Após quase um século de bloqueio, peixes e salmões voltam a subir o rio Elwha: duas barragens hidrelétricas, concluídas em 1913 e 1927, foram removidas. A migração caiu de mais de 400 mil para poucos milhares ao ano. O desmantelamento começou em 2011 e segue debatido por sedimentos e governança.
No início do século XX, duas barragens hidrelétricas erguidas em 1913 e 1927 no rio Elwha não trouxeram passagem para peixes e ajudaram a interromper um ciclo natural que sustentava o retorno de salmões em massa. Décadas depois, a decisão de desmantelar as estruturas, iniciada em 2011, passou a ser tratada como um teste real de restauração de rios.
O resultado mais visível agora é o avanço da migração: onde antes voltavam centenas de milhares de salmões por ano, o fluxo tinha caído para apenas alguns milhares no fim do século XX. Com a reabertura do corredor, trechos antes inacessíveis voltaram a ser usados, reacendendo um debate inevitável: até onde vale ir para devolver um rio ao seu fluxo natural.
O que as barragens mudaram para peixes e salmões
As duas barragens foram concebidas para fornecer eletricidade em uma era de industrialização, atendendo fábricas e uma cidade em crescimento.
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O ponto crítico, porém, é que nenhuma delas incluía passagem para peixes, e a própria geografia de um cânion estreito e íngreme tornava a instalação de estruturas de transposição algo praticamente inviável com a tecnologia do início do século XX.
Mesmo depois, quando o estado de Washington aprovou leis exigindo escadas para peixes, as barragens permaneceram e receberam isenções.
Em poucos anos de operação, mais de 70 milhas de habitat a montante ficaram isoladas do ciclo do salmão, justamente onde estavam muitos dos locais naturais de desova.
De centenas de milhares para alguns milhares por ano
O material descreve o rio Elwha como um dos ecossistemas de salmão mais robustos da costa oeste dos EUA antes das barragens.
A cada ano, mais de 400 mil salmões do Pacífico migravam rio acima para desovar, incluindo espécies citadas como Chinuk, coo, sakkeye, rosa e chum.
Depois do bloqueio, essa dinâmica desabou: as corridas que antes retornavam às centenas de milhares deixaram de chegar às áreas de reprodução, e o número de peixes caiu para apenas alguns mil por ano no fim do século XX.
O impacto não foi só “menos peixe”, foi a quebra de um motor ecológico inteiro.
A cascata ecológica quando os peixes somem
A queda do salmão não significou apenas menos alimento disponível.
Uma sequência de efeitos: nutrientes de origem marinha deixaram de ser transportados de volta para as florestas ribeirinhas, o leito do rio foi ficando mais “simples”, sem grandes detritos lenhosos e sem a perturbação natural de sedimentos.
Insetos diminuíram, aves e predadores mamíferos ficaram mais raros, e um sistema antes sincronizado com o ritmo do salmão passou a se afastar do próprio equilíbrio.
Essa relação aparece com ainda mais detalhe quando o material explica que carcaças de salmões após a desova devolviam nitrogênio e fósforo do oceano para o rio e as florestas ao redor.
Há referência a estudos indicando que, em rios como o Elwha, até 20% a 25% do nitrogênio encontrado na vegetação ribeirinha podia ter origem no salmão.
Por que a remoção virou “último recurso” e também controvérsia
No século XX, os Estados Unidos construíram mais de 90 mil barragens, e que, no Elwha, por muito tempo a restauração foi tratada como causa perdida.
A virada veio quando os benefícios das barragens passaram a parecer menores do que o que elas retiraram do rio, levando à pergunta central: remover ou preservar.
A remoção completa é descrita como uma decisão rara e, por isso, controversa: ela troca a previsibilidade de uma estrutura por um processo longo de reequilíbrio natural, com custos ecológicos de curto prazo e disputas sobre como gerir a nova fase do rio.
O que aconteceu depois que o desmantelamento começou em 2011
Poucos anos após o desmantelamento, ocorreu algo considerado extraordinário: o salmão começou a reaparecer em trechos do rio onde esteve ausente por gerações.
A volta dos peixes não foi instantânea, mas foi rápida o suficiente para surpreender.
A recuperação também é descrita como algo que “transborda” o leito do rio. O material afirma que mamíferos como lontras de rio e ursos-negros passaram a aparecer com mais frequência ao longo das margens, aproveitando o abastecimento sazonal ligado ao salmão, e que cientistas detectaram nitrogênio derivado do salmão reaparecendo em árvores ribeirinhas, sinal de reconexão entre rio e floresta.
Os desafios: sedimento, turbidez e gestão de peixes
A restauração, porém, não é retratada como “final feliz automático”. Com o retorno do salmão em grande número, o ecossistema precisou se ajustar a aumentos bruscos de nutrientes após cada época de desova.
Em alguns trechos, isso estimulou forte crescimento de algas e microrganismos, reduzindo sazonalmente o oxigênio dissolvido.
Ao mesmo tempo, a remoção liberou grandes quantidades de sedimentos retidos por muito tempo, deixando o rio mais turvo nos primeiros anos e remodelando a foz.
E, além dos processos naturais, surgiram preocupações de gestão: pescadores temendo migrações mais dispersas e gestores pesando o equilíbrio entre conservar salmão selvagem e manter o papel de programas de incubatórios.
O que este caso pode significar para a restauração de rios
O caso do Elwha aparece no material como um exemplo de que a restauração não é um destino, e sim um processo complexo, que não devolve um ecossistema a um “estado idealizado” de imediato.
A mensagem é direta: libertar um rio depois de décadas de controle exige tempo para reajuste e para encontrar um novo equilíbrio.
E é aí que o tema vira discussão pública: remover barragens sem passagem para peixes mexe em energia, economia local, paisagem, pesca, turismo, biodiversidade e no modo como uma sociedade decide o que priorizar quando infraestrutura e natureza entram em choque.
Você é a favor de remover barragens sem passagem para peixes para acelerar a volta de salmões e recuperar rios, mesmo com turbidez, sedimentos e anos de adaptação pela frente?

A FAVOR DA REMOÇÃO DE BARRAGENS.
CONSTRUAM BARRAGENS ONDE NÃO SEJA O CAMINHO DOS SALMOES.
Todo está perfectamente diseñado. El humano es el que trastorna todo el equilibrio. Ahora que dejaron las cosas como eran antes, dejen que la naturaleza sola se regenere y poco tiempo esa región volverá a ser lo que alguna vez fue…solo no intervengan más!
Nos dias de hoje que se preza tanto a natureza, fica difícil entender a discussão se deve manter algo que foi evidentemente prejudicial a natureza com os peixes. Parece haver um confronto com ações mesmo que estas visem restaurar um ambiente natural.