O guia de Amanda e Fernando detalha a norma dos 2 MPa e 20% de absorção, a conta do milheiro a R$ 2.000 com frete, os casos em que o bloco não vale a pena e a cura úmida que quase todo mundo negligencia
Antes de comprar um único tijolo ecológico, existe uma lista de verificações que separa a economia real do prejuízo disfarçado de sustentabilidade. Segundo o canal Amanda e Fernando, em vídeo publicado em 2 de fevereiro de 2023 e que soma mais de 128 mil visualizações, o casal que construiu a própria casa com o bloco de encaixe economizou cerca de 41% do valor da obra, e transformou a experiência num manual de qualidade, preço e armadilhas do produto.
O recado de abertura é direto. Não construa com tijolo ecológico sem antes saber o que a norma exige, quanto custa o milheiro na fábrica e em quais situações ele simplesmente não compensa, conforme o Amanda e Fernando avisa. O vídeo é a terceira parte de uma série gravada dentro da obra do próprio casal, com os blocos fabricados por eles mesmos.
A economia de 41% que motivou a série
O número que abre o vídeo veio da planilha da casa do casal. Segundo o Amanda e Fernando, o tijolo ecológico, somado a outras técnicas de construção de baixo custo, permitiu economizar 41% do valor da casa, com a conta chegando a 46% de economia no comparativo detalhado em outro vídeo da série.
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A origem da economia é conhecida de quem acompanha o produto. O bloco de encaixe dispensa a argamassa de assentamento tradicional, acelera a parede como um jogo de montar e reduz a dependência de mão de obra especializada, conforme o canal Amanda e Fernando no YouTube mostra nos episódios anteriores da série. O casal lembra que até quem não é pedreiro consegue executar, porque o encaixe guia o prumo e o alinhamento da parede.
O que a norma exige: 2 MPa, 20% de absorção e 1 milímetro

A primeira desvantagem que o vídeo aponta é regulatória. Segundo o Amanda e Fernando, o tijolo ecológico ainda não tem norma própria de alvenaria estrutural, que está em construção, então o uso estrutural se apoia em normas de alvenarias equivalentes e nos laudos de resistência do fabricante.
Já a fabricação tem régua clara. A norma ABNT do tijolo solo-cimento cobra resistência à compressão de 2 MPa, absorção de água de até 20% e desvio dimensional máximo de 1 milímetro, com ensaio de 10 peças a cada lote de mil, conforme o Amanda e Fernando detalha, mostrando o modelo de laudo técnico. O engenheiro do casal reforça que o bloco tem resistência comparável ou superior à de tijolos estruturais previstos em norma, e que é seguro quando bem fabricado e bem calculado.
O problema do mercado: fabricante sem laudo
A régua existe, mas nem todo mundo passa por ela. Segundo o Amanda e Fernando, o Brasil ainda tem muitos produtores de tijolo ecológico que não atendem a normatização, e foi exatamente esse o problema que o casal enfrentou na própria região, onde não havia fornecedor com qualidade comprovada.
O filtro do comprador cabe numa pergunta. Peça o ensaio: fabricante sério apresenta o laudo técnico do lote, e laboratórios de concreto comuns, presentes na maioria das cidades, fazem os testes, conforme o Amanda e Fernando orienta. Sem laudo, o barato pode sair caro na primeira parede carregada, e a culpa não será do tijolo, será da falta de controle de quem o prensou.
Compensa pagar frete? A conta do milheiro a R$ 2.000

A ausência de fábrica na cidade não elimina a opção de compra. Segundo o Amanda e Fernando, é normal trazer o tijolo de outros estados, direto do fabricante, como o próprio casal fez e como fizeram outras obras que acompanharam, com o frete diluído no valor do produto.
A ordem de grandeza ajuda a decidir. Com frete embutido, o milheiro ficava em torno de R$ 2.000, e mesmo assim a economia final da obra se mantém na casa dos milhares de reais, conforme o Amanda e Fernando calcula, lembrando que um frete de alguns milhares não pesa numa obra de centenas de milhares. A comparação certa não é frete contra frete, é custo total da parede pronta contra custo total da parede convencional.
Quando o tijolo ecológico não vale a pena
O vídeo dedica um bloco raro no nicho: os casos em que o produto perde. Segundo o Amanda e Fernando, o tijolo ecológico deixa de compensar quando a distância do fornecedor é grande demais, quando o comprador não quer produzir de jeito nenhum e, principalmente, num cenário específico: parede de vedação simples, sem função estrutural, dentro de vãos já estruturados com pilar e viga, e sem acabamento nos dois lados.
Nesse caso, o rival antigo ganha. O tijolo cerâmico à vista sai mais barato para fechar um vão sem exigência estética ou estrutural, conforme o Amanda e Fernando admite. A honestidade tem método: a série compara técnicas por custo total, e o bloco de encaixe brilha exatamente onde a estrutura, o prazo e o acabamento entram na conta.
Produzir os próprios tijolos: quando as máquinas se pagam
Para grandes volumes, o vídeo aponta o caminho da autoprodução. Segundo o Amanda e Fernando, faz sentido comprar as máquinas quem precisa de dezenas de milheiros, entre 30 e 50, seja para vender, seja para construir várias casas ou uma casa grande, como no caso do próprio casal, que fabricou os blocos na obra.
A matemática do retorno é simples. O milheiro comprado a R$ 2.000 custa cerca de R$ 800 para produzir com mão de obra paga, e a diferença de R$ 1.200 por milheiro vai amortizando as máquinas, conforme o Amanda e Fernando explica, com um detalhe que quase todo mundo esquece: no fim da obra, sobram os tijolos e as máquinas, que podem ser vendidas ou alugadas, devolvendo mais uma fatia do investimento.
O teste da frigideira: descubra se a tua terra serve
A parte mais didática do vídeo acontece na cozinha. Segundo o Amanda e Fernando, o ensaio caseiro que estima o teor de areia do solo usa frigideira, balança de cozinha e a peneira 200, de malha finíssima: seca-se a terra no fogo até soltar todo o vapor, pesam-se 100 gramas, lava-se a amostra na peneira até a água sair limpa, levando embora a argila, e seca-se de novo para pesar o que restou.
O resultado sai em porcentagem direta. Nas amostras do vídeo, sobraram cerca de 60 e 57 gramas de areia, e o mínimo recomendado para produzir é 50%, conforme o Amanda e Fernando demonstra, lembrando que solo fora do padrão se corrige com areia comprada, na proporção aproximada de 1 balde de areia para cada 6 de terra, refazendo o ensaio até acertar. É o mesmo princípio dos ensaios de faculdade de engenharia, adaptado para o fogão de casa.
Água no ponto, cimento ARI e a cura que ninguém respeita
Os três últimos segredos de qualidade fecham o manual. Segundo o Amanda e Fernando, a água tem ponto exato, testado no bolinho: a massa apertada na mão deve partir em dois pedaços firmes sem esfarelar, e, solta da altura da cintura, deve se desfazer no chão sem sujar a palma; o cimento indicado para quem fabrica é o de alta resistência inicial, que libera o manuseio das peças mais cedo, com a cura completa levando 28 dias.
O terceiro item é o mais negligenciado. A cura úmida nos 7 primeiros dias, com os tijolos molhados como plantas e guardados na sombra, é apontada por estudos citados no vídeo como o terceiro fator que mais define a resistência final, conforme o Amanda e Fernando reforça. E a regra vale depois da parede pronta: bloco exposto a chuva intensa por meses sem impermeabilização se degrada, então a pilha fica coberta com lona e a parede externa recebe proteção ao final da obra.
Assista ao guia do casal
O vídeo percorre normas, preços, ensaio caseiro e os erros que comprometem a resistência, com a experiência de quem fabricou e assentou os próprios blocos.
O manual de Amanda e Fernando resume a maturidade que o tijolo ecológico alcançou no Brasil: não é mais curiosidade de feira, é técnica com norma, laudo e planilha, e recompensa exatamente quem faz a lição de casa antes de prensar ou comprar. Conta pra gente nos comentários: tu farias o teste da frigideira com a terra do teu terreno?

