Instalada no subsolo de uma universidade chinesa, uma centrífuga de hipergravidade amplia a capacidade de testes em engenharia, geotecnia e materiais, ao permitir a observação acelerada de fenômenos físicos extremos em ambiente controlado e de grande escala.
A Universidade de Zhejiang, no leste da China, colocou em fase de ativação uma centrífuga de hipergravidade instalada a 15 metros de profundidade, projetada para reproduzir em laboratório forças extremas e acelerar testes que, no mundo real, levariam décadas ou séculos.
Batizado de CHIEF1900, o equipamento integra um complexo financiado com 2 bilhões de yuans, o equivalente a cerca de US$ 285 milhões, e, de acordo com informações divulgadas pelos responsáveis pelo projeto, supera estruturas equivalentes operadas anteriormente pelo Exército dos Estados Unidos.
Segundo a descrição técnica apresentada pelos desenvolvedores, a referência a “1.900 vezes a gravidade” é usada para expressar a escala do sistema.
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O recorde associado ao equipamento, no entanto, está ligado à capacidade de 1.900 g·tonelada, uma unidade que combina aceleração gravitacional e massa aplicada nos experimentos.
Estrutura do CHIEF1900 e instalação subterrânea
O CHIEF1900 integra a Centrifugal Hypergravity and Interdisciplinary Experiment Facility (CHIEF), uma instalação projetada para operar abaixo do nível do solo.
A localização subterrânea, conforme explicam os engenheiros envolvidos, tem o objetivo de reduzir vibrações externas e garantir maior estabilidade durante testes em altas rotações.
A centrífuga foi construída por um consórcio industrial chinês e enviada ao campus da Universidade de Zhejiang em dezembro de 2025 para instalação, segundo informações divulgadas em comunicados institucionais e reportagens internacionais sobre o projeto.

Hipergravidade aplicada à engenharia e à ciência
De acordo com pesquisadores da área, as centrífugas de hipergravidade permitem simular, em escala reduzida, tensões e deformações equivalentes às observadas em estruturas reais.
O princípio é aplicar aceleração centrífuga elevada para reproduzir, em modelos menores, condições físicas que normalmente se manifestariam em grandes dimensões e ao longo de longos períodos.
Na engenharia civil, um dos exemplos citados pelos responsáveis pelo laboratório envolve barragens.
Ao submeter um modelo de poucos metros a um campo de 100g, os testes podem reproduzir níveis de estresse comparáveis aos de estruturas muito maiores, respeitando as relações físicas do sistema analisado.
A mesma metodologia, segundo os pesquisadores, possibilita observar em poucas horas fenômenos como instabilidades do solo, efeitos cumulativos de carga e vibração e a dispersão de contaminantes, processos que no ambiente natural ocorreriam ao longo de períodos prolongados.
Desafios técnicos em operações de gravidade extrema
Operar com cargas elevadas em condições de hipergravidade impõe desafios técnicos relacionados ao aquecimento, à pressão e à integridade dos componentes mecânicos.
Para lidar com esses fatores, os engenheiros do projeto descrevem o uso de sistemas baseados em vácuo, além de soluções específicas de resfriamento e ventilação, com o objetivo de reduzir a resistência do ar e controlar a temperatura durante a operação.
Além de aplicações em geotecnia e infraestrutura, os responsáveis pela instalação apontam usos em estudos de materiais e em experimentos com sistemas biológicos submetidos a campos gravitacionais fora do padrão terrestre.
A estrutura também é apresentada pelos gestores do projeto como aberta a pesquisadores externos, incluindo equipes internacionais, com a proposta de funcionar como uma infraestrutura compartilhada para experimentos de grande escala em física e engenharia.

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