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Drones fazem mais de 2 mil voos no Brasil e lançam 134 milhões de sementes em operação aérea que transforma cicatrizes de deslizamentos em uma muralha verde de Mata Atlântica, recupera mais de 280 campos de futebol e devolve vegetação a 79,6% da área restaurada em São Sebastião

Escrito por Ana Alice
Publicado em 04/06/2026 às 21:10
Atualizado em 04/06/2026 às 21:14
Assista o vídeoDrones lançam 134 milhões de sementes em encostas de São Sebastião e ajudam a recuperar áreas atingidas por deslizamentos. (Imagem: Ilustrativa)
Drones lançam 134 milhões de sementes em encostas de São Sebastião e ajudam a recuperar áreas atingidas por deslizamentos. (Imagem: Ilustrativa)
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Monitoramento recente indica avanço da cobertura vegetal em encostas de São Sebastião, onde drones lançaram sementes nativas da Mata Atlântica em áreas atingidas por deslizamentos no Litoral Norte paulista.

O monitoramento mais recente do Projeto Restaura Litoral Norte indica que 79,6% da área restaurada em São Sebastião já apresenta cobertura de vegetação nativa, segundo balanço divulgado pelo Instituto Conservação Costeira.

A avaliação foi feita na 7ª campanha de monitoramento e abrangeu 203,39 hectares de encostas atingidas por deslizamentos, onde drones lançaram sementes nativas da Mata Atlântica para acelerar a regeneração em áreas de difícil acesso.

O resultado atualiza o trabalho iniciado após as chuvas extremas que atingiram o Litoral Norte paulista em fevereiro de 2023.

Naquele período, os deslizamentos deixaram cicatrizes em encostas da Costa Sul de São Sebastião, especialmente em áreas como Vila Sahy, e motivaram o uso de tecnologias como biocápsulas biodegradáveis, biomantas, hidrossemeadura e semeadura aérea por drones.

A ação espalhou cerca de 134 milhões de sementes nativas da Mata Atlântica em uma área de aproximadamente 203 hectares, equivalente a mais de 280 campos de futebol, dentro do projeto Restaura Litoral Norte.

A iniciativa combina técnicas de restauração ecológica com medidas de contenção de erosão em áreas de encosta.

Segundo o Governo de São Paulo, o objetivo é recompor a vegetação em trechos de alta declividade, reduzir a exposição do solo e acompanhar a resposta das espécies nativas em locais onde o acesso por equipes em terra é limitado.

Drones levam sementes a encostas atingidas por deslizamentos

A operação foi direcionada às chamadas “cicatrizes” deixadas pelos escorregamentos.

Essas marcas aparecem nas encostas após o deslocamento de terra, rochas e vegetação, especialmente em áreas como a Vila Sahy, uma das regiões mais afetadas pelo temporal.

De acordo com informações divulgadas pelo Governo de São Paulo e pelo Instituto Conservação Costeira, mais de 2 mil voos de drones foram realizados durante o processo.

As aeronaves lançaram quase 1,5 tonelada de biocápsulas em cerca de 850 áreas atingidas por deslizamentos, incluindo pontos íngremes, instáveis ou de acesso considerado arriscado.

A técnica funciona como uma semeadura aérea direcionada.

Em vez do plantio manual de mudas em cada ponto, os drones distribuem cápsulas com sementes e compostos que auxiliam na fixação e na germinação.

Com isso, a intervenção alcança áreas extensas e trechos onde o trabalho em campo exigiria mais tempo e maior exposição das equipes.

As biocápsulas usadas no projeto foram desenvolvidas pela Ambipar, segundo o Instituto Conservação Costeira.

O material reaproveita resíduos da indústria farmacêutica e componentes biodegradáveis, além de ecosolo, um condicionador feito com resíduos orgânicos ligados à cadeia de celulose e biomassa.

A composição foi criada para proteger as sementes e oferecer condições iniciais para a germinação em áreas expostas.

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Espécies nativas ajudam na regeneração da Mata Atlântica

A recomposição de uma área degradada costuma começar por espécies pioneiras.

São plantas capazes de se desenvolver sob maior incidência de sol, em solos mais pobres e em locais com pouca cobertura vegetal, segundo princípios adotados em projetos de restauração florestal.

Em São Sebastião, foram priorizadas espécies como guapuruvu, embaúba e crindiúva, além de outras árvores nativas da Mata Atlântica.

Essas plantas são usadas em processos de regeneração por ajudarem na formação de sombra, no acúmulo de matéria orgânica e na criação de condições para a chegada de outras espécies ao longo do tempo.

A recuperação da floresta ocorre em etapas.

Primeiro, a cobertura vegetal reduz a exposição direta do solo à chuva.

Depois, raízes, folhas e matéria orgânica passam a modificar as condições locais, favorecendo a presença de novos organismos e outras plantas, conforme o avanço do processo de sucessão ecológica.

Até a fase mais recente divulgada oficialmente, cerca de 203 hectares haviam sido reflorestados em nove campanhas de semeadura.

Com o novo monitoramento, o Instituto Conservação Costeira informou que 79,6% da área restaurada apresenta cobertura de vegetação nativa.

O índice supera a expectativa divulgada anteriormente pelo governo paulista, que previa 60% da área afetada pelos deslizamentos recoberta por vegetação nativa até 2026.

Cobertura vegetal reduz exposição do solo em áreas de risco

O temporal de fevereiro de 2023 colocou a Costa Sul de São Sebastião no centro das discussões sobre eventos extremos no litoral paulista.

Em 24 horas, o município registrou 683 milímetros de chuva, volume associado a mais de 800 pontos de deslizamento em diferentes regiões.

Quando uma encosta perde cobertura vegetal, o solo fica mais exposto ao impacto da água.

A chuva pode arrastar partículas, abrir sulcos, remover nutrientes e aumentar a instabilidade em áreas já fragilizadas.

Por esse motivo, técnicos tratam a recuperação da vegetação como uma das frentes de resposta, ao lado de obras, monitoramento, ações de Defesa Civil, pesquisa ambiental e planejamento territorial.

Além da semeadura por drones, a Fundação Florestal aplicou biomantas e biorretentores em 3 hectares de encostas.

Esses materiais são usados para ajudar na retenção do solo enquanto a vegetação se estabelece.

O investimento informado pela Fundação Florestal para ações de estabilização e contenção de erosão chegou a R$ 908 mil.

A etapa de semeadura foi concluída em novembro de 2024 e entrou em fase de monitoramento.

Nessa fase, equipes técnicas verificam quais espécies germinaram, onde houve maior avanço da cobertura vegetal e quais pontos ainda exigem acompanhamento ou novas intervenções.

O monitoramento também deve indicar, com base em dados de campo, se a recomposição vegetal contribui para reduzir processos erosivos nas encostas da Costa Sul.

A avaliação é necessária porque o comportamento do solo depende de fatores como inclinação, tipo de terreno, intensidade das chuvas, drenagem e nível de regeneração da vegetação.

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Projeto Restaura Litoral Norte reúne órgãos públicos e apoiadores

O Restaura Litoral Norte é realizado pelo Instituto Conservação Costeira, com patrocínio da Concessionária Tamoios, da Gerando Falcões e de uma rede de apoiadores privados.

O projeto também conta com apoio de órgãos como Ministério Público Federal, Ministério Público de São Paulo, Cetesb, Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Fundação Florestal, Prefeitura de São Sebastião, Atlântica Consultoria Ambiental e Ambipar Group.

A diretora-executiva do Instituto Conservação Costeira, Fernanda Carbonelli, afirmou que a recuperação ambiental vai além do reflorestamento.

Segundo ela, o projeto é uma oportunidade de “reconstruir histórias, proteger vidas e fortalecer comunidades”.

A declaração também destacou a integração entre tecnologia, ciência e educação climática.

O Instituto de Pesquisas Ambientais atuou nas ações posteriores aos deslizamentos, com apoio técnico à Defesa Civil, análise de risco residual e levantamento de áreas afetadas.

Entre as medidas citadas pelo governo paulista está a classificação de moradias atingidas, usada para orientar interdições, monitoramento e remoções preventivas quando necessário.

Na área educacional, o trabalho incluiu planos de contingência, treinamentos e ações de orientação em escolas.

A estratégia, segundo as instituições envolvidas, busca ampliar a capacidade de resposta da população local em comunidades expostas a chuvas intensas, escorregamentos e outros eventos associados ao clima.

Das cicatrizes à floresta: restauração alcança 80% de cobertura de vegetação nativa (Imagem: Reprodução/ICC)
Das cicatrizes à floresta: restauração alcança 80% de cobertura de vegetação nativa (Imagem: Reprodução/ICC)

Monitoramento acompanha resultado da semeadura por drones

O projeto combina uma tecnologia recente com processos naturais de regeneração.

As sementes seguem a dinâmica da restauração florestal, mas são lançadas por equipamentos aéreos, protegidas por material biodegradável e acompanhadas por equipes técnicas durante a fase posterior à semeadura.

Essa combinação permite testar, em escala, técnicas de restauração em áreas onde o relevo dificulta o acesso humano.

Também ajuda a reunir informações sobre o desempenho de sementes nativas em encostas tropicais, úmidas e sujeitas a chuvas de grande volume.

Na Serra do Mar, a recomposição da Mata Atlântica não depende apenas da dispersão de sementes.

O resultado exige acompanhamento contínuo, controle de erosão, participação comunitária e ajustes técnicos de acordo com a resposta observada em campo.

Os dados coletados durante o monitoramento devem orientar novas etapas do projeto e indicar quais métodos apresentaram melhor desempenho nas áreas afetadas.

Para especialistas em restauração, esse tipo de acompanhamento é necessário porque a recuperação de uma encosta envolve tanto a volta da vegetação quanto a estabilidade do solo ao longo do tempo.

Com drones capazes de levar milhões de sementes a áreas onde o acesso humano é limitado, a tecnologia passa a integrar iniciativas de recuperação de áreas degradadas e de preparação de municípios para eventos climáticos extremos.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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