A carga offshore proposta por pesquisadores noruegueses usa um plugue magnético “plug and play” para transferir energia por indução, reduzir corrosão, evitar viagens desnecessárias ao porto e ampliar a autonomia de barcos elétricos que operam em parques eólicos marítimos.
Pesquisadores noruegueses desenvolveram um plugue magnético capaz de permitir a carga offshore de barcos elétricos em alto-mar, sem contato físico entre as partes conectadas. O sistema foi projetado para operar em condições adversas, com vento, ondas e sal, e prevê alcançar até 5 MW de potência em escala industrial.
A solução mira principalmente embarcações que trabalham em parques eólicos marítimos, onde voltar ao porto para recarregar aumenta deslocamentos, consumo adicional e tempo parado. Com a carga offshore, esses barcos poderiam usar energia disponível no próprio ambiente de operação, reduzindo viagens desnecessárias e ampliando a eficiência.
O projeto Ocean Charger reúne um ecossistema industrial e científico interessado em eletrificar operações marítimas. Empresas como Vard e centros como SINTEF identificaram a conexão física como um gargalo para esse avanço, especialmente em ambientes offshore, onde desgaste, corrosão e manutenção constante elevam custos e riscos.
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Sistema substitui contatos metálicos por campos magnéticos
O plugue magnético troca conectores metálicos expostos por transferência de energia por campos magnéticos. Em vez de encaixar fisicamente duas peças vulneráveis ao ambiente marinho, o sistema utiliza bobinas encapsuladas em materiais resistentes à água salgada, algas e desgaste.
Quando as duas bobinas se aproximam, a energia passa de uma para a outra sem contato direto. Esse modelo reduz problemas típicos das conexões tradicionais, como corrosão, falhas mecânicas e manutenção frequente, além de elevar a segurança por eliminar faíscas, desgaste do encaixe e erros críticos de operação.
A proposta também simplifica o uso em condições reais de mar. O operador não precisa acertar um encaixe com precisão milimétrica, pois basta aproximar o conector, em um funcionamento descrito como semelhante a deixar uma xícara em um suporte.
Esse formato “plug and play” é uma parte central da carga offshore. A margem de movimento permite operação mesmo com ondulação, vento e visibilidade limitada, fatores que tornam a conexão física tradicional mais difícil e menos confiável em alto-mar.
Arquitetura técnica mira potência de até 5 MW
Embora o gesto de conexão pareça simples, a estrutura por trás do plugue magnético envolve uma cadeia técnica complexa. A eletricidade gerada, por exemplo, em um aerogerador, é convertida, transportada em alta tensão por cabo flexível, adaptada à alta frequência para transferência indutiva e novamente transformada a bordo para alimentar a bateria do barco.
O sistema depende de eletrônica de potência avançada, controles inteligentes e materiais capazes de suportar condições extremas. O desenho eletromagnético das bobinas é uma etapa crítica, pois dele depende a possibilidade de atingir potências elevadas em espaços relativamente compactos.
O protótipo atual alcança 50 kW, mas a meta industrial está em torno de 5 MW. Essa diferença mostra que o projeto ainda busca escalar sua capacidade, mantendo a eficiência em um formato compatível com as exigências de embarcações elétricas maiores.
A eficiência do sistema é descrita como comparável à carga convencional, mas sem os inconvenientes dos conectores físicos. A carga offshore também abre espaço para usar diretamente a eletricidade gerada no próprio parque eólico marítimo, consumindo energia local sem depender do transporte até a costa.
Energia eólica pode abastecer embarcações no próprio mar
Quando há geração eólica disponível, a energia pode ser enviada diretamente para os barcos elétricos. Quando não há vento, o sistema prevê a atuação do Offshore Substation Hub, conhecido como OSS, uma subestação marítima que funciona como armazenamento intermediário e nó energético.
Esse modelo busca reduzir perdas, otimizar o uso de renováveis e reforçar a autonomia energética em alto-mar. A lógica é manter as embarcações abastecidas dentro do próprio ambiente de trabalho, sem transformar cada recarga em uma viagem até o porto.
O foco inicial está nos Service Operation Vessels, os SOVs, embarcações usadas em parques eólicos marítimos. Esses barcos têm papel essencial na operação e manutenção das estruturas offshore, o que torna a autonomia energética um fator importante para a rotina industrial.
Aplicação pode ir além dos parques eólicos
O potencial do plugue magnético não se limita aos barcos de manutenção de parques eólicos. Buques de suministro, embarcações costeiras e operações de logística marítima também aparecem entre os possíveis beneficiados caso a infraestrutura seja implantada em escala.
A expansão poderia criar uma rede de “eletropostos marítimos” ao longo de rotas estratégicas. Nesse cenário, a carga offshore deixaria de ser uma solução pontual para parques eólicos e passaria a integrar uma infraestrutura mais ampla para embarcações elétricas.
Entre as possibilidades em análise estão a integração com hidrogênio verde como sistema complementar para longas distâncias, corredores marítimos elétricos na Europa, baterias de segunda vida em OSS e sincronização com redes inteligentes. Essas frentes aparecem ligadas ao objetivo de otimizar geração e consumo em operações marítimas.
O plugue magnético norueguês coloca a carga offshore no centro da eletrificação marítima ao combinar indução, operação sem contato físico e potência prevista de até 5 MW. A tecnologia busca reduzir corrosão, manutenção e viagens ao porto, mantendo barcos elétricos mais tempo em operação no próprio mar.
Com informações EcoInventos

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