Caso em São Paulo revelou uma casa tomada por recicláveis durante duas décadas, mobilizou voluntários e expôs desafios de saúde, moradia e assistência social enfrentados por uma idosa que transformava materiais descartados em fonte de renda.
A catadora de recicláveis Anita Antônia, de 73 anos, teve a casa em São Paulo esvaziada após duas décadas de acúmulo de materiais, em uma operação que mobilizou voluntários, Defesa Civil e a equipe do influenciador Guilherme Gomes.
Exibida pelo “Fantástico” no domingo, 31 de maio, a ação retirou cerca de 50 toneladas de resíduos do imóvel, volume distribuído em 29 carregamentos de caminhões ao longo do trabalho de limpeza.
Durante anos, vizinhos enxergaram a rotina de Anita como parte da atividade de uma catadora que varria calçadas, recolhia descartes e tentava transformar materiais recicláveis em renda para manter a família.
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Com o passar do tempo, no entanto, os moradores perceberam que os objetos deixaram de circular como mercadoria e começaram a ocupar de forma permanente os ambientes da residência.
Uma vizinha contou ao programa que, no início, a situação parecia comum para quem acompanhava o trabalho de Anita nas ruas do bairro e via a coleta como fonte de sustento.
“Ela pega, ela vende, ela transforma isso em dinheiro. A gente achou que era uma coisa normal. Mas, aos poucos, a gente foi percebendo que aquilo ali foi… Ela foi só somando, acumulando”, afirmou.
Casa tomada por recicláveis em São Paulo
Responsável por articular a limpeza, Guilherme Gomes é conhecido nas redes sociais por realizar faxinas gratuitas em imóveis de pessoas que enfrentam situações graves de acumulação.
Ao avaliar a extensão do problema dentro da casa, a equipe acionou a Defesa Civil para acompanhar a retirada dos resíduos e ajudar a reduzir riscos durante a operação.

Por seis dias, voluntários se revezaram para remover pilhas de materiais que tomavam os cômodos e dificultavam a circulação no imóvel onde Anita vivia com a família.
Ao fim da mobilização, os 29 caminhões cheios de resíduos dimensionaram o acúmulo mantido por cerca de 20 anos e revelaram a gravidade das condições de moradia.
Em entrevista ao “Fantástico”, Guilherme afirmou que praticamente não havia objetos em condições de preservação, já que muitos pertences estavam deteriorados pelo tempo e pela forma como ficaram comprimidos.
“A gente pegava nos objetos, roupas se desfaziam. Pelo tempo que isso estava, mais de 20 anos ali prensado”, disse o influenciador, ao explicar por que lembranças e pertences pessoais também estavam deteriorados.
Trajetória de Anita Antônia antes da limpeza
Nascida em Maringá, no Paraná, Anita se mudou para São Paulo, onde trabalhou como doméstica antes de passar a depender da coleta de recicláveis para complementar a renda.
Após constituir família, ela assumiu sozinha os cuidados com o filho, que precisa de atenção especial, depois de ter sido abandonada pelo marido, conforme relatou à reportagem.
Sem emprego formal e diante da necessidade de sustento, a catadora passou a recolher materiais nas ruas e a guardar parte do que encontrava dentro da própria residência.
Inicialmente ligada à sobrevivência, a atividade ganhou outro peso quando Anita começou a manter os recicláveis em casa por medo de perder aquilo que considerava resultado de seu trabalho.
Na percepção da catadora, nem tudo o que estava acumulado poderia ser classificado como lixo, já que parte dos materiais ainda poderia ter utilidade ou algum valor de venda.
“Às vezes as pessoas falam assim: ‘Ah, é lixo’. Mas não é. O lixo é aquele que não presta para nada”, afirmou Anita, ao explicar a percepção que tinha sobre materiais recicláveis e objetos descartados.
Entre renda, memória e insegurança, a relação de Anita com os resíduos passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina doméstica e no interior da casa.
Materiais como metais, papelão e garrafas PET podem ter valor na reciclagem, mas exigem triagem, armazenamento adequado e venda regular, etapas que se tornaram inviáveis conforme o volume cresceu.
Acumulação compulsiva e riscos à saúde
Segundo o psiquiatra Daniel Costa, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, a acumulação se torna um problema quando impede o uso dos cômodos e causa prejuízos concretos à vida da pessoa.
Além de comprometer a circulação e a higiene do ambiente, o quadro pode envolver sofrimento, isolamento, risco à segurança e dificuldade intensa de descartar objetos acumulados ao longo do tempo.
“Alguns objetos adquirem um valor sentimental para a pessoa. Então, portanto, se desfazer daquilo é muito sofrido. É o equivalente ali a se desfazer de algo que tem um valor material muito importante, por exemplo”, afirmou o pesquisador, ao comentar a ligação emocional que pode se formar com itens acumulados.
No imóvel de Anita, os resíduos avançaram pelos ambientes até comprometer funções básicas de moradia, tornando difícil diferenciar áreas de convivência, circulação e armazenamento dentro da casa.
Somados aos cuidados com o filho e aos problemas físicos relatados, os anos de trabalho como catadora contribuíram para transformar a residência em um espaço sem condições adequadas de uso.
Entre os moradores do entorno, a preocupação passou a envolver a saúde e a segurança da família de Anita, além dos possíveis impactos da situação para a vizinhança.
Por esse motivo, a intervenção não se limitou à retirada dos materiais acumulados e também buscou afastar Anita e o filho de um ambiente considerado insalubre pelos envolvidos na ação.
Família encaminhada para hotel social
Depois da limpeza, Anita e a família foram encaminhadas para um hotel social, medida adotada para garantir abrigo temporário enquanto a situação da casa era reorganizada.
Nesse período, novas etapas de apoio começaram a ser avaliadas, e a mobilização em torno do caso também passou a envolver pedidos de ajuda para a reforma do imóvel.
Especialistas alertam que a acumulação compulsiva não costuma ser resolvida apenas com a retirada dos objetos, porque o comportamento pode voltar sem acompanhamento adequado de saúde mental.
Daniel Costa afirmou que se trata de um problema crônico, com tendência à recorrência, e destacou a necessidade de acompanhamento contínuo por profissionais de saúde para reduzir o risco de repetição.
Embora tenha retirado os resíduos acumulados ao longo de duas décadas, a operação não encerrou a necessidade de cuidado com Anita, o filho e as condições de moradia da família.
Em casos semelhantes, o apoio precisa considerar saúde mental, assistência social, moradia e rede familiar ou comunitária, sem reduzir a situação a descuido, falta de higiene ou simples desorganização.
A repercussão da história expôs a vulnerabilidade de uma idosa que trabalhava com recicláveis, a sobrecarga de uma mãe cuidadora e os riscos de um acúmulo que tomou todos os espaços da casa.
Com a remoção das 50 toneladas, o foco passou a ser garantir acompanhamento e suporte para que a família não volte a viver em uma situação de risco.

Ao menos nao parou em buero e rios como de costume…
Sério que as pessoas vêm comentar sobre ressarcimento aqui? LIXO, 50 toneladas de LIXO. E a casa foi limpa GRATUITAMENTE, 6 dias retirando LIXO. Cuidados com a família, tudo gratuito. Pq não perguntam como doar pra ajudar esse trabalho altruísta e maravilhoso? Ou vcs também são acumuladores de LIXO?
Cinquenta toneladas, neste meio com certeza deva haver muita coisa de valor pra reciclagem se o dinheiro for devolvido a ela com certeza melhoraria sua vida, e daria pelo menos pra reforma da casa
Será que o material será vendido e o dinheiro entregue a ela
Se há ferro sim , os plástico sujos embolorados vão pro lixo , amassados sujos como seriam lavados, por isso população tem que saber que reciclagem não é lixo , devem lavar e entregar limpos em respeito a aqueles que trabalham com isso
Esse YouTuber ajuda a reconstruir a casa e devolve novinha só acompanhar no YouTube Gui faxinas ele e maravilhoso.