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China transforma montanha no Tibete em uma gigantesca bateria natural com mega usina hidrelétrica de 2.100 MW, integrando energia solar, eólica e hídrica para armazenar excedentes e evitar desperdícios em larga escala

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 17/03/2026 às 20:25
Assista o vídeoUsina hidrelétrica de bombeamento em alta altitude no Tibete com dois reservatórios, barragem, turbinas, painéis solares e turbinas eólicas integradas em cenário montanhoso
Vista aérea de uma usina hidrelétrica de bombeamento no Tibete mostra reservatórios em diferentes níveis, integrando energia solar, eólica e hídrica para armazenamento em larga escala. Imagem: IA
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Projeto no planalto tibetano integra fontes limpas e pode abastecer até dois milhões de residências diariamente

Uma nova infraestrutura energética de grande impacto estratégico está sendo desenvolvida na China, ao mesmo tempo em que reforça a busca por soluções eficientes de armazenamento.

A usina hidrelétrica de bombeamento de Daofu, localizada na Prefeitura Autônoma Tibetana de Garze, na província de Sichuan, começou a ser construída há cerca de dois anos, conforme informações divulgadas pela agência estatal Xinhua.

O projeto terá capacidade instalada de 2.100 MW e poderá armazenar até 12,6 GWh de energia por dia, o que, por sua vez, equivale ao consumo diário de aproximadamente dois milhões de residências.

Nesse contexto, a iniciativa surge como resposta direta ao desafio de armazenar o excedente gerado por fontes renováveis, especialmente em períodos de alta produção solar e eólica.

Mega usina hidrelétrica no Tibete transforma montanha em uma gigantesca bateria natural, armazenando energia renovável em larga escala

Projeto amplia capacidade energética em região estratégica

A usina está sendo desenvolvida pela Companhia de Desenvolvimento Hidrelétrico do Rio Yalong, estatal chinesa responsável por grandes empreendimentos.

Além disso, a estrutura inclui dois reservatórios, uma conduta forçada e subestações subterrânea e de superfície, que operam de forma integrada.

Quando concluída, a instalação será a usina de bombeamento em maior altitude do mundo, superando em cerca de 700 metros a usina do Lago Yamzho Yumco, também no Tibete.

Assim, o projeto amplia os limites técnicos da engenharia energética em ambientes extremos.

Integração com o sistema energético do rio Yalong

A usina de Daofu está integrada ao complexo energético do Rio Yalong, que atualmente reúne cerca de 21.000 MW de capacidade operacional entre energia hidrelétrica, solar e eólica.

Ao mesmo tempo, há planos de expansão para 78.000 MW até 2035, o que reforça a necessidade de soluções robustas de armazenamento.

Sem esse tipo de estrutura, parte significativa da energia produzida poderia ser desperdiçada ou causar instabilidade na rede elétrica.

Portanto, o projeto se consolida como elemento essencial para o equilíbrio entre geração e consumo.

Números destacam dimensão do empreendimento

Os dados técnicos evidenciam a escala do projeto:

  • A capacidade instalada será de 2.100 MW, distribuída em seis turbinas reversíveis de 350 MW.
  • O sistema permitirá armazenar 12,6 GWh por dia, atendendo milhões de residências.
  • A geração anual estimada é de cerca de 3 TWh, considerando ciclos de carga e descarga.
  • A diferença de altitude entre os reservatórios atinge 760,7 metros, fator essencial para a eficiência do sistema.
  • O investimento total é de 15,1 bilhões de yuans, aproximadamente R$ 11 bilhões.
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Desafios de construção em alta altitude

A obra ocorre a aproximadamente 4.300 metros acima do nível do mar, onde as condições ambientais são severas.

O ar rarefeito pode causar hipóxia, enquanto as temperaturas frequentemente ficam abaixo de zero.

Além disso, a localização remota dificulta a logística, especialmente no transporte de materiais pesados, como aço e concreto.

Segundo Yu Chuntao, diretor da PowerChina Chengdu Engineering Corporation, o projeto envolve desafios técnicos relevantes e soluções inovadoras.

Dessa forma, os avanços obtidos tendem a impulsionar a engenharia hidrelétrica de bombeamento no país.

Armazenamento ganha protagonismo na transição energética

O projeto de Daofu reflete uma estratégia mais ampla da China no setor energético.

O país encerrou 2024 com cerca de 58 GW de capacidade instalada em armazenamento por bombeamento, consolidando sua liderança global.

Além disso, há planos para superar 120 GW até 2030, ampliando ainda mais essa capacidade.

Embora as baterias avancem rapidamente, o armazenamento hidrelétrico continua sendo a solução mais eficiente para grandes volumes de energia.

Diante disso, iniciativas como a usina de Daofu indicam um caminho consistente para o futuro da energia renovável — mas outras nações conseguirão acompanhar esse nível de investimento e complexidade tecnológica?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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