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Mini fábrica de tijolo ecológico cabe numa garagem, começa com prensa de R$ 9 mil e produz milheiro que custa R$ 530 e é vendido por até R$ 1.400

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 04/07/2026 às 12:18 Atualizado em 04/07/2026 às 12:20
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Tijolo ecológico: mini fábrica começa com prensa de R$ 9 mil, milheiro custa R$ 530 e era vendido a até R$ 1.400; veja a conta completa
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O guia do canal Próximo Negócio detalha a conta completa do negócio, do traço de 70% de areia e 30% de argila ao lucro estimado de R$ 7 mil por mês para quem produz 15 mil tijolos, em valores de 2021

Um negócio que cabe numa garagem, dispensa forno e transforma terra e cimento em produto disputado: essa é a promessa da mini fábrica de tijolo ecológico. Segundo o canal Próximo Negócio, em vídeo publicado em 8 de setembro de 2021 e que já passa de 288 mil visualizações, o empreendimento combina investimento inicial baixo, apelo ambiental e uma margem que impressiona: cada milheiro custa cerca de R$ 530 para produzir e era vendido, na época do levantamento, por até R$ 1.400 no mercado.

O vídeo virou referência do nicho justamente por abrir a planilha. Do tipo de solo à quantidade exata de sacos de cimento, tudo é calculado para mostrar quanto entra e quanto sai da produção de 1.000 tijolos, conforme o Próximo Negócio detalha. Os valores são de 2021 e variam por região, mas a estrutura da conta continua sendo o mapa de quem quer entrar no ramo.

O que é o tijolo ecológico, e por que ele não vai ao forno

O nome engana: não se trata de tijolo de material reciclado. Segundo o Próximo Negócio, o tijolo ecológico é feito de solo, cimento e água, por isso também é chamado de tijolo solo-cimento, e o “ecológico” vem do processo: ele cura com água, sem passar pelo fogo das olarias.

A diferença ambiental tem número. Para queimar 1.000 tijolos convencionais, as pesquisas citadas apontam a madeira de 8 árvores, fora a emissão de gases de efeito estufa, conforme o canal Próximo Negócio no YouTube explica. O tijolo prensado endurece pela reação do cimento, sai da máquina com acabamento fino e dimensões idênticas, e ainda surfa numa demanda crescente de consumidores atrás de construção mais limpa.

A receita do solo: 70% de areia e 30% de argila

A prensa compacta a mistura de solo e cimento que sai em tijolos idênticos.
A prensa compacta a mistura de solo e cimento que sai em tijolos idênticos.

O coração da qualidade está debaixo dos pés. Segundo o Próximo Negócio, o solo ideal tem 70% de areia, que dá resistência, e 30% de argila, que dá liga, e nessa condição o traço é de 7 medidas de solo para 1 de cimento, seja o medidor um balde ou uma lata.

Solo fora do padrão não condena o negócio, só muda a receita. Com areia de menos, o traço vira 5 de solo, 2 de areia fina e 1 de cimento; com argila de menos, 6 de solo, 2 de argila e 1 de cimento, conforme o Próximo Negócio ensina, citando as proporções do próprio fabricante das máquinas. A dúvida sobre o solo se resolve por cerca de R$ 50 numa análise de laboratório, e com a prática o produtor aprende a reconhecer a textura ideal na mão.

Sem solo bom? O filito resolve

A alternativa para quem não tem terra de qualidade é um mineral pouco famoso. Segundo o Próximo Negócio, dá para fabricar com areia fina ou pó de pedra usando o filito como material de liga, um insumo barato e encontrado em praticamente todo o Brasil, que troca o tijolo avermelhado por um acinzentado.

A conta dessa versão também aparece no vídeo. Para 1.000 tijolos, entram 1 metro cúbico de areia por R$ 120, 40 sacos de filito por R$ 200 no total e 5 sacos de cimento por R$ 150, mais R$ 200 de mão de obra, fechando em R$ 670, conforme o Próximo Negócio calcula. Custa um pouco mais que a versão com solo, mas salva o negócio em regiões onde a terra boa não existe ou não pode ser extraída.

A conta do milheiro: R$ 530 de custo na versão com solo

Tijolos ecológicos recém-prensados formam pilhas alinhadas na área de cura.
Tijolos ecológicos recém-prensados formam pilhas alinhadas na área de cura.

A planilha da versão clássica é o trecho mais assistido do vídeo. Segundo o Próximo Negócio, uma caçamba de 12 metros cúbicos de solo, cotada na média de R$ 600, rende cerca de 5.000 tijolos, o que dá R$ 120 de solo por milheiro; somam-se 7 sacos de cimento de alta resistência inicial, a R$ 30 cada, totalizando R$ 210 de cimento.

A mão de obra fecha o pacote. Com 2 pessoas a R$ 100 por dia produzindo 1.000 tijolos diários, o custo do milheiro fica em R$ 530, entre matéria-prima e diárias, conforme o Próximo Negócio soma, avisando que usou valores propositalmente altos. O cimento indicado é o de alta resistência inicial, o CP V-ARI, justamente para o tijolo ganhar firmeza rápido e liberar o manuseio.

Lucro de R$ 470 por milheiro e R$ 7 mil por mês

A margem aparece quando a planilha encontra o mercado. Segundo o Próximo Negócio, o milheiro era vendido na média de R$ 1.400 nos anúncios da época, e mesmo arredondando o preço para R$ 1.000, bem abaixo do mercado, sobra um lucro de R$ 470 a cada 1.000 tijolos.

A projeção mensal é o número que fez o vídeo viralizar. Produzindo e vendendo 15 mil tijolos por mês, o lucro estimado chega a R$ 7 mil, mesmo com custos calculados para cima, conforme o Próximo Negócio projeta. É uma margem perto de 100% sobre o custo, rara em negócios de investimento inicial tão baixo, e explicada pela simplicidade do processo: prensar terra é barato, e tijolo é produto que toda obra consome aos milhares.

Quanto custa montar: da prensa manual à hidráulica

O tíquete de entrada é o argumento final. Segundo o Próximo Negócio, a prensa manual, de pequeno porte e acompanhada de moldes que produzem mais de 30 modelos de tijolos, custava R$ 9 mil; a prensa profissional, de médio porte e com compactação hidráulica que reduz o esforço do operador, saía por R$ 18 mil.

Há ainda um coadjuvante importante. O triturador que prepara e homogeneíza a mistura custava R$ 12 mil, mas muitos produtores adaptam uma betoneira para cumprir a função, conforme o Próximo Negócio registra. Na prática, dá para abrir a operação com a prensa manual e o improviso da betoneira, e o fabricante ainda inclui um curso de fabricação na compra do equipamento, o que reduz a barreira para quem nunca produziu um tijolo na vida.

O bônus que vende o produto: casa erguida em 20 dias

O melhor vendedor do tijolo ecológico é a obra do cliente. Segundo o Próximo Negócio, uma casa de 50 a 60 metros quadrados que leva 90 dias na alvenaria convencional, com equipe de um pedreiro a R$ 150 por dia e dois ajudantes a R$ 75 cada, consome R$ 27 mil só de mão de obra; com o tijolo modular de encaixe, o mesmo time entrega em cerca de 20 dias, por R$ 6 mil.

A diferença é o argumento de balcão. São R$ 21 mil de economia em mão de obra numa única casa pequena, na estimativa que o vídeo atribui ao fabricante das máquinas, conforme o Próximo Negócio. Para o dono da mini fábrica, isso significa que o produto não disputa só por preço de milheiro: ele vende um cronograma de obra que o tijolo comum não consegue acompanhar.

Os cuidados antes de investir

O vídeo é otimista, e a régua do leitor precisa ser realista. Os valores são de 2021: solo, cimento, diárias e máquinas subiram desde então, e a conta precisa ser refeita com cotações locais antes de qualquer investimento. A caçamba de solo, por exemplo, já variava na época entre R$ 200 e mais de R$ 1.000 dependendo da cidade, e essa dispersão só aumentou.

O outro cuidado é de qualidade, não de preço. Tijolo de construção é produto com norma técnica, e produtor sério ensaia resistência e absorção antes de vender, um tema que o próprio mercado cobra cada vez mais. Quem entra no ramo tratando o tijolo ecológico como commodity de fundo de quintal compete por centavos; quem entra com laudo e padrão disputa o milheiro premium que sustenta a margem do negócio.

Assista ao guia completo do negócio

O vídeo percorre a definição do produto, as receitas de traço, os custos detalhados e os preços das máquinas, no formato de aula que fez o canal crescer.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A mini fábrica de tijolo ecológico segue a lógica dos bons negócios de interior: matéria-prima local, processo simples e um produto que a construção civil nunca deixa de comprar. Conta pra gente nos comentários: tu investirias R$ 9 mil numa prensa para começar?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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