A passagem subterrânea já fazia parte do imóvel quando Holly Bidle e Jim Reed chegaram a Golden, no Colorado. Aberto originalmente para treinamento de estudantes de mineração, o corredor foi recuperado e incorporado à rotina familiar, às visitas escolares e, mais tarde, à hospedagem de viajantes.
Uma porta na lavanderia de uma casa construída na encosta de Mount Zion, em Golden, dava acesso ao elemento que chamou a atenção de Holly Bidle e Jim Reed em um imóvel que precisava de grandes reparos: um antigo túnel destinado ao ensino de mineração.
A passagem já estava integrada à residência. Após a compra, o casal instalou iluminação, organizou objetos ligados à mineração e acrescentou elementos decorativos, tornando utilizável um espaço subterrâneo que continuou preservando paredes rochosas e características próprias de um túnel.
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A história foi registrada pela Mines Magazine, publicação ligada à Colorado School of Mines, que descreveu a residência incorporada à encosta e conectada diretamente, pela área de serviço, a uma passagem subterrânea de algumas centenas de pés de extensão.
Quando conheceram a propriedade, em 1990, Holly e Jim encontraram pintura descascada, um elevador enferrujado no quintal e antigas cabeças de animais empalhadas nas paredes de vários cômodos. O imóvel estava havia cerca de 18 meses no mercado sem receber propostas.

A reforma exigiria trabalho considerável em uma fase na qual o casal administrava uma empresa e criava dois filhos pequenos. A conexão entre a casa e a antiga estrutura de mineração, porém, estava entre as características que levaram os dois a escolher a propriedade.
Túnel foi aberto para treinamento em mineração
O corredor subterrâneo não havia sido construído como extensão da residência. A estrutura remontava a 1906 e integrava uma instalação da Colorado School of Mines criada para oferecer aos estudantes contato prático com processos e equipamentos empregados na atividade mineradora.
A casa surgiu décadas depois, quando Louise e Rolfe Rohwer construíram a residência no fim dos anos 1950 diante da entrada da passagem. Rolfe, engenheiro geológico formado pela Colorado School of Mines, incorporou assim o acesso subterrâneo ao imóvel.
Holly e Jim também trabalhavam com geociências. Em 1983, eles haviam fundado a RockWare, empresa dedicada ao desenvolvimento de softwares para modelagem geológica e outras aplicações utilizadas em áreas relacionadas à mineração, exploração de petróleo, hidrogeologia e meio ambiente.
Depois da compra, a recuperação da residência ocorreu paralelamente ao trabalho no túnel. A instalação de nova iluminação e a organização de equipamentos e objetos ligados à mineração ampliaram as possibilidades de uso da passagem, sem transformá-la em um cômodo convencional da casa.

O espaço não correspondia a uma mina comercial de ouro ou prata. A formação observada no interior é composta por gnaisse, enquanto a escavação havia sido destinada ao treinamento de estudantes, e não à exploração comercial de metais preciosos.
Marcas das atividades realizadas ali permaneceram no percurso, entre elas furos de perfuração, pontos de ancoragem e estruturas relacionadas à ventilação e à drenagem. Capacetes, lanternas e outros itens de segurança também foram incorporados ao ambiente mostrado aos visitantes.
A Colorado School of Mines utiliza outra estrutura subterrânea para ensino prático. A Edgar Experimental Mine, em Idaho Springs, funciona como laboratório e sala de aula para atividades que incluem mapeamento geológico, ventilação, segurança e técnicas de perfuração.
De esconderijo dos filhos a local para pernoites
Com a passagem iluminada e organizada, os filhos de Holly e Jim começaram a utilizá-la como espaço de brincadeiras e esconderijo. Festas de aniversário também passaram a ocorrer no túnel, levando para o antigo ambiente de treinamento uma função ligada à rotina familiar.
Em algumas ocasiões, lonas eram colocadas sobre o piso para que amigos estendessem sacos de dormir e permanecessem no local durante a noite. O túnel passou, assim, a receber também pernoites ligados às festas realizadas pela família.
A antiga finalidade educacional reapareceu de outra maneira durante os anos escolares das crianças. Holly e Jim receberam turmas no túnel, permitindo que estudantes observassem diretamente elementos construtivos e geológicos de uma instalação criada originalmente para o treinamento em mineração.
Quando os filhos cresceram e quartos da casa ficaram disponíveis, Holly começou a hospedar estudantes estrangeiros ligados à Colorado School of Mines. A experiência acrescentou uma nova utilização à propriedade antes de o imóvel também ser oferecido a viajantes.
Em 2014, a residência passou a ser anunciada em uma plataforma de hospedagem de curta duração. A visita ao túnel tornou-se parte da experiência oferecida aos hóspedes, que chegavam à passagem subterrânea atravessando a porta instalada na lavanderia.
Nos passeios descritos pela Mines Magazine, Holly apresentava equipamentos de segurança, capacetes, lanternas, estruturas de ventilação e drenagem, além de marcas deixadas pelas atividades de perfuração e ancoragem. Esses elementos mantinham visível a função técnica que o espaço tivera antes de ser incorporado à residência.
A hospedagem recebeu visitantes de diferentes partes dos Estados Unidos e também do exterior, incluindo hóspedes da Dinamarca e da China. Entre os objetos mantidos no túnel estava ainda um antigo barril de madeira da cervejaria Coors, exibido junto às peças relacionadas à mineração.

