A suspensão da unidade da ArreBeef pela China, após a detecção de cloranfenicol em um contêiner de 22 toneladas de carne bovina argentina, mobilizou autoridades sanitárias e diplomáticas e elevou a preocupação com impactos sobre embarques, rastreabilidade e credibilidade do setor exportador
A China suspendeu as importações de carne bovina da unidade nº 2082 da ArreBeef, em Pérez Millán, distrito de Ramallo, na província de Buenos Aires, após detectar, em 19 de março de 2026, resíduos de cloranfenicol em um contêiner da empresa.
A medida atinge uma das principais exportadoras argentinas e ocorre em meio ao endurecimento dos controles chineses sobre a proteína importada.
O cloranfenicol é um antibiótico de amplo espectro proibido para uso em bovinos destinados ao consumo de carne desde 1995.
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Embora o caso envolva apenas um contêiner de 22 toneladas, a suspensão provocou preocupação em toda a cadeia produtiva argentina e mobilizou autoridades sanitárias, diplomáticas e agrícolas do país.
Suspensão ocorre em meio a controles mais rígidos
O novo bloqueio aplicado por Pequim foi registrado em um contexto de fiscalização mais rigorosa sobre a carne bovina importada pela China, principal destino das exportações argentinas do produto. Na semana anterior, o país asiático já havia suspendido as atividades do frigorífico uruguaio San Jacinto após detectar traços de fluazuron na carne bovina.
Segundo o jornal Clarín, a suspensão dos embarques da ArreBeef desencadeou uma investigação e a ativação de um protocolo de gestão. O trabalho é conduzido pelo SENASA, pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Secretaria da Agricultura.
Investigações tentam explicar origem do resíduo
Com base no sistema de rastreabilidade e controle implementado pelo SENASA, as investigações seguem em andamento e incluem o cruzamento de informações com as autoridades chinesas.
O objetivo é entender como traços de cloranfenicol foram encontrados na carga enviada pela ArreBeef.
De acordo com a reportagem do Clarín, as hipóteses técnicas iniciais apontam para a possibilidade de um falso positivo ou de um derivado de outra substância semelhante. Ao mesmo tempo, a defesa argentina tem se apoiado no sistema de rastreabilidade e controle sanitário como base para contestar o caso.
Uma apresentação formal foi enviada à China com informações sobre o programa nacional de monitoramento de resíduos de carne, apresentado como garantia de saúde e segurança.
Esse trabalho prosseguiu durante todo o feriado prolongado na Argentina, enquanto o governo aguarda mais detalhes da GACC sobre o lote afetado.
Diplomacia busca limitar os efeitos da restrição
Segundo a reportagem, a expectativa é estabelecer a rastreabilidade até a fazenda onde os animais foram criados, algo que o sistema argentino permite nesses casos. A intenção das autoridades é demonstrar que o incidente pode ser resolvido, inclusive com a possibilidade de uma viagem à China, como ocorreu em 2016 em um caso semelhante envolvendo a Ecocarnes.
Desde que a GACC decidiu impedir novos embarques da unidade da ArreBeef, os esforços diplomáticos passaram a se concentrar em dois objetivos. O primeiro é limitar o problema ao contêiner específico, sem afetar as cargas em trânsito despachadas antes de 19 de março; o segundo é obter a retirada da restrição o mais rápido possível.
Empresa mantém alternativa operacional
Apesar da suspensão da unidade de Pérez Millán, o impacto sobre as operações da ArreBeef, segundo o Clarín, não tende a ser grave. A empresa pode continuar operando a partir da CAIBER, antiga Finexcor, em Quilmes, para embarques destinados à China ou a outros mercados.

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