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Cidade brasileira tem apenas 7 mil habitantes, foi construída inteiramente sobre uma montanha de pedra a 1.440 metros de altitude e vive literalmente da rocha

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 25/02/2026 às 18:27
Assista o vídeoSão Thomé das Letras, cidade brasileira construída sobre montanha de pedra a 1.440 metros de altitude
Cidade de São Thomé das Letras, em Minas Gerais, foi construída sobre uma montanha de quartzito a 1.440 metros de altitude. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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Município mineiro ergueu ruas, casas e igrejas sobre um maciço de quartzito, mistura lendas místicas, economia mineral e um patrimônio histórico único no Brasil

As ruas são de pedra. As paredes das casas também. Igrejas, muros, calçadas e até a delegacia seguem a mesma lógica. Em São Thomé das Letras, no sul de Minas Gerais, tudo parece nascer da própria rocha que sustenta a cidade a 1.440 metros de altitude, no topo da Serra da Mantiqueira. Com cerca de 7 mil habitantes, o município se tornou conhecido nacionalmente como a “Cidade Mística”, reunindo geologia singular, histórias religiosas, lendas esotéricas e uma economia literalmente baseada na pedra.

Ao mesmo tempo em que desperta curiosidade por seus relatos de túneis secretos e fenômenos inexplicáveis, São Thomé das Letras guarda uma característica rara: foi construída sobre um enorme depósito natural de quartzito, material que moldou não apenas a paisagem urbana, mas também a identidade cultural e a principal atividade econômica local.

A informação foi divulgada em reportagens históricas e turísticas publicadas por portais especializados, além de registros técnicos de instituições oficiais ligadas ao patrimônio e à geologia brasileira.

A montanha de quartzito que virou cidade e sustenta a economia local

Casa da Pirâmide, em São Thomé das Letras, está localizada no ponto mais alto da cidade e oferece uma das vistas mais amplas da Serra da Mantiqueira. Imagem: Divulgação/TripAdvisor

Do ponto de vista geológico, São Thomé das Letras está assentada sobre um depósito de quartzito do período Neoproterozoico, uma formação rochosa com centenas de milhões de anos. A partir da década de 1940, a extração da chamada “pedra São Tomé” passou a movimentar a economia local, transformando o município em um dos principais polos produtores desse tipo de rocha ornamental no país.

O quartzito da região é amplamente valorizado por uma característica técnica importante: não retém calor, o que o torna ideal para bordas de piscinas, pisos externos, fachadas e revestimentos arquitetônicos. Por isso, a pedra extraída em São Thomé das Letras é comercializada em diversas regiões do Brasil e também no exterior.

Em 2024, essa relevância foi oficialmente reconhecida quando o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu ao quartzito local o registro de Indicação Geográfica, certificando a origem e a qualidade exclusiva do material extraído na região.

Esse vínculo entre geologia e urbanismo é visível no centro histórico. Casas e muros são montados com lascas de pedra empilhadas sem uso de argamassa, em um sistema de encaixe que lembra técnicas medievais. Em razão desse valor arquitetônico, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais tombou o centro histórico e a Igreja Matriz em 1996, garantindo proteção legal ao conjunto urbano.

A lenda do escravo, a gruta e a origem do nome da cidade

A origem do nome São Thomé das Letras está ligada a uma das histórias mais antigas e simbólicas do município, que remonta ao final do século XVIII. Segundo a tradição local, o escravo João Antão, fugido da fazenda do Capitão João Francisco Junqueira, teria se escondido em uma gruta no alto da serra.

Ainda conforme a lenda, um homem vestido de branco teria aparecido no local e entregue ao escravo uma carta escrita com perfeição. Ao levar o bilhete ao fazendeiro, João Antão teria recebido a alforria. Na mesma gruta, foi encontrada uma imagem de São Tomé, fato que impressionou o proprietário da fazenda.

Como consequência, Junqueira ordenou a construção de uma capela ao lado da gruta. A atual Igreja Matriz, iniciada em 1785, ocupa esse mesmo ponto até hoje e preserva pinturas em estilo rococó atribuídas a Joaquim José da Natividade, um dos nomes relevantes da arte sacra mineira.

O complemento “das Letras” faz referência às inscrições rupestres encontradas na gruta original, ainda visíveis para visitantes. Esses registros reforçam o caráter histórico e arqueológico do local, muito antes da consolidação do município.

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Grutas, pirâmide, cachoeiras e o turismo místico da serra

Atualmente, São Thomé das Letras concentra uma série de atrações naturais e culturais acessíveis a partir do centro urbano. Grutas, mirantes, trilhas e cachoeiras fazem parte do cotidiano turístico da cidade, com roteiros frequentemente acompanhados por condutores locais credenciados pela prefeitura.

Entre os principais pontos estão a Casa da Pirâmide, localizada no ponto mais alto do Parque Municipal Antônio Rosa, famosa pela vista panorâmica de 360 graus e por um dos pores do sol mais fotografados de Minas Gerais. A Gruta de São Thomé, ao lado da Igreja Matriz, segue como referência histórica e religiosa. Já a Pedra da Bruxa atrai visitantes por suas formações rochosas curiosas e pela vista ampla da serra.

Outro destaque é a Igreja de Pedra (Nossa Senhora do Rosário), construída por pessoas escravizadas no século XVIII com lascas de quartzito empilhadas sem argamassa e tombada pelo patrimônio estadual em 1985. Nos arredores, cachoeiras como Eubiose, Véu de Noiva e Sobradinho complementam o roteiro com quedas d’água cercadas por campo rupestre e mata nativa.

Além disso, vídeos de viagem e roteiros completos produzidos por criadores de conteúdo ampliaram a visibilidade do município nos últimos anos, reforçando seu apelo místico e natural.

O mito do túnel secreto e a gruta que nunca teve fim

Entre todas as histórias associadas à cidade, nenhuma é tão famosa quanto a da Gruta do Carimbado, localizada a cerca de 6 km do centro, na estrada para São Bento do Abade. Segundo moradores e entusiastas do misticismo, a caverna seria um suposto portal subterrâneo que conectaria São Thomé das Letras a Machu Picchu, a aproximadamente 4 mil quilômetros de distância.

Do ponto de vista técnico, a Sociedade Brasileira de Espeleologia registrou apenas 212 metros topográficos explorados, sem qualquer evidência de túneis transcontinentais. Ainda assim, o imaginário popular permanece forte, especialmente após a exibição da minissérie Filhos do Sol, da Rede Manchete, em 1991, que usou a cidade como cenário para uma trama envolvendo extraterrestres e civilizações subterrâneas.

Atualmente, a Gruta do Carimbado está interditada por decisão judicial, mas atrações próximas, como a Ladeira do Amendoim, seguem abertas. No local, carros em ponto morto parecem subir sozinhos, um fenômeno explicado pela física como ilusão de óptica, mas que continua intrigando visitantes.

Clima, altitude e a melhor época para visitar a cidade de pedra

A altitude de 1.440 metros influencia diretamente o clima local. Mesmo no verão, as noites costumam ser frescas, enquanto o inverno pode registrar temperaturas próximas de 6°C. O período seco, entre maio e setembro, é considerado o mais indicado para trilhas, mirantes e observação do céu limpo, que alimenta relatos frequentes de avistamentos luminosos.

Segundo dados de referência do Climatempo, as temperaturas médias variam entre 6°C e 27°C, dependendo da estação, com maior volume de chuvas no verão, quando as cachoeiras ficam mais cheias e propícias para banho.

Como chegar a São Thomé das Letras

São Thomé das Letras está localizada a 346 km de Belo Horizonte e cerca de 370 km de São Paulo. O principal acesso é pela BR-381 até Três Corações, seguido pelas rodovias LMG-862 e LMG-868, com trechos asfaltados. Não há aeroporto na cidade; o mais próximo fica em Varginha, a aproximadamente 70 km. Ônibus intermunicipais partem de Três Corações, mas o carro próprio ou alugado é a opção mais prática.

Suba a serra e pise na cidade que literalmente nasce da rocha

São Thomé das Letras não é apenas um destino turístico. É um município onde geologia, história, fé e lendas se misturam no cotidiano de pouco mais de 7 mil moradores. Ali, a pedra vira casa, a gruta vira narrativa e o horizonte, visto do alto da serra, dispensa explicações.

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Fabio Carvalho
Fabio Carvalho
02/03/2026 12:32

Uma materia que começa com uma foto fake de uma edificação que não existe na cidade, ja perde boa parte da credibilidade.

Fonte
Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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