A empresa Amazônia Domos, de Belém (PA), vende casas ecológicas em formato de domo geodésico a partir de R$ 60 mil. As estruturas são feitas com plástico reciclado, resíduos de açaí prensados e madeira de manejo florestal, e saem de fábrica com parte elétrica, hidráulica, fechadura digital e comando de voz pré-instalados. Fundada pela arquiteta Tuane Costa e pelo administrador Thales Barca, a empresa ampliou a procura no rastro da COP 30, conferência da ONU sobre clima realizada em Belém em novembro de 2025.
O mercado de casas ecológicas no Brasil ganhou um concorrente que mistura bioeconomia amazônica com tecnologia de automação residencial. A Amazônia Domos, de Belém (PA), vende moradias em formato de domo geodésico a partir de R$ 60 mil, com paredes feitas de plástico reciclado com textura diferenciada, resíduos de açaí prensados e madeira de manejo florestal. As estruturas saem de fábrica com parte elétrica e hidráulica pré-instaladas, fechadura digital e comando de voz, combinação que posiciona o produto entre a construção sustentável e a casa inteligente.
Segundo o G1, a empresa foi criada pela arquiteta Tuane Costa e pelo administrador Thales Barca. A Amazônia Domos é também listada como vencedora do prêmio Inova Amazônia do Sebrae-PA, e participou do projeto Villa Domos, parceria com a organização Origem Justa para hospedar visitantes da COP 30 em Belém, conforme reportagem do site Belém Negócios. Seis meses depois do evento que colocou a capital paraense no centro do debate climático global, a Amazônia Domos representa um dos casos concretos de legado econômico da conferência: uma empresa local que transforma materiais regionais em casas ecológicas com apelo ambiental e potencial de escala.
O que é um domo geodésico e por que ele é eficiente

O domo geodésico é uma estrutura em forma de cúpula formada por uma malha de triângulos que distribui o peso uniformemente, dispensando colunas internas. O conceito foi popularizado pelo arquiteto americano Buckminster Fuller nos anos 1950 e desde então ganhou aplicações em moradias, estufas, arenas esportivas e, mais recentemente, em hospedagens de turismo ecológico (glamping). A geometria triangular confere resistência estrutural desproporcional ao peso dos materiais utilizados.
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A eficiência energética é um dos argumentos mais fortes do formato. A forma esférica permite circulação natural do ar no interior, o que pode reduzir o uso de ar-condicionado em até 30%, segundo fabricantes do setor. Em uma região como a Amazônia, onde a climatização é custo permanente em qualquer imóvel, essa economia torna o domo competitivo não apenas pelo apelo ambiental, mas pela conta de luz. O isolamento térmico e acústico complementa a eficiência e diferencia o produto de construções convencionais.
Os materiais amazônicos que viram parede e piso

O diferencial regional da Amazônia Domos está nos materiais. As paredes utilizam plástico reciclado da cadeia petroquímica com uma textura que a empresa descreve como “lunar”, além de resíduos de açaí prensados que aproveitam o caroço do fruto mais consumido do Pará. A madeira usada na estrutura é de manejo florestal, e os ladrilhos internos são feitos com estampas regionais por artesãos locais.
O uso de plástico reciclado conecta a construção sustentável à economia circular da cadeia fóssil: o material que saiu da petroquímica como embalagem descartável ganha segunda vida como componente construtivo. Para a indústria petroquímica brasileira, que investe em programas de reciclagem como o Picplast, casos como o da Amazônia Domos são exemplos concretos de que o plástico pode ter destino além do aterro. A questão que fica é se esses materiais já possuem certificação de uso construtivo conforme normas da ABNT, informação que a empresa não detalhou publicamente.
A automação que vem de fábrica
As casas ecológicas da Amazônia Domos não são apenas sustentáveis: elas chegam com tecnologia de casa inteligente pré-instalada. Fechadura digital, comando de voz e parte elétrica e hidráulica já vêm montados de fábrica, o que reduz o tempo de instalação no terreno e elimina a necessidade de contratar eletricistas e encanadores para a infraestrutura básica. Uma das paredes é de vidro, permitindo visão do céu, detalhe que valoriza o produto para uso em hospedagem turística.
A modularidade é outro ponto forte. O domo chega ao terreno como um kit que pode ser montado em poucos dias, diferente de uma construção convencional que leva meses. Para empreendedores de glamping, pousadas ecológicas e espaços de eventos, a velocidade de instalação significa retorno financeiro mais rápido. Para moradores, significa menos tempo de obra e menos transtorno. O formato modular também facilita a logística na Amazônia, onde o acesso rodoviário a muitas localidades é precário.
O mercado de domos no Brasil e os concorrentes
A Amazônia Domos não é a única empresa vendendo casas ecológicas em formato de domos geodésicos no Brasil. Empresas como Ameríndia, que se anuncia como fornecedora de kits estruturais, Domolar, com modelos de R$ 38,6 mil a R$ 152,8 mil, e Goodome já operam no mercado nacional há anos, atendendo principalmente o segmento de turismo e glamping. O mercado está em formação, sem dados consolidados de tamanho ou crescimento, mas a COP 30 parece ter acelerado o interesse.
A comparação de preço levanta questões. O valor de R$ 60 mil da Amazônia Domos é superior ao de concorrentes que vendem domos básicos de 16 m² por menos de R$ 40 mil, o que sugere que o preço inclui diferenciais como automação, materiais regionais e acabamento interno. No entanto, sem detalhamento público do que está incluso (montagem, fundação, frete, mobiliário), o consumidor não tem como comparar adequadamente. Para quem está considerando a compra, a recomendação é solicitar orçamento detalhado e visitar um domo montado antes de fechar negócio.
O legado da COP 30 e a bioeconomia amazônica
Belém sediou a maior conferência climática do planeta em novembro de 2025, e seis meses depois começam a aparecer os primeiros sinais de legado econômico. A Amazônia Domos é um dos casos que surfam a onda de atenção que a COP 30 trouxe para a bioeconomia amazônica, conceito que valoriza o uso sustentável dos recursos naturais da região como base para atividades econômicas. O açaí que vira parede, a madeira de manejo que vira estrutura e o plástico que ganha segunda vida ilustram essa proposta.
A questão é se esse movimento sobrevive quando os holofotes se apagam. Eventos como a COP geram picos de interesse que nem sempre se convertem em demanda sustentada, e a Amazônia Domos não divulgou números de vendas que permitam avaliar se o crescimento é real ou apenas impressão dos sócios. Para o mercado de construção sustentável brasileiro, que ainda representa fração pequena do setor, cada empresa que sobrevive e escala contribui para normalizar práticas que hoje parecem nicho.
Amazônia Domos
- Av. Municipalidade, 985 – Umarizal, Belém/PA – CEP: 66050-350
- Telefone: (91) 98149-2136
- ✉️ E-mail: contato@amazoniadomos.com.br
- Site: amazoniadomos.com.br
- Instagram: @amazoniadomoseciaof
Você moraria em uma casa ecológica feita de plástico reciclado e resíduos de açaí, ou acha que domo geodésico só funciona para glamping e turismo? Conte nos comentários se já conhecia esse tipo de construção e quanto pagaria por uma moradia sustentável com automação.

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