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A prensa manual que cabe no porta-malas fabrica um tijolo ecológico a cada 10 segundos e é vendida pela fábrica brasileira que produz as máquinas desde 1972

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 04/07/2026 às 12:27 Atualizado em 04/07/2026 às 12:31
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Prensa manual que cabe no porta-malas faz um tijolo ecológico a cada 10 segundos; veja a demonstração da fábrica que produz as máquinas desde 1972
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Na transmissão da Jarfel Saara, o fundador Francisco Aguilar demonstra o solo ideal, os furos que viram coluna e conduíte, a conta do milheiro e a casa de 50 metros quadrados erguida em até 10 dias

Uma máquina simples, movida a alavanca, que transforma terra e cimento num tijolo de encaixe a cada punhado de segundos: esse é o coração da olaria ecológica. Segundo a Jarfel Saara, em transmissão publicada em 29 de agosto de 2020, a prensa manual demonstrada pelo fundador Francisco Aguilar é portátil a ponto de caber no porta-malas de um carro pequeno, e a empresa de Mogi das Cruzes fabrica o equipamento desde 1972, quando saíram as primeiras unidades.

A apresentação tem o tom de quem viu a moda nascer duas vezes. O tijolo sem queima, prensado e curado com água, virou tendência décadas depois de a fábrica criar as máquinas, e hoje o sistema roda no Brasil e em outros países, conforme a Jarfel Saara conta. O vídeo é praticamente um curso: solo, traço, operação, cura e até a construção da casa.

De 1972 à moda atual: meio século de olaria ecológica

A longevidade do sistema é o primeiro argumento da transmissão. A fábrica atravessou décadas em que o tijolo prensado era curiosidade de feira de construção, viu as olarias tradicionais fecharem uma a uma e chegou à era da sustentabilidade com o produto certo na prateleira: um tijolo que não queima árvore, não solta fumaça e cura com água.

O fundador aproveita a história para desarmar a desconfiança de quem chega agora. A tecnologia não é aposta nova, é um sistema com meio século de ajustes, usado por clientes no país inteiro e exportado, conforme o canal Jarfel Saara no YouTube registra em suas transmissões. A novidade, ironiza a apresentação, é o mundo ter finalmente alcançado a ideia.

Como a prensa manual funciona: alavanca, gaveta e o peso do corpo

O operador aciona a alavanca da prensa manual e retira o tijolo recém-compactado.
O operador aciona a alavanca da prensa manual e retira o tijolo recém-compactado.

A engenharia da máquina é uma coleção de soluções simples. Segundo a Jarfel Saara, a mistura de terra e cimento desce por gravidade do silo para a câmara, uma gaveta controla a dose exata de material, um parafuso de encosto regula a espessura e a alavanca móvel multiplica a força: o esforço do operador é basicamente apoiar o peso do corpo, na casa dos 30 quilos.

O detalhe que garante o padrão está no batente. Toda vez que o êmbolo encosta no limite, o tijolo sai com a mesma espessura, seja o primeiro ou o décimo milésimo, conforme a Jarfel Saara demonstra. A prensa devolve ao solo a compactação que ele tinha no barranco, expulsando o ar da terra escavada, e o cimento faz o resto: o resultado, nas palavras do fundador, é um tijolo até 3 vezes mais forte que o de olaria, dependendo da dose de cimento.

Os furos do tijolo: coluna, conduíte e parede que respira

Os dois furos do tijolo modular são o truque mais subestimado do sistema. Segundo a Jarfel Saara, além de economizar material e peso, os furos alinhados formam canais verticais que recebem uma barra de ferro e concreto, criando uma microcoluna a cada metro de parede, sem madeiramento, sem caixaria e sem carpinteiro.

As outras funções vêm de brinde. O mesmo furo serve de conduíte cerâmico à prova de fogo para a fiação elétrica, que trabalha ventilada e esquenta menos, e a coluna de ar que sobe do alicerce à laje carrega a umidade para fora da parede, conforme a Jarfel Saara explica. Parede seca não cria mofo, fungo nem ácaro, e o fundador transforma isso em argumento de saúde: casa arejada adoece menos quem mora nela.

Casa de 50 metros quadrados em 20 dias, ou 10 para quem sabe

As paredes de tijolos de encaixe sobem alinhadas como um jogo de montar.
As paredes de tijolos de encaixe sobem alinhadas como um jogo de montar.

A conta de mão de obra é o campo onde o sistema goleia. Segundo a Jarfel Saara, uma equipe padrão de pedreiro a R$ 150 por dia e dois ajudantes a R$ 75 cada custa R$ 300 diários, e uma casa de 50 metros quadrados, com dois quartos, leva cerca de 100 dias no método convencional: R$ 30 mil só de mão de obra.

No sistema modular, o cronograma desaba. A mesma equipe entrega a casa em 20 dias, por R$ 6 mil, e na prática dá para fazer em 10 dias sabendo trabalhar, conforme a Jarfel Saara sustenta, com base no treinamento que acompanha a máquina. O segredo é o encaixe tipo bloco de montar, somado à estrutura embutida: uma barrinha de ferro a cada metro e uma canaleta formando cinta a cada metro de altura, criando um monobloco que, nas palavras do fundador, pode trincar num abalo, mas não cai.

A conta do milheiro aberta na transmissão

O vídeo abre a planilha da produção com números da própria fábrica. Segundo a Jarfel Saara, 1.000 tijolos consomem de 2 a 2,5 metros cúbicos de solo; no exemplo do fundador, uma carreta de terra licenciada trazida de 100 km custa R$ 2.000 e rende 10 milheiros, ou seja, R$ 200 de solo por milheiro; os 8 sacos de cimento, um a mais para garantir a qualidade, saem por R$ 240; e a mão de obra de 3 ajudantes a R$ 70 produzindo 2.000 peças por dia adiciona R$ 105.

O total conversa com o preço de mercado da época. O milheiro custava cerca de R$ 545 para produzir e era vendido na média nacional de R$ 1.000, uma margem próxima de 100%, conforme a Jarfel Saara calcula, lembrando que uma casa de 50 metros quadrados consome em torno de 10 mil tijolos. Os valores são de 2020 e servem de estrutura de raciocínio, não de cotação atual.

Sem solo bom? Areia, pó de pedra e filito

A régua do solo ideal é a mesma que a empresa ensina há décadas: 70% de areia para a força, 30% de argila para a liga, com correções simples quando a proporção foge. Segundo a Jarfel Saara, solo com argila demais recebe areia fina no traço, solo com liga de menos recebe argila triturada, e a empresa analisa gratuitamente a amostra de terra que o cliente envia para a sede, na rodovia Mogi-Bertioga.

Para quem não tem terra que preste, existe o plano B mineral. Areia fina ou pó de pedra ganham liga com o filito, num traço de 7 medidas de areia, 3 de filito e 1 de cimento, que ainda economiza cimento em relação ao traço de solo, conforme a Jarfel Saara demonstra nos testes gravados no próprio laboratório da fábrica. O filito, apresentado como substituto direto do cal, custava na faixa de R$ 4 a R$ 5 o saco, e o consumo fica em torno de 40 sacos por milheiro.

A fábrica no canteiro: o caso do engenheiro de Anápolis

A portabilidade da prensa muda a logística da obra inteira. Segundo a Jarfel Saara, o engenheiro Rodrigo Braga, cliente da empresa em Anápolis, montou a produção dentro do próprio canteiro, sob uma tenda móvel que acompanha a obra: um homem faz a pré-mistura, um opera a máquina e um empilha os tijolos já perto dos cômodos onde serão usados.

Os ganhos aparecem em duas colunas. Sem frete e com acompanhamento diário da qualidade, o tijolo sai por menos da metade do preço do mercado tradicional, com amostras enviadas a laboratório para teste de rompimento, conforme a Jarfel Saara mostra no depoimento gravado na obra. Até a umidade da mistura tem truque de veterano: uma lata cobrindo o monte para a massa não secar entre uma prensada e outra.

A irmã hidráulica: a máquina que anda com um dedo

Para quem quer escala, a fábrica apresenta a versão motorizada. Segundo a Jarfel Saara, a prensa hidráulica HM se move sobre rodízios com o empurrão de um dedo, trabalha com motor elétrico e joystick, compacta mais que a manual e aceita um conversor para funcionar em rede monofásica por R$ 500 adicionais.

O espaço necessário continua doméstico. Uma garagem que caiba 3 carros é suficiente para abrigar a fábrica, e os moldes que acompanham a máquina produzem dezenas de modelos de peças, conforme a Jarfel Saara lista: tijolo inteiro, meio tijolo, maciço, canaletas contínuas e interrompidas e os botoques que criam saídas laterais para elétrica e hidráulica. O treinamento na sede acompanha a compra, e o fundador o trata como obrigação: quem recusa o curso assina termo assumindo os riscos do improviso.

Os cuidados que separam o tijolo bom do problema

A transmissão dedica um bloco inteiro aos erros que estragam a produção. Segundo a Jarfel Saara, a prensa manual precisa de limpeza a cada 5 a 10 tijolos, com escova macia ou pistola de ar; o tijolo recém-prensado não pode ser molhado nas primeiras 24 horas; e a pilha de cura deve ser coberta com plástico, porque o vento é o inimigo número um da cura, levando embora a umidade que o cimento precisa.

O manejo da peça também tem etiqueta. Tijolo se pega pelas cabeças, sem apertar, e peça quebrada volta para o monte, é triturada e reaproveitada na hora, sem desperdício, conforme a Jarfel Saara ensina nos testes. A regra final do fundador vale como resumo do sistema: não existe solo ruim, existe solo mal preparado, e não existe tijolo fraco, existe traço errado.

Assista à demonstração completa

A transmissão mostra a prensa manual em operação, os testes com areia, pó de pedra e filito, a conta do milheiro e a linha de máquinas da fábrica.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A prensa manual da fábrica de Mogi das Cruzes é a prova de que tecnologia de construção não precisa de tela nem de software: precisa de alavanca bem calculada, traço certo e meio século de ajuste fino. Conta pra gente nos comentários: tu já viu uma prensa manual de olaria ecológica funcionando de perto?

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Bruno Teles

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