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China descobre mega reserva com 10,4 milhões de toneladas de terras raras e pode redefinir domínio global em tecnologia, energia limpa e indústria militar com 27,1 milhões de fluorita e 37,2 milhões de barita.

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 26/03/2026 às 16:52
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China amplia reservas de terras raras, fluorita e barita e reforça domínio global em tecnologia, energia limpa e indústria estratégica.
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Descoberta amplia reservas estratégicas chinesas e reforça influência global em cadeias industriais críticas ligadas à tecnologia, energia limpa e defesa, envolvendo minerais essenciais como terras raras, fluorita e barita, que sustentam setores industriais avançados e disputas geopolíticas crescentes.

A China anunciou, neste mês de março, a ampliação das reservas estratégicas identificadas na mina de Maoniuping, em Mianning, na província de Sichuan, num movimento que reforça o peso do país em cadeias industriais decisivas para tecnologia avançada, transição energética e defesa.

Os novos dados oficiais apontam a confirmação de 9,666 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, elevando o total comprovado da área para cerca de 10,4 milhões de toneladas, além de 27,135 milhões de toneladas de fluorita e 37,228 milhões de toneladas de barita.

Com esse volume, Maoniuping passa a figurar entre os maiores depósitos conhecidos de terras raras leves no mundo e consolida ainda mais a centralidade chinesa num segmento considerado sensível por governos e empresas.

A divulgação foi feita a partir de informações do Ministério de Recursos Naturais da China e reproduzida por veículos estatais e pela imprensa regional de Hong Kong, que destacaram o salto de mais de 300% nas reservas estimadas do projeto.

Descoberta em Sichuan amplia reservas de minerais estratégicos

A descoberta em Sichuan não se limita às terras raras, que concentram a maior parte da atenção internacional.

No mesmo distrito mineral, os levantamentos também identificaram depósitos classificados pelas autoridades chinesas como de grande porte para fluorita e barita, dois insumos menos conhecidos do público, mas amplamente usados em cadeias industriais de alto valor agregado e em atividades críticas para a indústria pesada.

Segundo Wang Denghong, diretor do Instituto de Recursos Minerais da Academia Chinesa de Ciências Geológicas, a presença combinada desses três grupos minerais no mesmo empreendimento amplia a relevância econômica e estratégica da área.

China amplia reservas de terras raras, fluorita e barita e reforça domínio global em tecnologia, energia limpa e indústria estratégica.
China amplia reservas de terras raras, fluorita e barita e reforça domínio global em tecnologia, energia limpa e indústria estratégica.

A avaliação oficial enfatiza que o resultado também funciona como vitrine para novos modelos de exploração em terrenos geologicamente complexos, num momento em que Pequim tenta elevar a segurança de abastecimento de insumos considerados essenciais.

Terras raras e seu papel na tecnologia e energia limpa

As terras raras são um conjunto de elementos amplamente empregados em ímãs permanentes, materiais fluorescentes, ligas metálicas e componentes de alto desempenho.

Na prática, elas entram em produtos como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e sistemas militares, o que ajuda a explicar por que a ampliação de reservas em Maoniuping repercute além do setor de mineração e alcança a política industrial e a segurança nacional de várias economias.

O peso chinês nesse mercado já era expressivo antes do anúncio.

De acordo com o U.S. Geological Survey, a China respondeu por cerca de 270 mil toneladas da produção global de terras raras em 2024, de um total estimado de 390 mil toneladas, e detinha 44 milhões de toneladas em reservas, o maior volume nacional informado pelo órgão.

Esse quadro ajuda a dimensionar por que cada novo depósito confirmado no país altera a leitura internacional sobre oferta, preço e dependência externa.

Além da mineração, a influência chinesa se estende à etapa de processamento, considerada ainda mais sensível por concentrar tecnologia, capacidade industrial e domínio comercial.

A Agência Internacional de Energia vem alertando que minerais como terras raras carregam risco geopolítico elevado porque a produção e o refino permanecem concentrados em poucos países, enquanto a capacidade de resposta a interrupções de oferta continua limitada diante do avanço da eletromobilidade e da expansão das energias renováveis.

Fluorita e barita ganham relevância industrial

A fluorita, também chamada de fluorspar em mercados internacionais, ganhou espaço nas discussões sobre minerais críticos porque é matéria-prima para o ácido fluorídrico e para compostos usados em semicondutores, baterias e uma série de processos químicos avançados.

Documentos ligados a projetos apoiados por Japão e Estados Unidos e publicações técnicas mostram que esse insumo está associado tanto à fabricação de chips quanto à cadeia das baterias de íon-lítio, sobretudo em eletrólitos e outros materiais fluorados.

Já a barita mantém uma função clássica, mas ainda decisiva, na indústria de petróleo e gás.

O principal uso global do mineral é como agente de peso em fluidos de perfuração, ajudando a controlar pressões em poços e a reduzir riscos operacionais durante a extração.

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Fontes técnicas indicam que essa aplicação segue dominante, o que dá à descoberta em Sichuan relevância também para segmentos menos associados, à primeira vista, ao debate sobre transição energética.

Impacto geopolítico dos minerais críticos

O anúncio ocorre num ambiente internacional em que minerais críticos deixaram de ser apenas uma questão de comércio exterior e passaram a integrar estratégias de segurança econômica.

Nos últimos anos, governos dos Estados Unidos, da Europa, do Japão e de outras economias industrializadas ampliaram iniciativas para diversificar fornecedores e reduzir dependências excessivas, sobretudo em itens que afetam setores como energia limpa, indústria automotiva, eletrônica e defesa.

Nesse contexto, a ampliação das reservas de Maoniuping tende a fortalecer a posição negociadora chinesa em cadeias produtivas já marcadas por alta concentração.

Embora uma descoberta mineral não se converta automaticamente em oferta imediata ao mercado internacional, o simples aumento de reservas comprovadas já pesa na percepção de risco dos importadores e reforça a capacidade de planejamento de longo prazo do país.

Essa leitura aparece com força em análises recentes publicadas após a divulgação oficial do achado.

O que muda para o mercado global de minerais

No curto prazo, a descoberta amplia o estoque geológico disponível num país que já lidera a oferta global e que segue central para a indústria de ímãs, baterias, eletrônicos e aplicações militares.

No médio e no longo prazo, o efeito mais relevante pode estar na sinalização dada ao mercado.

A China continua encontrando escala, diversidade mineral e capacidade institucional para sustentar sua vantagem num setor em que concorrentes tentam avançar, mas ainda enfrentam custos maiores, menor capacidade de refino e projetos que levam anos para sair do papel.

Em Maoniuping, a combinação de terras raras, fluorita e barita faz da jazida algo mais amplo do que um grande depósito isolado.

Ela reúne, no mesmo ativo mineral, insumos ligados à manufatura avançada, à infraestrutura energética, à indústria química e ao petróleo e gás, o que explica por que a descoberta foi tratada pelas autoridades chinesas como um reforço direto à segurança nacional de recursos e por que o anúncio repercutiu tão rapidamente fora da China.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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