Decisão sanitária chinesa encerra restrições, fortalece a pecuária brasileira e abre caminho para novas negociações comerciais com proteínas nacionais
Uma decisão aguardada pelo agronegócio brasileiro foi confirmada pelas autoridades chinesas e colocou o país em uma nova posição sanitária diante do maior mercado asiático. A China reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, conforme comunicado conjunto da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Mara). O documento, datado de 29 de maio de 2026, suspende a proibição relacionada à febre aftosa no norte do Brasil e reconhece todo o território nacional como livre da doença. O governo brasileiro foi informado na madrugada de 2 de junho de 2026, segundo o Broadcast Agro, serviço de notícias do Grupo Estado.
Reconhecimento chinês encerra restrição sanitária
A medida representa um avanço relevante para o comércio de proteínas brasileiras, pois remove uma barreira sanitária que limitava parte das negociações com a China. O reconhecimento também reforça a credibilidade do sistema de defesa agropecuária brasileiro, especialmente porque o país buscava essa validação desde que recebeu, em junho de 2025, o status de território livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A partir desse novo cenário, o Brasil ganha melhores condições para negociar produtos que dependem desse reconhecimento sanitário.
Missão brasileira reforçou pedido em maio
A demanda brasileira foi reforçada durante missão recente do ministro da Agricultura, André de Paula, à China, em maio de 2026. O tema também integrava o conjunto de medidas compensatórias à salvaguarda de carne bovina pleiteadas pelo governo brasileiro. Com a confirmação chinesa, o país passa a ter mais força para avançar em tratativas bilaterais ligadas à suinocultura e à pecuária bovina. Esse movimento ganha peso porque a China mantém papel central nas exportações brasileiras de carnes.
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Novas negociações envolvem carne com osso e miúdos
O reconhecimento abre caminho para discussões sobre a entrada de miúdos suínos internos, como fígado e estômago, além de carne bovina com osso, miudezas bovinas e cálculo da vesícula biliar bovina, conhecido como pedra de fel. Esses produtos exigem o status de livre de febre aftosa sem vacinação para avançar no mercado chinês. A exportação de carne suína e de miúdos suínos externos, como pé e orelha, hoje restrita a Santa Catarina, poderá ser ampliada imediatamente para outros estados, mediante pedido de frigoríficos já habilitados ao comércio exterior.
Cadeia exportadora deve sentir efeitos práticos
Fontes do setor afirmam que a exportação de couro wet blue para a China também deverá ser facilitada, sem exigência de certificados específicos. O protocolo de exportação de carne bovina firmado entre Brasil e China deve passar por revisão e atualização depois do anúncio. A medida se soma ao reconhecimento chinês do Brasil como país de risco negligenciável para encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida como mal da vaca louca, comunicado pelas autoridades sanitárias chinesas ao governo brasileiro e antecipado pelo Broadcast Agro em fevereiro de 2026.
Brasil ganha fôlego no mercado chinês
Com os dois reconhecimentos sanitários, o Brasil amplia sua capacidade de negociação para carne com osso, miúdos suínos e bovinos e cálculo da vesícula biliar bovina. A China já ocupa posição decisiva para o setor, pois foi o principal destino das carnes brasileiras em 2025. Segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas do comércio exterior do agronegócio brasileiro, os embarques somaram 2,057 milhões de toneladas naquele ano, com receitas de US$ 9,815 bilhões em vendas de carne suína, bovina e de frango. Até onde o Brasil poderá ampliar sua presença no maior mercado consumidor de proteínas da Ásia?

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