Jochen Hartmann transformou a propriedade da família com galinheiros móveis, árvores frutíferas, rotação de pastagens e venda direta de ovos na Alemanha
O agricultor alemão Jochen Hartmann transformou uma área de 10,5 hectares em um sistema agroflorestal destinado à criação de cerca de 2.800 galinhas poedeiras. A propriedade combina árvores, arbustos, pomares frutíferos e sete galinheiros móveis, permitindo que as aves circulem por diferentes áreas de pastagem ao longo do ano.
O sistema ganhou ainda um elemento pouco comum na avicultura: alpacas mantidas nos piquetes como animais de vigilância. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a presença desses animais ajudou a reduzir entre 80% e 90% os ataques de gaviões e outras aves de rapina, tornando-se uma das características mais marcantes da chamada floresta de galinhas.

Criação de Jochen Hartmann começou com 40 galinhas e ganhou escala com galinheiros móveis
A história da propriedade começou de forma bem mais simples. O pai de Hartmann trabalhava com suinocultura, mas decidiu encerrar a atividade ao longo dos anos. A família mantinha apenas cerca de 40 galinhas no quintal, principalmente para consumo próprio, até que o produtor passou a enxergar potencial comercial na criação.
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Em 2013, Hartmann comprou seu primeiro galinheiro móvel, com capacidade para aproximadamente 250 aves. O equipamento ainda era pouco comum na região e chamou atenção justamente por permitir que as galinhas fossem deslocadas entre diferentes áreas de pastagem.
O crescimento da demanda veio pouco depois. Supermercados locais passaram a demonstrar interesse pelos ovos produzidos na propriedade, o que levou o agricultor a estudar novas formas de expansão. Hartmann chegou a considerar a construção de um galpão convencional para 15 mil poedeiras, mas desistiu do projeto por causa do impacto sonoro e da possibilidade de conflitos com moradores próximos.
A alternativa escolhida foi expandir a produção gradualmente. O sistema móvel permaneceu como base da atividade, enquanto a venda de ovos passou a ser integrada a outros produtos agrícolas comercializados pela família.

Inspiração no galo-da-selva-vermelho levou agricultor a criar uma floresta para as galinhas
A ideia de transformar a área em um ambiente arborizado surgiu da observação do comportamento natural das aves. Hartmann buscou inspiração no galo-da-selva-vermelho, considerado ancestral selvagem das galinhas domésticas e adaptado às bordas de florestas densas.
Nesses ambientes, as aves encontram sombra, alimentos variados, vegetação para proteção e estruturas elevadas para repousar. O agricultor decidiu reproduzir parte dessas condições dentro da propriedade, combinando árvores e criação animal no mesmo espaço.
Em abril de 2016, cerca de 1.500 mudas foram plantadas em uma primeira área de aproximadamente 5,5 hectares. Clientes da própria fazenda participaram do plantio, que marcou o início da implantação do sistema agroflorestal.
Os álamos foram organizados em fileiras para ajudar a proteger os animais do vento e do calor. Depois, outras espécies foram adicionadas, entre elas nogueiras, sabugueiros, mirtilos, amoreiras e ameixeiras, ampliando a diversidade da vegetação disponível no terreno.
Expansão para 10,5 hectares exigiu mudanças no manejo das árvores
O desenvolvimento da floresta trouxe desafios principalmente durante os primeiros anos. As mudas exigiam capina frequente para impedir que ervas invasoras competissem por espaço, água e nutrientes, obrigando a equipe a realizar boa parte do trabalho manualmente.
Em 2020, quando o sistema foi ampliado para cerca de 10,5 hectares, Hartmann tentou substituir parte da capina pela cobertura do solo com lascas de madeira. A estratégia, porém, não funcionou como esperado.
O material acumulou umidade, favoreceu o aparecimento de mofo e provocou a morte de várias mudas de álamo. A equipe voltou então ao controle manual das ervas próximas às linhas de árvores.
Com a mudança no manejo, os álamos retomaram o desenvolvimento e chegaram a apresentar crescimento de até três metros por ano em determinados períodos. A área arborizada passou, assim, a oferecer cada vez mais sombra e abrigo para as aves.

Alpacas sentinelas passaram a reduzir ataques de gaviões contra as galinhas
A criação ao ar livre expunha as aves a outro problema importante: ataques de predadores aéreos. Gaviões e outras aves de rapina conseguiam alcançar as galinhas enquanto elas circulavam pelos piquetes, levando Hartmann a buscar uma forma diferente de proteção.
A solução encontrada foi manter alpacas junto ao rebanho. Esses animais permanecem atentos à movimentação ao redor e ajudam a inibir a aproximação de predadores, funcionando como sentinelas naturais dentro das áreas de pastagem.
Segundo relatos ligados ao projeto, os ataques diminuíram entre 80% e 90% após a adoção das alpacas. A organização dos piquetes também foi adaptada para facilitar a vigilância e melhorar o deslocamento dos animais.
A propriedade foi dividida em 19 setores independentes. Essa separação permite controlar melhor o uso da pastagem e organizar a movimentação das galinhas entre diferentes áreas ao longo da semana.
Gado Dexter prepara os piquetes antes da entrada das galinhas
O manejo da propriedade inclui ainda bovinos da raça Dexter, que entram nos piquetes antes das galinhas. O gado reduz a altura da vegetação e prepara a área para a chegada das aves, tornando o deslocamento mais fácil dentro do pasto.
Depois dessa etapa, as galinhas ocupam o espaço até que seja feita uma nova rotação. Os galinheiros móveis acompanham esse processo e são deslocados regularmente para outras faixas de terreno.
Todas as semanas, a equipe realiza a limpeza das estruturas, abastece os bebedouros e move os galinheiros para uma nova área. Esse sistema permite distribuir melhor o uso do solo e manter acesso frequente a pastagem renovada.
A combinação de diferentes animais dentro da mesma propriedade se tornou uma das principais características do projeto. Galinhas, alpacas e bovinos cumprem funções distintas dentro de um manejo integrado, no qual cada espécie participa de uma etapa da rotina produtiva.
Sistema agroflorestal passou a atrair mais espécies da fauna local
A transformação da propriedade também começou a produzir efeitos sobre a biodiversidade. Pesquisadores ligados à Universidade de Münster passaram a acompanhar diferentes indicadores ambientais no sistema agroflorestal criado por Hartmann.
Os levantamentos apontaram aumento na presença de besouros ligados a ambientes florestais, pássaros cantores e morcegos. A vegetação diversificada passou a oferecer abrigo e alimento para espécies que encontravam menos espaço na antiga paisagem agrícola.
O resultado mostrou que a floresta criada para proteger e alimentar as galinhas também ganhou importância para outros animais. Árvores, arbustos e áreas de pastagem passaram a formar um ambiente mais complexo do que aquele existente durante o período de cultivo convencional.
Essa mudança reforçou uma das propostas centrais do projeto: utilizar a mesma área para produzir alimentos e, ao mesmo tempo, ampliar a diversidade do ambiente rural.

Venda direta de ovos transformou antigo chiqueiro em loja de autoatendimento
A produção de ovos acompanha a expansão do sistema agroflorestal. A coleta é realizada duas vezes por dia, e parte dos produtos segue para supermercados, padarias e peixarias da região.
A família também decidiu aproveitar uma estrutura antiga da propriedade. O espaço anteriormente utilizado na criação de porcos foi reformado e transformado em uma loja de autoatendimento para venda direta aos consumidores.
No local, os clientes escolhem os produtos e realizam o pagamento por conta própria, em dinheiro ou cartão. Cerca de 120 consumidores passam diariamente pelo estabelecimento para comprar ovos, batatas e itens artesanais fornecidos também por produtores parceiros.
Hartmann ampliou ainda mais os canais de comercialização instalando uma máquina automática de venda de ovos em uma cidade vizinha. A estratégia aproximou a produção do consumidor e criou diferentes formas de escoar os produtos da fazenda.
Floresta de galinhas passou a reunir produção, proteção animal e biodiversidade na mesma área
Mais de uma década depois da compra do primeiro galinheiro móvel, a propriedade passou de uma pequena criação doméstica para um sistema com cerca de 2.800 galinhas, sete estruturas móveis e 10,5 hectares de área agroflorestal.
A floresta passou a cumprir várias funções ao mesmo tempo. As árvores oferecem sombra e proteção, as alpacas ajudam contra predadores, o gado controla a vegetação e os galinheiros podem ser deslocados conforme a necessidade.
O modelo desenvolvido por Jochen Hartmann também criou novos canais de venda e aumentou a diversidade da propriedade. Ao integrar árvores, aves e outros animais, o agricultor construiu uma forma de produção diferente daquela baseada apenas em grandes estruturas fixas ou monoculturas.
A experiência da chamada floresta de galinhas mostra como uma propriedade rural pode combinar criação animal, vegetação diversificada, rotação de pastagens e venda direta dentro de um mesmo sistema produtivo.
O que você acha desse modelo de produção: integrar árvores, galinhas, alpacas e gado para reduzir predadores e aumentar a sustentabilidade ou apostar em sistemas tradicionais de criação para ganhar escala? Deixe sua opinião!
