Cemitério de viaturas em La Plata acumula veículos da polícia com apenas três anos de uso, enquanto denúncias de superfaturamento e má gestão ganham destaque.
Mais de 4.000 viaturas da Polícia Bonaerense estão amontoados em um cemitério de viaturas de Tolosa, La Plata. Comprados por valores questionáveis e com vida útil média de três anos, os veículos viram sucata após colisões, falhas mecânicas ou burocracia. Denúncias apontam gastos acima do mercado e falta de manutenção.
Cemitério de viaturas
Localizado a 15 minutos do centro de La Plata, o cemitério de viaturas ocupa 10 hectares ao lado das vias do Ferrocarril Roca. Pilhas de até 25 metros de altura reúnem carros, picapes e utilitários plotados com o logo da Bonaerense. Segundo o jornalista Fabián Debesa, do Clarín, os veículos chegam ao local após serem declarados inutilizáveis.
Vida útil de 3 anos

As viaturas têm vida útil média de 36 meses. No Conurbano, duram apenas 12. Cada veículo roda entre 10 mil e 14 mil km por mês – equivalente ao uso anual de um carro comum. “O desgaste é inevitável”, explicou um funcionário do Ministério de Segurança à reportagem. Falta de peças e demora nos reparos agravam o problema: em 2024, uma seção de Florencio Varela esperou três meses por baterias.
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Carros comprados a mais do dobro do preço
Entre 2019 e 2023, a gestão Kicillof comprou 5.030 veículos. Em 2023, 12 Fiat Cronos foram adquiridos por US$ 56,4 milhões cada – mais que o dobro do valor de mercado, segundo denúncia do deputado Luciano Bugallo (CC). O caso está sob investigação, mas avança lentamente.
As viaturas não passam por Verificação Técnica Veicular (VTV) nem têm autopeças gravadas, medida antirroubo obrigatória na província. “90% não passariam na inspeção”, disse um ex-funcionário. A burocracia também atrasa a baixa definitiva: 2.200 veículos estão parados à espera de processos judiciais ou vistoria.
Fonte: Fabián Debesa, Clarín (https://www.clarin.com/).
