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China revela computador quântico inédito com 2 núcleos e 200 qubits: nova arquitetura promete reduzir erros, aumentar estabilidade por até 100 segundos e acelerar a corrida global por máquinas quânticas mais poderosas e escaláveis

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 09/06/2026 às 17:51
Atualizado em 09/06/2026 às 17:53
Computador quântico Hanyuan-2 desenvolvido na China com arquitetura de dois núcleos e tecnologia de átomos neutros.
Novo computador quântico Hanyuan-2 utiliza arquitetura de núcleo duplo para aumentar estabilidade e eficiência dos cálculos.
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Enquanto gigantes da tecnologia apostam em arquiteturas tradicionais, uma empresa chinesa apresentou um sistema quântico que combina dois núcleos independentes em um único processador, prometendo avanços significativos em estabilidade, correção de erros e expansão da computação quântica

China revela computador quântico inédito com 2 núcleos e 200 qubits: nova arquitetura promete reduzir erros, aumentar estabilidade por até 100 segundos e acelerar a corrida global por máquinas quânticas mais poderosas e escaláveis

A corrida global pela supremacia quântica ganhou um novo capítulo. A China anunciou o desenvolvimento de um computador quântico considerado inédito por seus criadores, graças a uma arquitetura de “núcleo duplo” projetada para superar alguns dos maiores desafios enfrentados pela computação quântica moderna.

Segundo informações divulgadas em maio pela ST Daily, veículo estatal chinês especializado em ciência e tecnologia, a empresa CAS Cold Atom Technology apresentou oficialmente o sistema denominado Hanyuan-2. A companhia, sediada na cidade de Wuhan, publicou detalhes técnicos do projeto em seu site oficial e afirma que a nova máquina representa um passo importante rumo à construção de computadores quânticos mais estáveis, eficientes e escaláveis.

O anúncio chama atenção em um momento em que países como Estados Unidos, China e membros da União Europeia intensificam investimentos bilionários em tecnologias quânticas, consideradas estratégicas para áreas como inteligência artificial, segurança cibernética, desenvolvimento de medicamentos e modelagem científica avançada.

O que torna o Hanyuan-2 diferente dos demais computadores quânticos?

Computador quântico Hanyuan-2 desenvolvido na China com arquitetura de dois núcleos e tecnologia de átomos neutros.
Novo computador quântico Hanyuan-2 utiliza arquitetura de núcleo duplo para aumentar estabilidade e eficiência dos cálculos. (Crédito da imagem: reprodução da conta oficial do Science and Technology Daily no WeChat.)

O principal diferencial do Hanyuan-2 está em sua arquitetura de núcleo duplo. Em vez de operar com um único conjunto de qubits, o sistema utiliza dois arranjos independentes de átomos neutros trabalhando em conjunto dentro do mesmo processador.

De acordo com a reportagem publicada pela ST Daily, a tecnologia é baseada em matrizes de átomos neutros controladas de forma independente. O equipamento reúne um total de 200 qubits formados por átomos de rubídio, sendo 100 átomos de rubídio-87 e outros 100 de rubídio-85.

Gui-Guo Ge, especialista sênior em soluções da CAS Cold Atom Technology, explicou que cada núcleo funciona como um arranjo completo e independente. Isso permite que ambos operem simultaneamente para aumentar a capacidade de processamento ou atuem em uma configuração híbrida, na qual um núcleo principal trabalha em conjunto com um núcleo auxiliar.

Segundo a empresa, essa abordagem foi criada para enfrentar gargalos históricos dos sistemas de núcleo único, incluindo limitações de expansão e interferências entre qubits vizinhos.

Além disso, a estrutura foi projetada para facilitar futuras ampliações da capacidade computacional sem exigir mudanças radicais na arquitetura central da máquina.

Como o sistema busca reduzir erros na computação quântica

A fragilidade dos qubits continua sendo um dos maiores obstáculos para o avanço da computação quântica.

Diferentemente dos bits tradicionais, que assumem apenas os valores 0 ou 1, os qubits podem existir em múltiplos estados simultaneamente graças ao fenômeno conhecido como superposição quântica. Embora essa característica seja extremamente poderosa, ela também torna os sistemas altamente sensíveis a perturbações externas.

Pequenas variações de temperatura, vibrações mecânicas ou interferências eletromagnéticas podem gerar ruídos capazes de comprometer cálculos complexos.

Nesse contexto, a arquitetura dual-core do Hanyuan-2 busca minimizar esses problemas. Segundo os desenvolvedores, os dois núcleos podem cooperar na identificação e correção de erros, além de dividir tarefas computacionais para aumentar a confiabilidade das operações.

A proposta também pode representar um avanço importante na chamada supressão de ruído abaixo do limite crítico, considerada uma das metas mais importantes para tornar os computadores quânticos realmente úteis em aplicações práticas.

Átomos neutros eliminam necessidade de resfriamento extremo

Outro aspecto que diferencia o Hanyuan-2 é a utilização de qubits baseados em átomos neutros.

Atualmente, muitos dos computadores quânticos mais conhecidos do mundo, incluindo sistemas desenvolvidos pela IBM e pelo Google, utilizam qubits supercondutores que dependem de enormes refrigeradores criogênicos capazes de operar em temperaturas próximas do zero absoluto.

Já os átomos neutros oferecem vantagens relevantes.

Por serem eletricamente neutros, eles interagem menos com o ambiente externo, o que reduz os efeitos da decoerência quântica — fenômeno que ocorre quando os estados quânticos perdem estabilidade e comprometem os resultados dos cálculos.

Na prática, isso significa a possibilidade de preservar informações quânticas por períodos mais longos, aumentando o tempo de coerência e potencialmente reduzindo taxas de erro.

Além disso, essa tecnologia exige menos energia para operar, tornando futuras aplicações comerciais mais viáveis.

Os dados divulgados pela empresa indicam que o Hanyuan-2 conta com mais de 500 matrizes de pinças ópticas (optical tweezers arrays) e apresenta uma vida útil dos qubits de até 100 segundos.

Outro detalhe que chamou atenção dos especialistas é o consumo energético inferior a 7 quilowatts. O equipamento utiliza um design padrão montado em rack e requer apenas um sistema compacto de resfriamento a laser.

Na prática, isso significa que a máquina pode funcionar em ambientes convencionais, sem a necessidade de instalações criogênicas altamente especializadas.

Especialistas apontam dúvidas sobre o verdadeiro alcance da inovação

Apesar do entusiasmo gerado pelo anúncio, especialistas observam que ainda existem lacunas importantes nas informações divulgadas.

Uma das principais questões envolve a capacidade de entrelaçamento quântico entre os dois núcleos independentes. Até o momento, não ficou claro se os qubits presentes nos arranjos de rubídio-87 e rubídio-85 conseguem operar de forma totalmente integrada ou se funcionam como sistemas separados.

A diferença é significativa.

Caso os dois conjuntos operem de forma independente, o desempenho final pode ser diferente daquele esperado em um processador quântico unificado com 200 qubits plenamente conectados.

Outro ponto que permanece sem resposta é a ausência de benchmarks detalhados.

A empresa não divulgou métricas fundamentais como taxas de erro, níveis de fidelidade operacional ou tempos completos de coerência, parâmetros frequentemente utilizados para comparar computadores quânticos desenvolvidos por laboratórios dos Estados Unidos e da Europa.

O próprio dado referente à vida útil dos qubits de 100 segundos é considerado incomum para os padrões atuais da indústria, embora existam raras exceções registradas em pesquisas avançadas.

Dessa forma, especialistas afirmam que ainda é cedo para determinar o impacto real do Hanyuan-2 no cenário global da computação quântica.

Mesmo assim, o anúncio representa um avanço potencialmente relevante e inaugura uma abordagem inédita que poderá influenciar futuros projetos de hardware quântico em diferentes partes do mundo.

Se os resultados prometidos forem confirmados por testes independentes, a arquitetura de núcleo duplo poderá se tornar uma alternativa importante para superar um dos maiores desafios da computação quântica: construir sistemas maiores, mais estáveis e capazes de executar cálculos complexos com níveis aceitáveis de erro.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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