Terreno australiano guarda uma antiga passagem da corrida do ouro, recuperada após a retirada manual de toneladas de entulho e integrada a uma propriedade autossuficiente.
Escondido sob a colina, o túnel ganhou uma função inesperada e tornou-se um dos principais atrativos do imóvel.
Um terreno sem água encanada, ocupado por um galpão de chão de terra e antigas estruturas de mineração, tornou-se uma propriedade autossuficiente com uma atração incomum escondida sob a colina, depois que seus donos recuperaram uma passagem histórica ligada à corrida do ouro australiana.
Em Yapeen, no estado de Victoria, Robert e Mary retiraram entre 40 e 50 toneladas de entulho de uma antiga mina e transformaram o túnel de 100 metros, situado quase 19 metros abaixo da superfície, em uma adega subterrânea para receber convidados.
Batizada de Mopoke Hill, a propriedade está anunciada por A$ 1,695 milhão e ocupa 21,12 hectares de vegetação nativa, perto das cidades de Castlemaine e Daylesford, numa região marcada pela mineração de ouro durante o século XIX.
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Propriedade em Yapeen preserva marcas da mineração de ouro
Quando o terreno foi adquirido, havia poucas instalações modernas, mas a área preservava um galpão antigo, poços de mineração e restos da roda-d’água da McCanns Mine, além de uma vista aberta para as copas das árvores e os Pireneus australianos.

Mesmo sem água corrente e com infraestrutura limitada, o casal decidiu desenvolver uma residência integrada à paisagem, aproveitando materiais disponíveis no próprio terreno e mantendo visíveis elementos que remetiam à atividade mineradora realizada no local décadas antes.
Projetada com a participação do arquiteto Ian Lovell e do construtor Steve Cracknell, a casa principal recebeu paredes e pisos externos feitos com parte do arenito retirado da propriedade, recurso que aproximou a arquitetura contemporânea da formação rochosa ao redor.
Grandes superfícies de vidro, janelas posicionadas em pontos elevados e ambientes voltados para o vale foram incorporados ao projeto, enquanto a antiga passagem subterrânea permanecia escondida na encosta, tomada por sedimentos e materiais acumulados ao longo do tempo.
Túnel de 100 metros exigiu retirada de até 50 toneladas
Para liberar o túnel, Robert usou picareta, pá e um pequeno cortador de grama adaptado com uma caçamba, combinação improvisada que permitiu transportar o entulho para fora sem recorrer a equipamentos pesados dentro da passagem estreita.
Ao término da limpeza, o volume retirado foi estimado entre 40 e 50 toneladas, quantidade suficiente para abrir aproximadamente 100 metros do antigo corredor, associado a uma mina que teria operado entre as décadas de 1860 e 1870.
Além da extensão, a profundidade chamou atenção porque o trecho transformado em adega fica quase 19 metros abaixo do nível do terreno, protegido das variações mais intensas de temperatura que atingem a superfície durante o verão australiano.
Robert relatou ao portal realestate.com.au que o ambiente continua fresco mesmo quando os termômetros externos chegam a 40 graus Celsius, característica que tornou a passagem adequada ao armazenamento de vinhos e ao uso como espaço de convivência.
Antiga mina de ouro virou adega subterrânea
Depois de alcançar o fim acessível do túnel, o proprietário decidiu aproveitar as condições naturais do local, instalando ali uma adega que também passou a receber encontros com familiares e amigos em um cenário marcado por paredes de rocha.

Em algumas ocasiões, o casal promoveu churrascos dentro da antiga mina, transformando o corredor subterrâneo em uma extensão incomum das áreas sociais da casa, sem apagar os vestígios históricos que diferenciavam a estrutura de um cômodo convencional.
Embora a propriedade mantenha estruturas ligadas à mineração, Robert afirmou não ter encontrado ouro durante a escavação, enquanto um amigo que costuma procurar pequenas partículas no terreno teria localizado apenas alguns fragmentos em visitas realizadas ao local.
Mais do que uma descoberta mineral, o principal atrativo passou a ser a adaptação arquitetônica de uma passagem antiga, cuja entrada discreta não revela, para quem observa do lado de fora, a dimensão real do espaço aberto dentro da colina.
No interior, a combinação entre paredes de rocha, iluminação e profundidade produz o aspecto de uma caverna, enquanto os 100 metros de extensão fazem a adega avançar muito além do que a pequena abertura visível na paisagem sugere.
Casa autossuficiente armazena 130 mil litros de água
Paralelamente à recuperação da mina, Mopoke Hill foi estruturada para operar sem depender integralmente das redes convencionais, reunindo 24 baterias, aquecimento solar de água e um gerador de apoio para manter o funcionamento da residência.
O abastecimento hídrico ocorre por meio de dois grandes reservatórios, capazes de armazenar aproximadamente 130 mil litros de água, solução necessária para uma propriedade que originalmente não contava com ligação regular à rede de abastecimento.
Distribuída em três quartos, dois banheiros e quatro vagas para veículos, a residência principal integra áreas internas voltadas para a paisagem, enquanto uma construção independente de dois pavimentos amplia as possibilidades de uso do conjunto imobiliário.
Nesse segundo edifício, sala, banheiro e dormitório no andar superior permitem acomodar hóspedes, familiares ou atividades profissionais, oferecendo uma alternativa separada da casa principal sem romper a unidade visual criada pelos materiais e pela implantação no terreno.
Distribuídos ao redor das construções, um lago com cascata, duas represas, trilhas internas, depósitos e uma oficina instalada numa antiga pedreira ampliam os usos do terreno e reforçam o caráter autossuficiente e diversificado da propriedade.
Também permanecem preservados os remanescentes da roda-d’água da McCanns Mine, mantendo uma ligação visível entre a residência atual e a atividade mineradora que marcou a história do terreno durante o período da corrida do ouro.
Imóvel australiano reúne pedra, vidro e paisagem natural
Dentro da casa principal, piso de concreto polido, lareira incorporada a uma parede de arenito, cozinha com bancada central e áreas externas voltadas para o vale combinam materiais robustos com uma distribuição planejada para aproveitar a luz natural.
Uma das fachadas do banheiro recebeu uma grande superfície de vidro diante da vegetação, enquanto janelas instaladas acima da linha convencional das paredes iluminam os ambientes internos sem eliminar a sensação de privacidade procurada no projeto.
Ao realestate.com.au, a agente imobiliária Blasi Mulholland afirmou que visitantes interessados na propriedade costumam se surpreender com o túnel e com o caráter histórico do espaço, apresentado como um dos elementos mais marcantes de Mopoke Hill.
Na avaliação da profissional, o imóvel pode atender compradores interessados em privacidade, trabalho remoto ou uma residência de fim de semana fora de Melbourne, combinação favorecida pelos mais de 21 hectares e pela estrutura independente existente no terreno.
Usada durante anos como refúgio antes de se tornar residência permanente, a propriedade agora aparece no mercado por A$ 1,695 milhão, com a antiga mina convertida em adega apresentada entre seus principais diferenciais arquitetônicos e históricos.
Ao lado do sistema autossuficiente, da construção em pedra e da paisagem natural, o túnel de 100 metros reforça a singularidade do anúncio ao reunir, no mesmo imóvel, memória da mineração, adaptação residencial e espaço de convivência subterrâneo.
Você teria coragem de percorrer uma passagem de 100 metros sob uma casa para conhecer uma adega instalada quase 19 metros abaixo da terra, cercada por paredes de rocha ligadas à antiga mineração de ouro?

