a regularidade necessária.

A situação é ainda mais grave nas comunidades rurais vulneráveis da cidade. Segundo relatório do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), moradores cadastrados no CadÚnico na comunidade de Barreira enfrentam dificuldades para garantir acesso à água e não possuem condições financeiras de instalar reservatórios que permitiriam armazenar volume suficiente para atravessar períodos de estiagem prolongada. Para essas famílias, a seca não é inconveniente: é ameaça direta à saúde e à permanência na terra onde vivem, e sem apoio externo a tendência é que o êxodo rural se acelere numa cidade que já tem população pequena e que não pode perder moradores sem comprometer sua viabilidade.

O que o decreto de emergência permite que a cidade faça

A decretação de situação de emergência pela prefeita Sadiana Arruda Melo Coelho Lopes não é ato simbólico: é instrumento jurídico que abre portas para a cidade acessar recursos e agilizar providências. Com base na legislação federal que regulamenta situações de emergência no âmbito do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, a cidade pode solicitar repasses do governo federal, contratar serviços emergenciais sem licitação convencional e implementar medidas imediatas de socorro às famílias e produtores mais afetados. O decreto tem validade até agosto de 2026, período que cobre os meses em que a estiagem pode continuar impactando a produção agropecuária e o abastecimento de água.

A Cooperplan, entidade do setor agropecuário local, foi uma das organizações que solicitaram formalmente a decretação. O pedido reflete a compreensão de que os produtores da cidade não conseguem enfrentar sozinhos prejuízos de R$ 21 milhões em lavouras destruídas e que o apoio institucional é condição necessária para que a agropecuária local sobreviva à crise e se recupere quando as chuvas retornarem. As ações emergenciais que o decreto viabiliza incluem desde distribuição de água por caminhões-pipa até linhas de crédito especiais para que agricultores e pecuaristas recomponham estoques de insumos e ração perdidos durante os meses de estiagem.

O que os dados climáticos indicam sobre o futuro da cidade

A discrepância entre a chuva registrada e a média histórica sinaliza que a cidade enfrenta evento climático fora do padrão. Os 76,6 milímetros de janeiro representam apenas 43% dos 177,6 mm esperados para o mês, déficit que não se corrige com uma ou duas semanas de chuva e que deixa o solo em condição tão desidratada que mesmo precipitações normais nos meses seguintes podem não ser suficientes para restaurar a umidade necessária ao plantio da próxima safra. Para a cidade, a recuperação agrícola depende não apenas de que chova, mas de que chova o suficiente e no momento certo para que o ciclo produtivo seja retomado sem novos prejuízos.

As temperaturas acima de 30°C que acompanharam a estiagem agravaram o problema ao acelerar a evaporação da pouca umidade restante no solo. A combinação entre calor intenso e chuva insuficiente criou condições que a cidade enfrenta com a seca na Serra Catarinense, região conhecida mais pelo frio do que pelo calor, e que evidencia padrão de variação climática que pode se repetir com maior frequência nos próximos anos se as tendências de aquecimento global se confirmarem. A cidade precisa considerar investimentos em infraestrutura de captação e armazenamento de água que reduzam a vulnerabilidade a eventos como o atual, preparação que custa recursos hoje mas que evita prejuízos como os R$ 21 milhões atuais no futuro.

E você, sabia que uma cidade da Serra Catarinense estava enfrentando seca tão severa? Acha que o governo deveria investir mais em prevenção? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Fonte
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x