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Centenas de milhares de salmões estão voltando ao rio Elwha após os EUA desmantelarem duas barragens sem passagem para peixes, erguidas em 1913 e 1927,que derrubaram a migração de “centenas de milhares” para apenas alguns milhares por ano; o projeto é controverso, parece último recurso e pode redesenhar a restauração de rios

Publicado em 05/01/2026 às 13:27
Peixes e salmões voltam ao rio Elwha após remoção de barragens, marco na restauração de rios dos EUA que reativa ecossistemas e migrações naturais.
Peixes e salmões voltam ao rio Elwha após remoção de barragens, marco na restauração de rios dos EUA que reativa ecossistemas e migrações naturais.
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Após quase um século de bloqueio, peixes e salmões voltam a subir o rio Elwha: duas barragens hidrelétricas, concluídas em 1913 e 1927, foram removidas. A migração caiu de mais de 400 mil para poucos milhares ao ano. O desmantelamento começou em 2011 e segue debatido por sedimentos e governança.

No início do século XX, duas barragens hidrelétricas erguidas em 1913 e 1927 no rio Elwha não trouxeram passagem para peixes e ajudaram a interromper um ciclo natural que sustentava o retorno de salmões em massa. Décadas depois, a decisão de desmantelar as estruturas, iniciada em 2011, passou a ser tratada como um teste real de restauração de rios.

O resultado mais visível agora é o avanço da migração: onde antes voltavam centenas de milhares de salmões por ano, o fluxo tinha caído para apenas alguns milhares no fim do século XX. Com a reabertura do corredor, trechos antes inacessíveis voltaram a ser usados, reacendendo um debate inevitável: até onde vale ir para devolver um rio ao seu fluxo natural.

O que as barragens mudaram para peixes e salmões

As duas barragens foram concebidas para fornecer eletricidade em uma era de industrialização, atendendo fábricas e uma cidade em crescimento.

O ponto crítico, porém, é que nenhuma delas incluía passagem para peixes, e a própria geografia de um cânion estreito e íngreme tornava a instalação de estruturas de transposição algo praticamente inviável com a tecnologia do início do século XX.

Mesmo depois, quando o estado de Washington aprovou leis exigindo escadas para peixes, as barragens permaneceram e receberam isenções.

Em poucos anos de operação, mais de 70 milhas de habitat a montante ficaram isoladas do ciclo do salmão, justamente onde estavam muitos dos locais naturais de desova.

De centenas de milhares para alguns milhares por ano

O material descreve o rio Elwha como um dos ecossistemas de salmão mais robustos da costa oeste dos EUA antes das barragens.

A cada ano, mais de 400 mil salmões do Pacífico migravam rio acima para desovar, incluindo espécies citadas como Chinuk, coo, sakkeye, rosa e chum.

Depois do bloqueio, essa dinâmica desabou: as corridas que antes retornavam às centenas de milhares deixaram de chegar às áreas de reprodução, e o número de peixes caiu para apenas alguns mil por ano no fim do século XX.

O impacto não foi só “menos peixe”, foi a quebra de um motor ecológico inteiro.

A cascata ecológica quando os peixes somem

A queda do salmão não significou apenas menos alimento disponível.

Uma sequência de efeitos: nutrientes de origem marinha deixaram de ser transportados de volta para as florestas ribeirinhas, o leito do rio foi ficando mais “simples”, sem grandes detritos lenhosos e sem a perturbação natural de sedimentos.

Insetos diminuíram, aves e predadores mamíferos ficaram mais raros, e um sistema antes sincronizado com o ritmo do salmão passou a se afastar do próprio equilíbrio.

Essa relação aparece com ainda mais detalhe quando o material explica que carcaças de salmões após a desova devolviam nitrogênio e fósforo do oceano para o rio e as florestas ao redor.

Há referência a estudos indicando que, em rios como o Elwha, até 20% a 25% do nitrogênio encontrado na vegetação ribeirinha podia ter origem no salmão.

Por que a remoção virou “último recurso” e também controvérsia

No século XX, os Estados Unidos construíram mais de 90 mil barragens, e que, no Elwha, por muito tempo a restauração foi tratada como causa perdida.

A virada veio quando os benefícios das barragens passaram a parecer menores do que o que elas retiraram do rio, levando à pergunta central: remover ou preservar.

A remoção completa é descrita como uma decisão rara e, por isso, controversa: ela troca a previsibilidade de uma estrutura por um processo longo de reequilíbrio natural, com custos ecológicos de curto prazo e disputas sobre como gerir a nova fase do rio.

O que aconteceu depois que o desmantelamento começou em 2011

Poucos anos após o desmantelamento, ocorreu algo considerado extraordinário: o salmão começou a reaparecer em trechos do rio onde esteve ausente por gerações.

A volta dos peixes não foi instantânea, mas foi rápida o suficiente para surpreender.

A recuperação também é descrita como algo que “transborda” o leito do rio. O material afirma que mamíferos como lontras de rio e ursos-negros passaram a aparecer com mais frequência ao longo das margens, aproveitando o abastecimento sazonal ligado ao salmão, e que cientistas detectaram nitrogênio derivado do salmão reaparecendo em árvores ribeirinhas, sinal de reconexão entre rio e floresta.

Os desafios: sedimento, turbidez e gestão de peixes

A restauração, porém, não é retratada como “final feliz automático”. Com o retorno do salmão em grande número, o ecossistema precisou se ajustar a aumentos bruscos de nutrientes após cada época de desova.

Em alguns trechos, isso estimulou forte crescimento de algas e microrganismos, reduzindo sazonalmente o oxigênio dissolvido.

Ao mesmo tempo, a remoção liberou grandes quantidades de sedimentos retidos por muito tempo, deixando o rio mais turvo nos primeiros anos e remodelando a foz.

E, além dos processos naturais, surgiram preocupações de gestão: pescadores temendo migrações mais dispersas e gestores pesando o equilíbrio entre conservar salmão selvagem e manter o papel de programas de incubatórios.

O que este caso pode significar para a restauração de rios

O caso do Elwha aparece no material como um exemplo de que a restauração não é um destino, e sim um processo complexo, que não devolve um ecossistema a um “estado idealizado” de imediato.

A mensagem é direta: libertar um rio depois de décadas de controle exige tempo para reajuste e para encontrar um novo equilíbrio.

E é aí que o tema vira discussão pública: remover barragens sem passagem para peixes mexe em energia, economia local, paisagem, pesca, turismo, biodiversidade e no modo como uma sociedade decide o que priorizar quando infraestrutura e natureza entram em choque.

Você é a favor de remover barragens sem passagem para peixes para acelerar a volta de salmões e recuperar rios, mesmo com turbidez, sedimentos e anos de adaptação pela frente?

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MALU
MALU
13/01/2026 11:17

A FAVOR DA REMOÇÃO DE BARRAGENS.
CONSTRUAM BARRAGENS ONDE NÃO SEJA O CAMINHO DOS SALMOES.

Viveka O.
Viveka O.
08/01/2026 12:26

Todo está perfectamente diseñado. El humano es el que trastorna todo el equilibrio. Ahora que dejaron las cosas como eran antes, dejen que la naturaleza sola se regenere y poco tiempo esa región volverá a ser lo que alguna vez fue…solo no intervengan más!

Edson Flavio Izycki
Edson Flavio Izycki
07/01/2026 22:02

Nos dias de hoje que se preza tanto a natureza, fica difícil entender a discussão se deve manter algo que foi evidentemente prejudicial a natureza com os peixes. Parece haver um confronto com ações mesmo que estas visem restaurar um ambiente natural.

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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