Protótipo testado em Sapucaia do Sul usou resíduos de construção e demolição para fabricar blocos reciclados, com resistência informada de 7,5 MPa, redução estimada de 3.996 kg de CO2 e proposta de aplicar tecnologia em moradias populares, segundo reportagem do Massa Cinzenta publicada em 24/08/2011 originalmente.
A casa feita com entulho no Rio Grande do Sul mostrou, ainda em 2011, como resíduos de construção e demolição poderiam deixar de ocupar lixões e voltar ao setor como matéria-prima para habitação popular. O protótipo foi desenvolvido em Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, com 52 m², dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro.
Segundo reportagem publicada pelo Massa Cinzenta, do Portal Itambé, em 24 de agosto de 2011, a tecnologia usava 32,8 toneladas de Resíduos de Construção e Demolição, os chamados RCDs, para produzir 8.640 blocos. O custo estimado da moradia era de cerca de R$ 45 mil, com possibilidade, à época, de buscar enquadramento em programas habitacionais.
Entulho virou matéria-prima para moradia

O projeto partia de uma pergunta simples, mas ainda atual para a construção civil: o que fazer com o volume de resíduos gerados por obras, reformas e demolições? De acordo com dados citados na reportagem, uma cidade do tamanho de Porto Alegre produzia 242 toneladas de RCD por hora.
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A casa feita com entulho tentava responder a esse problema pela lógica da reciclagem. Em vez de tratar restos de obras apenas como descarte, o sistema propunha triturar, separar e transformar o material em agregados capazes de virar blocos para construção de moradias populares.
Protótipo nasceu em Sapucaia do Sul
A iniciativa foi testada em Sapucaia do Sul, município da região metropolitana de Porto Alegre. O modelo apresentado tinha 52 m², medida compatível com uma residência popular compacta, formada por dois dormitórios, cozinha, sala e banheiro.
O foco da proposta não era uma casa experimental de luxo, mas uma alternativa de menor custo para habitação de baixa renda. O dado mais forte está na escala do reaproveitamento: 32,8 toneladas de resíduos convertidas em 8.640 blocos.
Custo estimado era de R$ 45 mil
A reportagem informou que a residência custava cerca de R$ 45 mil. Esse valor estava ligado ao modelo apresentado em 2011, com a tecnologia de reciclagem de entulho e fabricação dos blocos a partir dos resíduos processados.
Como se trata de dado de 2011, o valor não deve ser tratado como preço atual de construção. O número serve para entender a proposta original do protótipo e o objetivo de reduzir custos em projetos de habitação popular.
Máquina fazia separação dos resíduos

O empresário Josely Rosa, diretor-presidente do grupo Baram, explicou à reportagem que o sistema dependia de um kit de máquinas recicladoras. Esses equipamentos faziam a separação dos resíduos e permitiam transformar restos de obra em agregado para a fabricação dos tijolos.
Segundo ele, materiais como argamassa, areia, cerâmica, concreto, madeira, metais, papéis, plásticos, pedras, tijolos e tintas podiam passar pelo processo. Os fragmentos mais grossos também poderiam ser usados como material para o contrapiso da residência.
Bloco reciclado tinha resistência informada de 7,5 MPa
Um dos argumentos técnicos apresentados era a resistência do tijolo feito exclusivamente com agregados reciclados. A reportagem informou que o bloco atingia 7,5 MPa, medida usada para indicar resistência mecânica.
O texto também comparava esse desempenho ao tijolo cerâmico tradicional, afirmando que o material reciclado era três vezes mais resistente. A informação reforçava a proposta de transformar resíduo de obra em componente estrutural útil, não apenas em material de baixo valor.
Reciclagem também reduzia impacto ambiental
Além do custo e da resistência, o projeto destacava o impacto ambiental. A quantidade de blocos necessária para erguer a casa evitaria, segundo dados citados do Ministério de Minas e Energia, a emissão de 3.996 kg de CO2.
A reportagem também associava essa economia ao equivalente a 21 árvores. O dado mostrava que a casa feita com entulho era apresentada não apenas como alternativa habitacional, mas também como estratégia de redução de descarte e emissões no setor da construção.
RCD ainda era problema urbano
A fonte lembrava que, apesar de haver resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente desde 2002 sobre resíduos de construção e demolição, parte do material ainda acabava misturada aos lixões das cidades.
Esse é o ponto urbano da pauta: o entulho não é apenas sobra de obra. Quando descartado de forma inadequada, ele ocupa espaço, gera custo público, degrada áreas e desperdiça material que poderia voltar para a cadeia produtiva.
Tecnologia mirava habitação popular

O próximo passo citado por Josely Rosa era tentar colocar o sistema construtivo da casa à base de entulho reciclado entre os modelos aptos a integrar o programa Minha Casa, Minha Vida, conforme o contexto informado em 2011.
A matéria também mencionava projetos de lei que tramitavam no Congresso Nacional à época e que buscavam estimular a reutilização de resíduos de construção civil. Portanto, a proposta tinha ambição de sair do protótipo e chegar à produção em série.
Leis poderiam estimular uso de reciclados
Segundo a reportagem, um dos projetos em tramitação previa que empresas de construção civil, para participar de licitações de obras públicas, teriam de utilizar resíduos reciclados.
O mesmo contexto legislativo previa vantagens para empresas privadas que investissem em capacitação tecnológica para reduzir resíduos ou usar material reciclado. Entre os benefícios citados estavam prazos especiais para tributos, incentivos fiscais à importação de tecnologias e acesso a programas de financiamento.
Fundo específico também era previsto
Outro ponto citado era a criação de Fundos de Resíduos da Construção Civil em cada região. Esses fundos poderiam ser formados por doações de entidades nacionais e internacionais, pessoas físicas e outras receitas eventuais.
A finalidade seria recuperar áreas degradadas por descarte irregular e incentivar estudos e pesquisas em técnicas de reciclagem. Na prática, o protótipo de Sapucaia do Sul aparecia como exemplo concreto de uma política que poderia unir obra, reciclagem e habitação.
Mais de 90% dos resíduos poderiam ser reaproveitados
Josely Rosa afirmou à reportagem que mais de 90% dos resíduos oriundos da construção civil poderiam ser reaproveitados com o emprego de agregados com características semelhantes às do produto original.
Esse dado era central para defender o potencial do sistema. Se aplicado em escala, o reaproveitamento poderia reduzir a pressão sobre aterros, diminuir a extração de novos materiais e criar uma cadeia de reciclagem voltada ao setor de obras.
Casa feita com entulho não era improviso
Apesar do nome chamar atenção, a casa feita com entulho não era descrita como uma construção improvisada. O projeto dependia de máquinas, separação de materiais, produção de agregados, fabricação de blocos e avaliação de resistência.
Esse enquadramento é importante para evitar interpretação errada. A proposta não era empilhar restos de obra, mas transformar resíduos processados em componentes construtivos, com aplicação definida dentro de um sistema de moradia popular.
Alternativa dependia de escala e regulamentação
O protótipo mostrava viabilidade técnica e ambiental, mas sua adoção em larga escala dependeria de fatores externos. Entre eles estavam regulamentação, aceitação por programas habitacionais, investimento em máquinas, capacitação e adaptação das construtoras.
Também seria necessário organizar a coleta e separação dos resíduos. Sem gestão do entulho na origem, a reciclagem perde eficiência e o custo do processo pode aumentar.
Construção civil poderia reduzir desperdício
A proposta de Sapucaia do Sul apontava para um problema estrutural da construção civil: o desperdício de material. Obras geram sobras, demolições descartam volumes altos e muitas cidades ainda enfrentam dificuldade para dar destino correto ao entulho.
Nesse cenário, transformar RCD em bloco reciclado pode ajudar a fechar um ciclo. O material sai de uma obra, passa por processamento e volta em forma de componente para outra construção, reduzindo descarte e demanda por matéria-prima nova.
Protótipo segue como exemplo de debate
A reportagem é de 2011, por isso não deve ser lida como novidade atual. Ainda assim, o caso continua relevante como exemplo de solução técnica para um problema recorrente: o acúmulo de entulho urbano e o custo da habitação popular.
A casa feita com entulho mostrou que resíduos de obra poderiam virar moradia com medidas concretas: 32,8 toneladas processadas, 8.640 blocos fabricados, 52 m² construídos e custo estimado de R$ 45 mil no contexto da época.
Resíduo de obra pode virar política habitacional
O caso do Rio Grande do Sul mostra que o entulho da construção civil pode ser tratado como recurso, não apenas como problema. Quando processado corretamente, ele pode gerar agregado, bloco, contrapiso e soluções voltadas à moradia.
A discussão que fica é direta: se cidades produzem toneladas de resíduos de construção todos os dias, faz sentido continuar desperdiçando esse material enquanto faltam alternativas para habitação popular?
Você acha que casas feitas com entulho reciclado deveriam receber mais incentivo público e privado? Deixe sua opinião nos comentários.
