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China transforma montanhas a 4.300 metros de altitude em fonte de energia para mais de 2 milhões de lares por dia, ao construir uma das hidrelétricas mais impressionantes do mundo

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/02/2026 às 13:22
Atualizado em 21/02/2026 às 15:53
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China ergue uma megausina a 4.300 metros de altitude em Sichuan, instala 2,1 GW com seis turbinas reversíveis, transforma água em “bateria gigante” e desafia frio, ar rarefeito e logística extrema para estabilizar a rede elétrica nas montanhas

A China voltou a desafiar os limites da engenharia mundial com uma obra que parece saída de um filme futurista. Em plena província de Sichuan, no sudoeste do país, está em construção uma megausina hidrelétrica de bombeamento reversível a cerca de 4.300 metros acima do nível do mar — um projeto que já é considerado um dos mais ousados do planeta.

A altitude impressiona. Estamos falando de uma estrutura erguida praticamente no “teto do mundo”, em uma região montanhosa onde o ar é rarefeito e as condições climáticas são extremas. Mas o que realmente chama atenção não é apenas onde ela está localizada — e sim o que ela é capaz de fazer.

Uma potência colossal de 2,1 milhões de kW

O projeto, conhecido como Usina de Bombeamento de Daofu, terá capacidade instalada de 2,1 milhões de quilowatts (2,1 GW). Para se ter ideia da dimensão, isso coloca a planta entre as maiores centrais de bombeamento em operação ou construção no mundo.

A estrutura contará com seis unidades motor-geradoras reversíveis de 350 mil kW cada, formando um verdadeiro coração energético capaz de armazenar e liberar eletricidade conforme a demanda da rede.

Segundo informações divulgadas pela Xinhua News Agency, a usina está sendo desenvolvida como parte de uma estratégia nacional para fortalecer a infraestrutura de armazenamento energético e aumentar a estabilidade da rede elétrica chinesa.

Não é apenas “deixar a água cair”: é uma bateria gigante

Muitos títulos sensacionalistas falam em “lançar água de uma altura equivalente à metade do Everest”. A comparação ajuda a dimensionar a altitude do local, mas o funcionamento é ainda mais interessante.

Trata-se de uma usina hidrelétrica de bombeamento reversível, tecnologia considerada uma das formas mais eficientes de armazenamento de energia em larga escala no mundo.

O sistema funciona assim:

  • Quando há excesso de eletricidade — principalmente proveniente de energia solar e eólica — a usina utiliza essa energia para bombear água para um reservatório superior.
  • Quando o consumo aumenta, a água armazenada é liberada para o reservatório inferior, passando por turbinas e gerando eletricidade imediatamente.

Na prática, é como se fosse uma bateria gigante feita de água e montanhas.

O desnível operacional entre os reservatórios pode chegar a aproximadamente 760 metros, um número impressionante do ponto de vista da engenharia hidrelétrica.

Capacidade de armazenamento impressionante

Os números divulgados sobre o projeto reforçam seu impacto:

  • Capacidade de armazenamento diário estimada em 12,6 milhões de kWh (12,6 GWh).
  • Geração anual prevista de cerca de 2,994 bilhões de kWh (quase 3 TWh).

Esses volumes são frequentemente comparados ao consumo diário de aproximadamente dois milhões de residências, o que ajuda a ilustrar a dimensão do empreendimento.

Engenharia em condições extremas

Construir uma usina desse porte já é complexo em qualquer lugar do mundo. Agora imagine fazê-lo a mais de 4.000 metros de altitude.

De acordo com o jornal Global Times, os desafios técnicos são significativos:

  • O ar rarefeito dificulta operações e exige cuidados especiais com trabalhadores e equipamentos.
  • As temperaturas mais baixas impactam o funcionamento de sistemas elétricos e hidráulicos.
  • A escavação de túneis e reservatórios em áreas montanhosas exige tecnologia avançada e planejamento minucioso.

Especialistas destacam que a construção em alta altitude exige adaptações estruturais específicas para garantir estabilidade, eficiência e segurança operacional a longo prazo.

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Parte de um plano energético muito maior

A usina de Daofu não é um projeto isolado. Ela faz parte de um amplo plano chinês de expansão da infraestrutura de armazenamento energético.

A China já é líder mundial em capacidade instalada de energia hidrelétrica e também vem ampliando rapidamente sua capacidade de geração solar e eólica. O desafio agora não é apenas produzir energia, mas armazená-la de forma eficiente para quando o sistema precisar.

Centrais de bombeamento reversível são consideradas peças-chave nesse quebra-cabeça energético, pois permitem equilibrar oscilações na oferta e na demanda.

Investimento bilionário

O investimento estimado no projeto gira em torno de 15,1 bilhões de yuans, o equivalente a aproximadamente 2,1 bilhões de dólares. O valor reforça o peso estratégico que o governo chinês atribui à segurança e à estabilidade energética.

Além do impacto técnico, a obra também movimenta a economia regional, gera empregos e impulsiona o desenvolvimento de infraestrutura em áreas montanhosas de difícil acesso.

Um símbolo de poder energético

Mais do que uma usina, Daofu se tornou um símbolo.

Símbolo de engenharia em condições extremas.
Símbolo de capacidade tecnológica.
Símbolo da corrida global por soluções de armazenamento energético em larga escala.

Enquanto muitos países ainda discutem como armazenar grandes volumes de energia renovável, a China está construindo uma das maiores “baterias naturais” do mundo — e fazendo isso nas alturas onde poucos ousariam tentar.

Se a energia é o motor do século XXI, essa megausina a 4.300 metros mostra que o futuro pode estar literalmente nas montanhas.

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Victor Hugo
Victor Hugo
22/02/2026 17:32

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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