Supressão de 491 árvores para obras do VLT na Avenida Alberto Craveiro, em Fortaleza, altera paisagem urbana, prevê compensação ambiental no Jangurussu e muda ciclofaixa até a conclusão do projeto em 2027
As obras da Estação CEU do VLT em Fortaleza resultaram na remoção de 491 árvores na Avenida Alberto Craveiro, no bairro Dias Macêdo, para viabilizar uma nova linha de 5,1 km até a Arena Castelão, com conclusão prevista para 2027.
Segundo o Diário do Nordeste, o avanço das obras da Estação CEU, vinculada ao Veículo Leve sobre Trilhos, alterou de forma significativa a paisagem da Avenida Alberto Craveiro, no bairro Dias Macêdo, com a retirada de 491 árvores que ocupavam o canteiro central.
A maior parte das árvores removidas era das espécies ipê-amarelo e ipê-rosa, que integravam a arborização viária e forneciam sombra ao longo de um dos principais corredores de deslocamento urbano da capital cearense.
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Moradores da região e coletivos ambientais observaram recentemente a supressão da vegetação, que deu lugar a tapumes, equipamentos de construção pesada e uma extensa faixa de terra destinada à implantação da estação ferroviária.
Segundo a Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará, Seinfra, a utilização do canteiro central é necessária para a construção da Estação CEU, o que inviabiliza o retorno das árvores ao local após a conclusão das intervenções.
A Seinfra informou que a supressão vegetal estava prevista desde a elaboração do projeto executivo e recebeu autorização da Superintendência Estadual do Meio Ambiente, Semace, órgão responsável pelo licenciamento ambiental da obra.
Em nota, a Seinfra afirmou que a obra possui licença ambiental vigente desde o início das intervenções, iniciadas em setembro deste ano, destacando que todas as etapas seguem os parâmetros legais estabelecidos pelos órgãos ambientais.
A retirada das árvores ocorre no contexto da ampliação do sistema de VLT em Fortaleza, que prevê uma nova linha ligando o Aeroporto de Fortaleza à Arena Castelão ao longo de um trajeto total de 5,1 km.
Além do trecho ferroviário, o projeto inclui a construção de duas novas estações, a Estação CEU, sigla para Condomínio Espiritual Uirapuru, e a Estação Castelão, ampliando a cobertura do transporte sobre trilhos na cidade.
Como medida compensatória, a Seinfra anunciou o plantio de 3.573 mudas de espécies nativas em outros pontos da cidade, em substituição às árvores removidas da Avenida Alberto Craveiro.
O replantio ocorrerá no bairro Jangurussu, especificamente no Transecto Rua Catolé, no Polígono Complexo Residencial Sítio São João, no Polígono Principal Sítio São João e em areninhas localizadas na região.
De acordo com a Seinfra, a definição dessas áreas atende normas ambientais vigentes e segue recomendação da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente, Seuma, responsável pelo planejamento ambiental urbano do município.
Impactos para a cidade
Para Francisco Rérisson Carvalho Correia Máximo, arquiteto, urbanista e professor do Instituto Federal do Ceará, IFCE, a retirada de árvores em vias de grande circulação torna a experiência urbana mais difícil para pedestres e usuários.
Segundo o professor do IFCE, existe uma falsa contradição entre cidade e meio ambiente, pois as cidades fazem parte de um sistema ambiental maior e não deveriam ser planejadas de forma antagônica à vegetação.
Francisco Rérisson destaca que intervenções urbanas precisam considerar os impactos diretos sobre a cobertura vegetal, especialmente em uma cidade historicamente conhecida pelas altas temperaturas ao longo do ano.
O especialista lembra que Fortaleza é a única capital brasileira litorânea inserida no bioma semiárido, o que intensifica a importância da presença de árvores para amenizar o calor e melhorar as condições climáticas urbanas.
De acordo com o arquiteto, quanto maior a remoção de árvores e outras plantas, mais persistem as altas temperaturas, ampliando os desconfortos térmicos sentidos pela população em áreas de grande circulação viária.
Além do efeito climático, Francisco Rérisson aponta consequências como a perca de biodiversidade, a redução das áreas verdes disponíveis e a alteração da paisagem urbana ao longo de corredores estruturantes.
O professor avalia que os impactos da supressão vegetal nem sempre são imediatamente mensuráveis, mas se acumulam ao longo do tempo, transformando negativamente as condições de vida na cidade.
Para ele, o planejamento urbano é o principal instrumento para reduzir os efeitos da interferência humana sobre o meio ambiente, por meio de estratégias integradas de ocupação e preservação ambiental.
Francisco Rérisson defende a existência de um plano de arborização urbana que contemple tanto a manutenção das árvores existentes quanto a ampliação das áreas verdes em diferentes bairros da capital.
Segundo o professor do IFCE, a cidade tem desenvolvido uma relação de negação da vegetação como elemento essencial do ambiente urbano, cenário que precisará ser revisto diante das demandas futuras.
Mudanças na ciclofaixa
Outra alteração associada às obras foi a retirada da ciclofaixa localizada no canteiro central da Avenida Alberto Craveiro, modificando a dinâmica de circulação de ciclistas no trecho em obras.
Com a intervenção, a ciclofaixa passou a ser dividida em dois sentidos da via, exigindo a liberação das faixas exclusivas de ônibus para o tráfego de todos os veículos.
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a Seinfra informou que a ciclofaixa foi ampliada para 3 metros de largura, um metro a mais em relação à disposição anterior, e passou a ser isolada por tapumes.
A Seinfra acrescentou que o projeto de realocação da ciclofaixa foi aprovado pela Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania, AMC, que definirá a localização definitiva após o término das obras, previsto para 2027.
Mesmo com as mudanças anunciadas, ciclistas que utilizam regularmente a via relataram insatisfação com as alterações implementadas durante o período de obras na Alberto Craveiro.
O ambientalista Eraldo Sá, ciclista urbano há cerca de dez anos, afirmou sentir o impacto da retirada das árvores durante seus deslocamentos semanais, especialmente pela ausência de sombra ao longo do trajeto.
Segundo Eraldo Sá, usuários de veículos motorizados com ar-condicionado não percebem os efeitos diretos da perda da cobertura verde, diferentemente de quem utiliza a mobilidade ativa diariamente.
O estudante de Arquitetura e Urbanismo Mateus Barboza também criticou a supressão das árvores, lembrando que muitas haviam sido plantadas há menos de dez anos e ainda estavam em fase de desenvolvimento.
Para Mateus, as árvores começavam apenas recentemente a oferecer sombra aos ciclistas, e sua retirada representa um retrocesso em um contexto de luta por mais arborização em ciclovias e ciclofaixas.
A Seinfra informou que o prazo para conclusão das obras da nova linha do VLT e das estações CEU e Castelão está previsto para 2027, conforme o cronograma atualmente em vigor.

Deveriam plantar primeiro para depois intervir no projeto urbano. Isso é pressa e falta de planejamento e coisas que nem vou comentar.