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Caverna no Marrocos revela mandíbulas, dentes, vértebras e um fêmur de 773 mil anos que podem pertencer a humanos arcaicos próximos dos ancestrais do Homo sapiens e mudar o que se sabia sobre a origem da nossa linhagem na África

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 08/04/2026 às 11:28 Atualizado em 08/04/2026 às 11:33
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Imagem: Ilustração
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Fósseis de 773 mil anos achados em caverna de Casablanca revelam humanos arcaicos próximos das linhagens que antecederam o surgimento do Homo sapiens

Ossos e dentes fossilizados de 773.000 anos, encontrados em caverna marroquina, em Casablanca, aprofundam a compreensão sobre a origem do Homo sapiens na África ao revelar humanos arcaicos próximos das populações ancestrais da espécie humana.

Fósseis de Casablanca ampliam o quadro

Os restos mortais incluem mandíbulas inferiores de dois adultos e de uma criança, além de dentes, um fêmur e algumas vértebras.

Os pesquisadores consideram apropriado interpretar o conjunto como uma forma evoluída de Homo erectus.

Essa espécie humana arcaica surgiu há cerca de 1,9 milhão de anos na África e depois se espalhou pela Eurásia. Os fósseis descritos exibem uma combinação de traços primitivos e modernos.

Esse mosaico ajuda a preencher uma lacuna no registro fóssil dos hominíneos, entre cerca de um milhão e 600 mil anos atrás.

Para os pesquisadores, a descoberta reposiciona o período na história evolutiva do Homo sapiens.

Elo próximo das linhagens humanas

Os pesquisadores avaliam que os fósseis podem representar uma população africana existente pouco antes da separação evolutiva das linhagens que dariam origem ao Homo sapiens na África e aos neandertais e denisovanos na Eurásia.

Jean-Jacques Hublin afirmou que seria preciso cautela ao tratá-los como o último ancestral comum, mas disse que eles são próximos das populações das quais emergiram as linhagens africanas posteriores e as eurasiáticas.

Para Hublin, os fósseis mostram características primitivas e derivadas, coerentes com uma diferenciação evolutiva naquele período. Ao mesmo tempo, reforçam uma ancestralidade africana para a linhagem do Homo sapiens.

Os fósseis mais antigos conhecidos de Homo sapiens, com cerca de 315.000 anos, também foram encontrados em Marrocos, em Jebel Irhoud. A nova descoberta amplia esse quadro.

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Idade e preservação foram decisivas

A idade dos fósseis da Gruta dos Hominidés foi determinada com base na assinatura magnética dos sedimentos que os cercavam.

Esse dado foi essencial para avaliar como essa população se encaixa na árvore genealógica humana.

Hublin afirmou que estabelecer a idade foi essencial para a interpretação do material. Ao longo do tempo, os fósseis foram soterrados por sedimentos finos, enquanto a entrada da caverna foi selada por uma duna.

Esse processo permitiu a preservação dos restos mortais. Na mesma caverna, também foram encontrados centenas de artefatos de pedra e milhares de ossos de animais, ampliando o contexto em que esses fósseis foram analisados.

Semelhanças com fósseis da Espanha

Os fósseis humanos da Gruta dos Hominidés têm a mesma idade dos restos descobertos em Gran Dolina, perto de Atapuerca, na Espanha. Esse sítio representa a espécie humana arcaica chamada Homo antecessor.

Segundo Hublin, as semelhanças entre Gran Dolina e Grotte à Hominidés são intrigantes e podem refletir conexões intermitentes através do Estreito de Gibraltar. Ele afirmou que essa hipótese merece investigação.

Corpos parecidos com os nossos

Os hominídeos desse período tinham proporções corporais semelhantes às nossas, embora apresentassem cérebros menores.

A mandíbula da criança, que tinha cerca de um ano e meio, estava completa, enquanto uma mandíbula adulta estava quase completa.

A outra mandíbula adulta era incompleta. Uma delas era mais robusta que a outra, sugerindo que uma poderia pertencer a um homem e a outra a uma mulher. O maior dos fósseis localizados era o fêmur de um adulto.

Essas pessoas eram capazes de caçar, mas viviam em uma paisagem perigosa, com carnívoros à espreita. O fêmur apresenta marcas de mordida e dentes, indicando consumo por carnívoro, possivelmente uma hiena, naqule ambiente.

Hublin afirmou que apenas o fêmur traz evidências claras de modificação por carnívoros. Ainda assim, a ausência de marcas nas mandíbulas não siginifica que outras partes dos corpos não tenham sido consumidas por hienas ou outros carnívoros.

Com informações de Reuters.

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