Barra Velha, castigada pelo avanço do mar e por erosão costeira nas praias urbanas, oficializou o início dos estudos para alargar sua faixa de areia em parceria com Balneário Piçarras. O modelo se inspira na obra de Itapoá, a maior do país, com R$ 333 milhões investidos e 70% executados.
A cidade de Barra Velha, no litoral Norte de Santa Catarina, deu o primeiro passo oficial para enfrentar um problema que se arrasta há anos: o avanço do mar sobre a faixa de areia e sobre estruturas urbanas próximas à praia. O município iniciou estudos técnicos para o engordamento da orla, em parceria com Balneário Piçarras.
Segundo NDMais, a definição partiu de uma reunião realizada no Rio de Janeiro, na última quinta-feira (7), entre os prefeitos das duas cidades e técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Hidrográficas (INPH). O objetivo é desenhar um projeto regional integrado para alargar as faixas de areia e proteger o litoral catarinense de novas perdas provocadas pelas ressacas frequentes.
Como começou o projeto de engordamento da orla em Barra Velha

A iniciativa ganhou contornos oficiais a partir do encontro técnico realizado no Rio de Janeiro. O prefeito de Barra Velha, Daniel Pontes da Cunha (PSD), e o prefeito de Balneário Piçarras, Tiago Maciel Baltt (MDB), se reuniram com a equipe do INPH para discutir os caminhos do projeto.
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Em vídeo divulgado nas redes sociais, os dois chefes de Executivo destacaram a importância da união entre os municípios para fortalecer o pleito. “Estamos aqui em um bem comum, o alargamento da nossa orla: de Barra Velha e Balneário Piçarras. Porque juntos somos mais fortes”, afirmou Daniel Pontes da Cunha.
A proposta nasce, portanto, com uma lógica regional. Em vez de ações pontuais e isoladas, os municípios apostam em um plano coordenado para o trecho litorâneo que compartilham.
Anos de prejuízos: por que o avanço do mar virou prioridade

O debate sobre o alargamento das praias não surgiu por acaso. Barra Velha convive há anos com ressacas marítimas que atingem com força a sua orla, especialmente em períodos de mar agitado.
Em situações mais críticas, as ondas avançam sobre avenidas, calçadas e estruturas próximas da praia. O avanço do mar deixa rastros visíveis: trechos de areia desaparecem, mobiliário urbano fica danificado e a infraestrutura voltada ao turismo sofre prejuízos recorrentes.
A erosão costeira é o outro lado dessa equação. Sem barreiras naturais ou intervenções de engenharia adequadas, parte do território litorâneo segue cedendo às investidas do oceano a cada temporada de marés mais severas.
O que diz o estudo técnico conduzido pelo INPH
Apesar do avanço político da discussão, o projeto ainda está em fase inicial. A próxima etapa depende da conclusão dos estudos técnicos conduzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidrográficas.
As análises devem apontar a viabilidade ambiental da intervenção, os possíveis impactos costeiros e os formatos mais adequados para a execução futura da obra. Esse levantamento técnico é considerado essencial antes que qualquer cronograma ou orçamento seja definido.
Apenas com base nessas conclusões será possível avaliar volume de sedimentos necessário, áreas de doação de areia, extensão a ser ampliada e custos envolvidos no projeto.
Itapoá: a maior obra de alargamento de praia do Brasil
O movimento de Barra Velha não é isolado dentro do litoral Norte catarinense. Em Itapoá, vizinha mais ao norte, a maior obra de alargamento de praia do Brasil já ultrapassou 70% de execução.
Mais de 4,1 milhões de metros cúbicos de sedimentos já foram depositados na orla itapoaense, volume equivalente a quase duas mil piscinas olímpicas. A intervenção modifica cerca de 8 quilômetros de praia ao longo do litoral do município.
O investimento gira em torno de R$ 333 milhões. O projeto é fruto de uma parceria entre o Porto de São Francisco do Sul e o Porto Itapoá, considerada a primeira PPP do país a envolver um porto público e um terminal privado para esse tipo de intervenção costeira.
Um modelo regional para o litoral Norte catarinense
A obra de Itapoá funciona, na prática, como uma vitrine para outras cidades da região. Barra Velha e Balneário Piçarras observam de perto o avanço da intervenção e buscam adaptar a experiência à sua realidade.
A diferença é que, em Itapoá, o engordamento ganhou força por uma necessidade logística ligada ao setor portuário. Em Barra Velha, a motivação central é proteger a área urbana e o turismo do avanço do mar.
Se os estudos confirmarem a viabilidade, o litoral Norte de Santa Catarina poderá se consolidar como o principal polo de engordamento de praias do país. A região concentraria experiências distintas, com motivações distintas, mas dentro de uma mesma lógica de defesa costeira.
A discussão sobre o alargamento da orla de Barra Velha mostra como o avanço do mar deixou de ser um problema sazonal para se tornar uma agenda permanente das prefeituras. Cidades que vivem do turismo e da movimentação portuária precisam pensar a defesa costeira como política pública estruturada.
E você, o que pensa sobre essa proposta? Acredita que o modelo aplicado em Itapoá deve ser replicado em outras cidades do litoral catarinense? O dinheiro público deve bancar esse tipo de intervenção? Deixe seu comentário, conte sua opinião e marque alguém que mora no litoral e precisa acompanhar essa pauta.

Acho isso uma ignorância construíram muito perto do mar agora que alargamento…eu já vi isso aqui a onde eu moro na praia dos Ingleses e Canasvieiras já fizeram isso e o mar já pegou de volta o que pertence a ele….tem que respeitar a natureza ela sempre quer o que te pertence