O câncer colorretal, que afeta o cólon e o reto, tornou-se uma das maiores preocupações da saúde pública global. Atualmente, a doença ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais comuns do mundo e já representa a segunda principal causa de mortes relacionadas à doença. Além disso, pesquisas recentes mostram que sua incidência continua crescendo, especialmente entre adultos mais jovens.
O alerta ganhou força após análises divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão vinculado à ONU. Os dados indicam que uma parcela significativa dos casos poderia ser evitada por meio de mudanças em hábitos de vida, vacinação contra infecções associadas ao câncer e políticas públicas de prevenção.
Casos evitáveis representam milhões de diagnósticos
Um estudo global publicado em fevereiro de 2026 na revista Nature Medicine analisou 36 tipos de câncer em 185 países. A pesquisa concluiu que aproximadamente 37,8% dos novos casos registrados em 2022 estavam ligados a fatores de risco modificáveis, ou seja, causas que poderiam ser reduzidas ou eliminadas. Isso corresponde a cerca de 7,1 milhões de diagnósticos potencialmente evitáveis.
A investigação foi conduzida por pesquisadores da IARC e da OMS, incluindo o médico André Ilbawi, líder da área de Controle do Câncer da organização, e Isabelle Soerjomataram, vice-chefe da Unidade de Vigilância do Câncer da IARC. O trabalho incorporou pela primeira vez fatores infecciosos ao cálculo global dos riscos preveníveis.
-
NASA olha de novo para o buraco negro M87* e encontra no jato cósmico detalhes em raios X que parecem revelar um universo muito mais inquieto do que se imaginava
-
Sonda espacial da NASA passa a apenas 4.609 km de Marte, recebe impulso de 1.600 km/h e segue rumo ao asteroide 16 Psyche, corpo avaliado em até US$ 10.000.000.000.000.000
-
Bactéria escondida nas águas congelantes da Antártida intriga cientistas ao produzir composto raro que mira células de melanoma sem atingir tecidos saudáveis
-
DNA de 5.500 anos encontrado em ossos da Idade da Pedra revela que a peste já assustava comunidades pré-históricas muito antes da Peste Negra medieval
Tabagismo continua sendo o maior fator de risco
Os pesquisadores identificaram o tabagismo como a principal causa evitável associada ao câncer no mundo. Sozinho, o consumo de tabaco esteve relacionado a cerca de 15% de todos os novos casos registrados em 2022. Em homens, esse percentual chegou a aproximadamente 23%.
As infecções ficaram em segundo lugar entre os fatores preveníveis, respondendo por cerca de 10% dos casos globais. O consumo de álcool apareceu na sequência, associado a aproximadamente 3% dos diagnósticos.
Além disso, obesidade, sedentarismo, poluição atmosférica, exposição excessiva à radiação ultravioleta e determinados riscos ocupacionais também contribuíram para milhões de casos em todo o planeta.

Câncer colorretal preocupa pelo crescimento entre jovens
Embora o estudo global tenha apontado o câncer de pulmão, o câncer de estômago e o câncer do colo do útero como os mais associados a fatores preveníveis, o câncer colorretal chama atenção por outro motivo: seu avanço entre pessoas com menos de 50 anos.
Dados reunidos por pesquisadores e entidades médicas internacionais mostram que os casos em adultos jovens vêm aumentando em diversos países desde a década passada. A tendência preocupa porque muitos pacientes não pertencem aos grupos tradicionalmente considerados de risco.
Médicos destacam que o diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura. Em estágios iniciais, as taxas de sobrevivência podem superar 90%, enquanto casos avançados apresentam prognósticos mais complexos.
Mudanças de hábitos podem reduzir o risco
As evidências científicas apontam que parte significativa dos casos pode ser evitada por meio de hábitos saudáveis.
Entre as principais medidas recomendadas por organizações internacionais estão:
- Não fumar;
- Reduzir ou evitar o consumo de álcool;
- Manter peso adequado;
- Praticar atividade física regularmente;
- Priorizar alimentação rica em frutas, verduras e fibras;
- Reduzir o consumo de carnes processadas;
- Realizar exames preventivos conforme orientação médica;
- Manter a vacinação contra HPV e hepatite B em dia.
Segundo a OMS, essas ações representam uma das estratégias mais eficazes para diminuir a carga global do câncer nas próximas décadas.
Número de casos deve continuar crescendo
Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, projeções internacionais indicam que o número total de casos de câncer continuará aumentando.
Estimativas do estudo Global Burden of Disease apontam que o mundo registrou cerca de 18,5 milhões de novos casos de câncer e 10,4 milhões de mortes em 2023. Caso as tendências atuais persistam, os diagnósticos anuais poderão alcançar aproximadamente 30,5 milhões até 2050.
Para pesquisadores da Universidade de Washington envolvidos no levantamento, o envelhecimento populacional e a exposição contínua a fatores de risco evitáveis explicam boa parte desse crescimento projetado.
Prevenção continua sendo a principal ferramenta
Os resultados reforçam uma conclusão compartilhada por organismos internacionais de saúde: prevenir continua sendo mais eficiente do que tratar.
A análise liderada pela OMS e pela IARC mostra que milhões de casos poderiam deixar de acontecer com medidas já conhecidas pela ciência. Por isso, campanhas antitabagismo, vacinação, alimentação saudável, atividade física e acesso a exames preventivos seguem entre as principais estratégias para reduzir o impacto do câncer no mundo nas próximas décadas.
Fonte: ScienceAlert, Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e estudo publicado na revista Nature Medicine em fevereiro de 2026.


Seja o primeiro a reagir!