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China transforma o deserto de Mu Us em campo de batalha contra as dunas com drones carregando mudas, robôs plantando uma árvore a cada 5 segundos e máquinas autônomas abrindo sulcos na areia para expandir sua “Grande Muralha Verde”

Escrito por Ana Alice
Publicado em 05/06/2026 às 23:30
Atualizado em 05/06/2026 às 23:35
China usa drones e robôs no deserto de Mu Us para plantar mudas, abrir sulcos na areia e conter o avanço das dunas. (Imagem: Ilustrativa)
China usa drones e robôs no deserto de Mu Us para plantar mudas, abrir sulcos na areia e conter o avanço das dunas. (Imagem: Ilustrativa)
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Drones, robôs e máquinas inteligentes mudam a rotina de reflorestamento no deserto de Mu Us, onde a China testa novas formas de conter dunas, transportar mudas e acelerar ações contra a desertificação.

Drones usados para transportar mudas e máquinas inteligentes capazes de plantar árvores em poucos segundos passaram a integrar ações de reflorestamento na borda do deserto de Mu Us, no norte da China.

A iniciativa ocorre na Região Autônoma da Mongólia Interior, em uma área considerada estratégica para os esforços chineses de controle da desertificação e redução de tempestades de areia.

O trabalho combina transporte aéreo de mudas, abertura mecânica de sulcos e plantio automatizado em terrenos arenosos.

Segundo Gao Fei, funcionário do Jintaiming Technology Group, empresa sediada na Mongólia Interior, “leva apenas cinco segundos para esses robôs plantarem uma muda no deserto”.

A tecnologia foi empregada em Otog Banner, uma das áreas incluídas no Programa Florestal de Proteção dos Três Nortes, iniciativa lançada pela China em 1978 para conter a desertificação em regiões do norte, nordeste e noroeste do país.

O programa é conhecido internacionalmente como a “Grande Muralha Verde” chinesa.

A região do Mu Us tem importância ambiental e econômica por estar próxima às áreas irrigadas do trecho de Hetao, no rio Amarelo.

O rio, o segundo mais longo da China, percorre mais de 840 quilômetros pela Mongólia Interior e sustenta atividades agrícolas em áreas vulneráveis ao avanço da areia.

Como funcionam os robôs que plantam árvores no deserto

As máquinas usadas no projeto são equipamentos inteligentes de segunda geração desenvolvidos para executar etapas sucessivas do plantio.

Elas perfuram e afofam o solo com brocas em espiral, inserem a muda, irrigam as raízes, cobrem a base com areia e compactam o terreno ao redor da planta.

Esse processo automatiza tarefas que, no plantio convencional, exigem trabalho manual em sequência.

Em áreas desérticas ou semidesérticas, a execução dessas etapas costuma ser dificultada por vento, calor, solo instável e grandes distâncias entre os pontos de plantio.

De acordo com Gao Fei, quatro máquinas foram usadas em fase de testes na área do programa.

A produção em larga escala dos equipamentos ainda não havia sido totalmente iniciada quando o projeto foi divulgado.

A empresa afirma deter direitos de propriedade intelectual sobre a tecnologia.

Os equipamentos reúnem perfuração espiral do solo, condução não tripulada e recursos de inteligência artificial.

Segundo a companhia, o objetivo é permitir plantio em grande escala, com menor dependência de trabalho humano direto nas áreas de dunas.

A empresa também informou que desenvolve outras máquinas inteligentes para diferentes cenários de plantio.

A adaptação dos equipamentos é relevante porque áreas degradadas podem apresentar variações de solo, inclinação, umidade e tipo de vegetação indicada para recuperação.

Drones transportam mudas em áreas de difícil acesso

Além dos robôs responsáveis pelo plantio, o programa usa drones para transportar mudas sobre grandes extensões de areia.

Na área de Otog Banner, foram empregados 20 drones nessa etapa da operação.

O uso dos equipamentos aéreos busca reduzir deslocamentos terrestres em locais onde o acesso por veículos pode ser limitado.

Em dunas e terrenos de areia solta, o transporte de mudas e outros insumos costuma exigir mais tempo e planejamento logístico.

Com os drones, as mudas podem ser levadas a pontos de plantio distribuídos por áreas amplas.

As máquinas, em seguida, fazem a abertura dos sulcos e a colocação das plantas no solo.

Essa divisão de tarefas cria uma linha de trabalho em que transporte e plantio ocorrem com apoio de equipamentos automatizados.

Segundo Gao Fei, uma máquina inteligente consegue realizar em um dia um volume de trabalho equivalente a dez trabalhadores.

Ele também afirmou que o custo operacional do equipamento corresponde a cerca de 30% do custo da mão de obra humana, de acordo com estimativas da empresa.

Esses números foram apresentados pela companhia responsável pela tecnologia e não substituem avaliações independentes sobre custo, produtividade ou desempenho em diferentes condições ambientais.

Por que o deserto de Mu Us preocupa autoridades chinesas

A Mongólia Interior identificou cerca de 15 milhões de hectares de terras desertificadas distribuídas por áreas administradas por sete cidades.

Essas regiões são apontadas por autoridades locais como fontes e rotas de tempestades de areia que podem atingir o eixo Pequim-Tianjin-Hebei.

A contenção da desertificação, nesse contexto, está ligada à proteção de áreas agrícolas, à segurança alimentar e à preservação da bacia do rio Amarelo.

O avanço da areia pode afetar lavouras, infraestrutura e qualidade do ar em regiões distantes das próprias dunas.

Em Otog Banner, a meta divulgada para a etapa do programa é plantar árvores em 3.333 hectares de terras arenosas.

Segundo Yan Wei, diretor local do Programa Florestal de Proteção dos Três Nortes em Ordos, cerca de 60% do trabalho deve contar com apoio de diferentes tipos de máquinas.

A mecanização não elimina a necessidade de planejamento ambiental.

Projetos desse tipo dependem da escolha de espécies adequadas, da preparação do solo, da disponibilidade de água e do acompanhamento das mudas após o plantio.

Espécies resistentes são usadas na recuperação de áreas áridas

Uma das espécies citadas no projeto é um salgueiro resistente à seca identificado nas fontes chinesas como salix mongolia.

Segundo Gao Fei, as mudas plantadas pelas máquinas apresentaram taxa de sobrevivência superior àquelas plantadas manualmente.

O percentual exato de sobrevivência, no entanto, não foi informado nas fontes consultadas.

Por esse motivo, o dado deve ser atribuído à empresa e tratado como uma declaração do responsável técnico, não como uma medição independente disponível publicamente.

A escolha de espécies resistentes é um dos pontos centrais em programas de restauração de áreas áridas.

O plantio em regiões com baixa disponibilidade de água exige plantas adaptadas a vento forte, solo pobre em matéria orgânica e variações intensas de temperatura.

Em ações contra a desertificação, a sobrevivência das mudas depende de fatores que vão além do momento do plantio.

Profundidade correta, proteção contra o deslocamento da areia, irrigação inicial e manutenção do terreno influenciam o resultado ao longo do tempo.

Grande Muralha Verde da China contra a desertificação

O Programa Florestal de Proteção dos Três Nortes foi criado para estabelecer barreiras vegetais em regiões atingidas pela desertificação.

A iniciativa começou em 1978 e tem previsão de continuidade até 2050, segundo registros institucionais e organismos internacionais que acompanham o tema.

Ao longo das últimas décadas, o programa mobilizou técnicas de fixação de dunas, plantio de árvores e arbustos, manejo de áreas degradadas e ações comunitárias.

Uma das técnicas mais usadas é a instalação de grades feitas com palha de trigo sobre a areia.

Essas grades reduzem a ação direta do vento sobre o solo e ajudam a estabilizar a superfície antes do plantio.

Com a areia menos móvel, mudas e arbustos têm melhores condições iniciais para enraizar.

Nos últimos anos, equipamentos automatizados passaram a aparecer em novas etapas do programa.

A presença de drones e robôs no Mu Us indica a incorporação de tecnologias de transporte, navegação e plantio em áreas antes atendidas principalmente por trabalho manual e maquinário convencional.

Energia renovável e controle ambiental em regiões desérticas

Ma Qiang, vice-diretor da administração regional de florestas e pastagens da Mongólia Interior, afirmou que a prevenção e o controle da desertificação precisam ultrapassar limites administrativos.

Segundo ele, essas ações devem ser integradas a iniciativas de energia, como projetos eólicos e solares em regiões desérticas.

A declaração reflete uma diretriz adotada por autoridades locais, que buscam combinar recuperação ambiental e uso econômico de áreas áridas.

Em regiões com grande incidência de sol e vento, projetos de energia renovável podem compartilhar espaço com medidas de proteção do solo, desde que submetidos a planejamento ambiental.

Especialistas em restauração ecológica costumam apontar que projetos de reflorestamento em zonas áridas exigem monitoramento prolongado.

Entre os pontos avaliados estão a sobrevivência das plantas, o consumo de água, a adequação das espécies e o efeito real sobre o deslocamento de areia.

No caso do Mu Us, os dados divulgados indicam uma etapa de aplicação tecnológica dentro de um programa mais amplo de combate à desertificação.

Robôs fazem o plantio, drones transportam mudas e equipes técnicas acompanham a operação.

A automação, nesse cenário, aparece como ferramenta para ampliar a escala do trabalho em áreas de difícil acesso.

A efetividade ambiental, porém, depende de resultados medidos ao longo do tempo, especialmente sobre sobrevivência das mudas e estabilização do solo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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