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Barcos elétricos podem ganhar recarga no mar sem cabo encaixado graças a um plugue magnético norueguês de até 5 MW, criado para reduzir paradas, riscos e complicações nas operações marítimas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/04/2026 às 18:19
Atualizado em 27/04/2026 às 20:39
Plugue magnético norueguês permite carregar barcos elétricos em alto-mar sem contato físico e com potência prevista de 5 MW.
Plugue magnético norueguês permite carregar barcos elétricos em alto-mar sem contato físico e com potência prevista de 5 MW.
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A carga offshore proposta por pesquisadores noruegueses usa um plugue magnético “plug and play” para transferir energia por indução, reduzir corrosão, evitar viagens desnecessárias ao porto e ampliar a autonomia de barcos elétricos que operam em parques eólicos marítimos.

Pesquisadores noruegueses desenvolveram um plugue magnético capaz de permitir a carga offshore de barcos elétricos em alto-mar, sem contato físico entre as partes conectadas. O sistema foi projetado para operar em condições adversas, com vento, ondas e sal, e prevê alcançar até 5 MW de potência em escala industrial.

A solução mira principalmente embarcações que trabalham em parques eólicos marítimos, onde voltar ao porto para recarregar aumenta deslocamentos, consumo adicional e tempo parado. Com a carga offshore, esses barcos poderiam usar energia disponível no próprio ambiente de operação, reduzindo viagens desnecessárias e ampliando a eficiência.

O projeto Ocean Charger reúne um ecossistema industrial e científico interessado em eletrificar operações marítimas. Empresas como Vard e centros como SINTEF identificaram a conexão física como um gargalo para esse avanço, especialmente em ambientes offshore, onde desgaste, corrosão e manutenção constante elevam custos e riscos.

Plugue magnético norueguês permite carregar barcos elétricos em alto-mar sem contato físico e com potência prevista de 5 MW.

Sistema substitui contatos metálicos por campos magnéticos

O plugue magnético troca conectores metálicos expostos por transferência de energia por campos magnéticos. Em vez de encaixar fisicamente duas peças vulneráveis ao ambiente marinho, o sistema utiliza bobinas encapsuladas em materiais resistentes à água salgada, algas e desgaste.

Quando as duas bobinas se aproximam, a energia passa de uma para a outra sem contato direto. Esse modelo reduz problemas típicos das conexões tradicionais, como corrosão, falhas mecânicas e manutenção frequente, além de elevar a segurança por eliminar faíscas, desgaste do encaixe e erros críticos de operação.

A proposta também simplifica o uso em condições reais de mar. O operador não precisa acertar um encaixe com precisão milimétrica, pois basta aproximar o conector, em um funcionamento descrito como semelhante a deixar uma xícara em um suporte.

Esse formato “plug and play” é uma parte central da carga offshore. A margem de movimento permite operação mesmo com ondulação, vento e visibilidade limitada, fatores que tornam a conexão física tradicional mais difícil e menos confiável em alto-mar.

Arquitetura técnica mira potência de até 5 MW

Embora o gesto de conexão pareça simples, a estrutura por trás do plugue magnético envolve uma cadeia técnica complexa. A eletricidade gerada, por exemplo, em um aerogerador, é convertida, transportada em alta tensão por cabo flexível, adaptada à alta frequência para transferência indutiva e novamente transformada a bordo para alimentar a bateria do barco.

O sistema depende de eletrônica de potência avançada, controles inteligentes e materiais capazes de suportar condições extremas. O desenho eletromagnético das bobinas é uma etapa crítica, pois dele depende a possibilidade de atingir potências elevadas em espaços relativamente compactos.

O protótipo atual alcança 50 kW, mas a meta industrial está em torno de 5 MW. Essa diferença mostra que o projeto ainda busca escalar sua capacidade, mantendo a eficiência em um formato compatível com as exigências de embarcações elétricas maiores.

A eficiência do sistema é descrita como comparável à carga convencional, mas sem os inconvenientes dos conectores físicos. A carga offshore também abre espaço para usar diretamente a eletricidade gerada no próprio parque eólico marítimo, consumindo energia local sem depender do transporte até a costa.

Energia eólica pode abastecer embarcações no próprio mar

Quando há geração eólica disponível, a energia pode ser enviada diretamente para os barcos elétricos. Quando não há vento, o sistema prevê a atuação do Offshore Substation Hub, conhecido como OSS, uma subestação marítima que funciona como armazenamento intermediário e nó energético.

Esse modelo busca reduzir perdas, otimizar o uso de renováveis e reforçar a autonomia energética em alto-mar. A lógica é manter as embarcações abastecidas dentro do próprio ambiente de trabalho, sem transformar cada recarga em uma viagem até o porto.

O foco inicial está nos Service Operation Vessels, os SOVs, embarcações usadas em parques eólicos marítimos. Esses barcos têm papel essencial na operação e manutenção das estruturas offshore, o que torna a autonomia energética um fator importante para a rotina industrial.

Aplicação pode ir além dos parques eólicos

O potencial do plugue magnético não se limita aos barcos de manutenção de parques eólicos. Buques de suministro, embarcações costeiras e operações de logística marítima também aparecem entre os possíveis beneficiados caso a infraestrutura seja implantada em escala.

A expansão poderia criar uma rede de “eletropostos marítimos” ao longo de rotas estratégicas. Nesse cenário, a carga offshore deixaria de ser uma solução pontual para parques eólicos e passaria a integrar uma infraestrutura mais ampla para embarcações elétricas.

Entre as possibilidades em análise estão a integração com hidrogênio verde como sistema complementar para longas distâncias, corredores marítimos elétricos na Europa, baterias de segunda vida em OSS e sincronização com redes inteligentes. Essas frentes aparecem ligadas ao objetivo de otimizar geração e consumo em operações marítimas.

O plugue magnético norueguês coloca a carga offshore no centro da eletrificação marítima ao combinar indução, operação sem contato físico e potência prevista de até 5 MW. A tecnologia busca reduzir corrosão, manutenção e viagens ao porto, mantendo barcos elétricos mais tempo em operação no próprio mar.

Com informações EcoInventos

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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