Decisão judicial determina retorno de desenvolvedores após CEO utilizar ChatGPT para elaborar plano visando evitar pagamento de bônus de até US$ 250 milhões previsto em contrato ligado ao desempenho de Subnautica 2, expondo riscos jurídicos, reação negativa do público e impacto direto na disputa corporativa
Um juiz determinou a reintegração de um desenvolvedor de videogames demitido após um plano conduzido pelo CEO da Krafton, que utilizou ChatGPT para tentar evitar o pagamento de um bônus previsto em contrato relacionado ao lançamento de Subnautica 2.
A decisão judicial, divulgada na segunda-feira, detalha o caso envolvendo a desenvolvedora Unknown Worlds Entertainment, responsável pelo jogo Subnautica, lançado em 2018. A empresa foi adquirida pela Krafton em 2021 por US$ 500 milhões, com a previsão de um pagamento adicional de US$ 250 milhões condicionado ao desempenho comercial de Subnautica 2.
De acordo com os registros do processo, as projeções internas de vendas indicavam que o jogo teria desempenho suficiente para acionar o pagamento do bônus. Diante disso, o CEO da Krafton, Changhan Kim, buscou alternativas para evitar o cumprimento do contrato, recorrendo ao uso do ChatGPT para elaborar uma estratégia.
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Uso de ChatGPT para reestruturar contrato e controle da empresa
Segundo a decisão, o CEO consultou o chatbot para desenvolver um plano corporativo que permitisse assumir o controle da Unknown Worlds e afastar seus fundadores. O objetivo era alterar o cenário contratual antes do pagamento do bônus previsto no contrato.
O tribunal descreve que a relação entre as partes se deteriorou à medida que o lançamento de Subnautica 2 se aproximava.
O CEO avaliou que havia firmado um contrato desfavorável e decidiu explorar alternativas para evitar a obrigação financeira.
O plano envolveu a criação de uma força-tarefa interna chamada “Project X”, com a missão de negociar alterações no contrato ou executar uma tomada de controle da desenvolvedora. A estratégia incluía medidas legais, operacionais e de comunicação.
Alertas internos ignorados pelo CEO sobre riscos legais
Antes de avançar com o plano, membros da equipe interna alertaram o CEO sobre os riscos jurídicos da estratégia. Em mensagens internas registradas no processo, a diretora de desenvolvimento corporativo, Maria Park, indicou que a tentativa de evitar o pagamento poderia resultar em processos judiciais e danos à reputação.
Segundo os registros, Park destacou que o pagamento do bônus poderia ocorrer independentemente da demissão dos fundadores, caso as metas de vendas fossem atingidas. Ela também afirmou que os ganhos práticos da estratégia seriam limitados frente aos riscos envolvidos.
Apesar dos alertas, o CEO optou por seguir as recomendações obtidas via ChatGPT. O chatbot indicou que o cancelamento do pagamento seria difícil, o que levou o CEO a intensificar a busca por alternativas dentro do contrato.
Estratégia incluiu controle técnico, comunicação pública e retenção de equipe
O plano desenvolvido com auxílio do ChatGPT incluía ações como garantir controle sobre direitos de publicação e acesso aos sistemas de desenvolvimento do jogo. Também previa a criação de mecanismos para congelar o pagamento do bônus, mantendo margem para negociação.
Entre as orientações, estava a elaboração de materiais para defesa legal, registro de comunicações e busca por consultorias externas. A estratégia também contemplava a retenção de funcionários-chave e a substituição rápida em caso de saídas.
Outro ponto central era a comunicação pública. O CEO sugeriu a publicação de uma mensagem direcionada aos fãs do jogo com o objetivo de obter apoio e legitimar as ações da empresa. O conteúdo da mensagem também teria sido gerado com auxílio do ChatGPT.
Reação negativa do público e agravamento do conflito
De acordo com os documentos judiciais, a estratégia de comunicação não teve o efeito esperado. A mensagem publicada foi considerada incomum pelos fãs, que passaram a expressar preocupação com o futuro do jogo.
A situação se agravou após a demissão dos criadores originais de Subnautica, o que intensificou a reação negativa da comunidade. O episódio resultou em uma disputa judicial entre as partes envolvidas.
O tribunal aponta que a condução do processo pelo CEO contribuiu para o aumento do conflito e para a judicialização da disputa. A decisão destaca que o uso do ChatGPT foi central na formulação das ações adotadas.
Decisão judicial determina reintegração e expõe estratégia
Com base nas evidências apresentadas, o juiz determinou a reintegração dos desenvolvedores demitidos. A decisão também expôs os detalhes da estratégia conduzida pelo CEO, incluindo o uso do ChatGPT na elaboração do plano.
O caso segue em andamento, mas a decisão indica que a Krafton poderá enfrentar dificuldades para sustentar sua posição. A empresa informou que está avaliando suas opções em relação à decisão judicial.
Em declaração ao site Kotaku, a Krafton afirmou que mantém os jogadores como prioridade em suas decisões. No entanto, o processo judicial continua aberto, com desdobramentos ainda pendentes sobre o contrato e as obrigações financeiras envolvidas.
Com informações de 404media.
