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Cerca de 500 trabalhadores da mina da Cedro em Mariana (MG) saem de férias coletivas em 9 de novembro porque o frete do navio encareceu, dois meses depois de a mineradora ganhar a licença para a expansão de R$ 3,5 bilhões

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/11/2026 às 13:20 Atualizado em 08/11/2026 às 13:28
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A Cedro Mineração vai suspender a produção de minério de ferro da mina de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, a partir de segunda-feira (9) e dar férias coletivas a cerca de 500 trabalhadores.

A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (5). Segundo a empresa, o motivo é o encarecimento do frete marítimo e a incerteza no comércio internacional, que pesam sobre quem exporta minério.

A parada chega dois meses depois de a mineradora receber as licenças ambientais para multiplicar a produção da mesma mina, num projeto de R$ 3,5 bilhões.

A unidade de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, continua funcionando normalmente, de acordo com a companhia.

Quem para e por quanto tempo.

As férias coletivas começam em 9 de novembro e valem por 15 dias, segundo o Diário do Comércio. O prazo pode ser prorrogado, segundo a empresa.

O jornal mineiro fala em prorrogação até completar 30 dias. Já o portal O Fator informa que as férias podem ser estendidas por mais 30 dias.

A medida atinge cerca de 500 trabalhadores da mina, contando funcionários diretos e indiretos, conforme a nota que a mineradora enviou ao Diário do Comércio.

A empresa não anunciou demissões. O que está suspenso, por enquanto, é a extração e o beneficiamento de minério de ferro no complexo de Mariana.

Vista aérea da entrada do complexo da Cedro Mineração em Mariana, com o nome Cedro Mariana escrito no gramado e um caminhão na estrada de terra
Entrada do complexo da Cedro em Mariana (MG), que para a partir do dia 9 (Divulgação/Cedro Mineração)

O motivo que a mineradora deu.

Na nota, a Cedro cita conflitos em rotas marítimas importantes, tensões comerciais entre grandes economias e o aumento dos custos de navegação internacional como fatores que apertaram o negócio.

“Nos últimos meses, conflitos em importantes rotas marítimas, tensões comerciais entre grandes economias e o aumento dos custos operacionais da navegação internacional têm pressionado os fretes”, diz o texto da empresa.

Segundo a mineradora, esse quadro também reduziu a previsibilidade para quem exporta commodities e tem levado companhias de vários setores a rever cronogramas de investimento.

O Fator registra outra frase do comunicado: o aumento dos custos logísticos globais “tem afetado a competitividade de empresas exportadoras”, como é o caso de quem vende minério de ferro para fora.

A parada também encaixa o calendário da obra.

A Cedro afirma que a suspensão permite alinhar o calendário de operação da mina ao cronograma de implantação da expansão, que ainda vai começar a sair do papel em Mariana.

Em setembro, a empresa obteve de uma vez as licenças prévia, de instalação e de operação do projeto de ampliação, segundo o Diário do Comércio.

Quando a licença saiu, o CPG mostrou que a Cedro previa R$ 3,5 bilhões para ampliar a mina de Mariana e mais de mil empregos diretos e indiretos.

O que a expansão promete para Mariana.

Pelo projeto, a capacidade de beneficiamento da unidade sobe de cerca de 2,5 milhões para 10 milhões de toneladas por ano de minério de ferro bruto, de acordo com o Diário do Comércio.

A produção anual pode chegar a 5,5 milhões de toneladas de pellet feed, o minério fino e concentrado usado como matéria-prima das pelotas que abastecem os altos-fornos das siderúrgicas.

A mineradora estima gerar mais de mil empregos, entre diretos e indiretos, quando a mina ampliada estiver na fase de operação. A empresa não informou, até agora, se o cronograma da obra mudou.

Planta de beneficiamento de minério de ferro da Cedro Mineração, com estruturas metálicas e correias transportadoras em meio a pilhas de minério e montanhas ao fundo
Instalação de beneficiamento da Cedro Mineração em Minas Gerais (Divulgação/Cedro Mineração, via Revista Minérios)

Nova Lima continua rodando.

A outra mina da Cedro, em Nova Lima, segue em operação normal. Segundo o Diário do Comércio, a unidade produz cerca de 4 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Para comparação, O Fator calcula a capacidade atual de Mariana em cerca de 3 milhões de toneladas por ano, número um pouco acima dos 2,5 milhões citados pelo outro jornal para o beneficiamento.

Ou seja, a parada desta segunda-feira tira do mercado a menor das duas operações da empresa, enquanto a de Nova Lima continua abastecendo os clientes.

Quantos empregos a mina sustenta.

Segundo informações do site da própria mineradora citadas pelo O Fator, a Cedro gera em Mariana cerca de mil empregos diretos e outros 1,5 mil postos indiretos.

Os indiretos estão em atividades como o transporte do minério por caminhões e serviços prestados à mina, o que espalha o efeito da parada por fornecedores da região.

Os números das duas fontes não batem: a nota da empresa fala em 500 atingidos pela parada, enquanto o site cita 2,5 mil postos ligados à unidade.

Outras mineradoras já tinham freado.

A Cedro não é a primeira. Pelo levantamento do Diário do Comércio, pelo menos cinco mineradoras de ferro reduziram atividades em Minas Gerais nos últimos meses, todas citando o mercado.

No início de setembro, a Usiminas paralisou sem previsão de volta uma das plantas em Itatiaiuçu. Segundo o sindicato dos trabalhadores, a medida causou 280 demissões diretas.

Dias depois, a Itaminas deu férias coletivas a 300 funcionários da unidade de Sarzedo, que voltaram ao trabalho em 28 de outubro, segundo o jornal.

No fim de setembro, a CSN Mineração reduziu temporariamente a produção de minério de baixa qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto, sem informar se houve impacto em empregos.

Mais cortes em outubro.

No começo de outubro, a Cabo Verde Mineração suspendeu sem previsão de retorno a produção entre Cabo Verde e Muzambinho, no Sul de Minas, com cerca de dez desligamentos.

Também em outubro, a JMN Mineração anunciou a suspensão da produção entre Piracema e Desterro de Entre Rios, na Região Central do estado, conforme o levantamento.

Em todos os casos, as empresas apontaram o cenário de mercado entre os motivos para frear a lavra ou fechar unidades no estado.

Até a Vale fala em produzir menos.

O sinal veio também da maior mineradora do país. Na sexta-feira (30), o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse que a empresa estuda reduzir em até 5 milhões de toneladas os volumes de minério de ferro em 2027.

A conta, segundo O Fator, considera tanto a produção própria quanto o minério que a Vale compra de terceiros, o que pode afetar mineradoras menores que vendem para ela.

Para as cidades mineradoras de Minas Gerais, menos minério saindo das cavas costuma significar menos caminhões nas estradas e menos serviço para os fornecedores locais.

O que acompanhar a partir do dia 9.

A pergunta que fica para Mariana é se a pausa termina em 15 dias, se será prorrogada ou se vira uma parada mais longa até a obra da expansão andar.

A Cedro disse que a medida é temporária e não falou em cortes. A próxima comunicação da empresa ao sindicato e aos trabalhadores deve dizer quando a lavra volta.

Até lá, cerca de 500 pessoas ficam em casa numa cidade que depende da mineração para boa parte dos empregos e da receita da prefeitura.

Você acha que a parada da Cedro em Mariana vai durar só 15 dias ou o frete caro vai segurar a mina por mais tempo? Conta pra gente nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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