Experiência subterrânea no Sul catarinense combina turismo, memória industrial e cultura local, levando visitantes a percorrer galeria de mineração adaptada com estações temáticas, locomotiva histórica e narrativa sobre a formação econômica de Criciúma ao longo do século XX.
Em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, a Mina de Visitação Octávio Fontana mantém aberto ao público um percurso subterrâneo de cerca de 300 metros que apresenta a história da extração carbonífera e ajuda a explicar a formação econômica e cultural do município.
Instalada na antiga Mina São Simão, a atração foi inaugurada em outubro de 2011 e é divulgada pelo turismo local como a única mina de carvão mineral aberta à visitação na América Latina, além de figurar entre os espaços mais simbólicos da chamada Capital Brasileira do Carvão.
Durante o passeio, visitantes percorrem a galeria em uma minilocomotiva inspirada em um modelo de 1922 ou fazem o trajeto a pé, conforme a operação disponível no período.
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Ao longo do caminho, estações temáticas mostram ferramentas, técnicas, rotinas e aspectos da vida dos trabalhadores do carvão.
A estrutura fica na Rua Quintino Dal Pont, no bairro Archimedes Naspolini, e integra o roteiro turístico de uma cidade que transformou parte de sua memória industrial em experiência cultural.
O complexo também reúne exposições, loja, estacionamento e espaços ligados à devoção a Santa Bárbara, padroeira dos mineiros.
Passeio na mina de carvão em Criciúma

A visita à Mina Octávio Fontana busca reproduzir, de forma segura e guiada, o ambiente que marcou a mineração no Sul catarinense.
O visitante entra em uma galeria preparada para o turismo e acompanha a narrativa sobre a importância do carvão para o crescimento de Criciúma.
A minilocomotiva comporta pequenos grupos e percorre o trecho subterrâneo com paradas explicativas.
Nas estações, painéis e objetos ajudam a contextualizar o uso de equipamentos, a organização do trabalho e a relação da cidade com a atividade carbonífera ao longo do século XX.
Embora o passeio seja turístico, a proposta preserva o caráter histórico do local.
A antiga área de mineração foi adaptada para receber moradores, estudantes e viajantes interessados em compreender por que o carvão se tornou um dos elementos centrais da identidade criciumense.
Em 2023, entre janeiro e outubro, a mina recebeu 15.707 visitantes, segundo dados divulgados sobre o atrativo.
O número reforça o peso do equipamento no turismo regional, especialmente por reunir patrimônio industrial, memória operária e uma experiência incomum no continente.
História de Criciúma e formação cultural
A história de Criciúma antecede a exploração turística da mina e remonta a 6 de janeiro de 1880, quando famílias italianas vindas do norte da Itália chegaram à região e iniciaram a ocupação do território então conhecido como Cresciuma.
O nome fazia referência a uma vegetação abundante na área, associada à ideia de “taquara pequena” em língua indígena.
Com o passar das décadas, a localidade cresceu, consolidou atividades econômicas e se tornou um dos principais centros urbanos do Sul de Santa Catarina.
Depois dos italianos, outros grupos ajudaram a formar o perfil cultural da cidade, entre eles poloneses, alemães, portugueses, africanos, árabes e espanhóis.

Essa diversidade aparece na arquitetura, na religiosidade, na culinária e nas festas populares do município.
A Festa das Etnias representa uma das expressões mais conhecidas dessa mistura cultural.
Realizado no Centro de Eventos José Ijair Conti, o evento reúne gastronomia típica, apresentações artísticas e manifestações ligadas às comunidades que participaram da formação de Criciúma.
O que visitar em Criciúma além da mina
Além da Mina Octávio Fontana, Criciúma concentra atrações que ajudam a contar diferentes capítulos da cidade.
A Gruta Nossa Senhora de Lourdes, construída em 1946, reúne pedras, vegetação nativa, fonte natural e uma imagem religiosa em uma área tradicional de visitação.
Outro ponto de referência é a Praça do Congresso, criada no contexto do Congresso Eucarístico realizado na cidade e depois transformada em espaço público com áreas verdes, monumentos e locais de convivência.
O local segue ligado à memória urbana e religiosa de Criciúma.
No esporte, o Estádio Heriberto Hülse, conhecido como Majestoso, é a casa do Criciúma Esporte Clube.
Inaugurado em 1955, o estádio recebeu partidas da Copa Libertadores da América de 1992 e permanece como um dos símbolos mais reconhecidos da cidade.
Esses atrativos ficam relativamente próximos da área central e permitem montar um roteiro de curta duração.
A combinação entre mina, patrimônio religioso, praça histórica e estádio mostra como Criciúma articula turismo, identidade local e memória coletiva.
Gastronomia típica italiana em Criciúma
A culinária criciumense também carrega a influência dos imigrantes que formaram a cidade.
Nas cantinas e restaurantes tradicionais, massas, polenta, galeto e sobremesas de origem familiar continuam presentes no cardápio, especialmente em casas ligadas à cozinha italiana.
A polenta com frango ao molho aparece entre os pratos mais associados às famílias do Sul catarinense.
Já o galeto ao primo canto mantém espaço em rodízios e almoços típicos, com temperos que remetem às tradições trazidas pelos colonizadores.
Sobremesas como sagu com creme também seguem populares, principalmente em refeições de inspiração italiana.
Preparado com vinho tinto e pérolas de tapioca, o doce integra uma memória afetiva que atravessa gerações na região carbonífera.
Outro prato lembrado é a fortaia, uma omelete rústica feita com ovos e ingredientes como linguiça ou presunto.
A receita simples dialoga com refeições de trabalhadores e famílias que buscavam comida rápida, nutritiva e adaptada à rotina local.
Melhor época para visitar Criciúma
Criciúma pode ser visitada ao longo do ano, mas cada estação favorece uma experiência diferente.
No verão, os dias mais longos facilitam passeios urbanos e deslocamentos até praias próximas do litoral Sul catarinense.
No outono, as temperaturas mais amenas favorecem roteiros culturais, visitas à mina e caminhadas por áreas abertas.
O inverno costuma valorizar a gastronomia, especialmente as cantinas italianas, enquanto a primavera reforça a programação cultural e os espaços ao ar livre.
Para visitar a mina, o ideal é confirmar previamente horários, valores e forma de realização do passeio, já que a operação da locomotiva pode passar por ajustes ou períodos de manutenção.
A atração é paga e funciona com atendimento turístico organizado no próprio complexo.
Com a galeria subterrânea, a locomotiva histórica e o acervo sobre a mineração, a Mina Octávio Fontana permanece como um dos principais cartões de visita de Criciúma e preserva, em escala turística, parte da trajetória que moldou a cidade do carvão.

