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Câncer colorretal avança no mundo, mas maioria dos casos pode ser evitada

Escrito por Keila Andrade
Publicado em 19/06/2026 às 12:03
Atualizado em 19/06/2026 às 12:06
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O câncer colorretal, que afeta o cólon e o reto, tornou-se uma das maiores preocupações da saúde pública global. Atualmente, a doença ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais comuns do mundo e já representa a segunda principal causa de mortes relacionadas à doença. Além disso, pesquisas recentes mostram que sua incidência continua crescendo, especialmente entre adultos mais jovens.

O alerta ganhou força após análises divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão vinculado à ONU. Os dados indicam que uma parcela significativa dos casos poderia ser evitada por meio de mudanças em hábitos de vida, vacinação contra infecções associadas ao câncer e políticas públicas de prevenção.

Casos evitáveis representam milhões de diagnósticos

Um estudo global publicado em fevereiro de 2026 na revista Nature Medicine analisou 36 tipos de câncer em 185 países. A pesquisa concluiu que aproximadamente 37,8% dos novos casos registrados em 2022 estavam ligados a fatores de risco modificáveis, ou seja, causas que poderiam ser reduzidas ou eliminadas. Isso corresponde a cerca de 7,1 milhões de diagnósticos potencialmente evitáveis.

A investigação foi conduzida por pesquisadores da IARC e da OMS, incluindo o médico André Ilbawi, líder da área de Controle do Câncer da organização, e Isabelle Soerjomataram, vice-chefe da Unidade de Vigilância do Câncer da IARC. O trabalho incorporou pela primeira vez fatores infecciosos ao cálculo global dos riscos preveníveis.

Tabagismo continua sendo o maior fator de risco

Os pesquisadores identificaram o tabagismo como a principal causa evitável associada ao câncer no mundo. Sozinho, o consumo de tabaco esteve relacionado a cerca de 15% de todos os novos casos registrados em 2022. Em homens, esse percentual chegou a aproximadamente 23%.

As infecções ficaram em segundo lugar entre os fatores preveníveis, respondendo por cerca de 10% dos casos globais. O consumo de álcool apareceu na sequência, associado a aproximadamente 3% dos diagnósticos.

Além disso, obesidade, sedentarismo, poluição atmosférica, exposição excessiva à radiação ultravioleta e determinados riscos ocupacionais também contribuíram para milhões de casos em todo o planeta.

Mudanças no estilo de vida não beneficiam apenas o fígado. Eles também reduzem os riscos de muitas outras condições. (Sebastian Kaulitzki/Getty Images)
Mudanças no estilo de vida não beneficiam apenas o fígado. Eles também reduzem os riscos de muitas outras condições. (Sebastian Kaulitzki/Getty Images)

Câncer colorretal preocupa pelo crescimento entre jovens

Embora o estudo global tenha apontado o câncer de pulmão, o câncer de estômago e o câncer do colo do útero como os mais associados a fatores preveníveis, o câncer colorretal chama atenção por outro motivo: seu avanço entre pessoas com menos de 50 anos.

Dados reunidos por pesquisadores e entidades médicas internacionais mostram que os casos em adultos jovens vêm aumentando em diversos países desde a década passada. A tendência preocupa porque muitos pacientes não pertencem aos grupos tradicionalmente considerados de risco.

Médicos destacam que o diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura. Em estágios iniciais, as taxas de sobrevivência podem superar 90%, enquanto casos avançados apresentam prognósticos mais complexos.

Mudanças de hábitos podem reduzir o risco

As evidências científicas apontam que parte significativa dos casos pode ser evitada por meio de hábitos saudáveis.

Entre as principais medidas recomendadas por organizações internacionais estão:

  • Não fumar;
  • Reduzir ou evitar o consumo de álcool;
  • Manter peso adequado;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Priorizar alimentação rica em frutas, verduras e fibras;
  • Reduzir o consumo de carnes processadas;
  • Realizar exames preventivos conforme orientação médica;
  • Manter a vacinação contra HPV e hepatite B em dia.

Segundo a OMS, essas ações representam uma das estratégias mais eficazes para diminuir a carga global do câncer nas próximas décadas.

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Número de casos deve continuar crescendo

Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, projeções internacionais indicam que o número total de casos de câncer continuará aumentando.

Estimativas do estudo Global Burden of Disease apontam que o mundo registrou cerca de 18,5 milhões de novos casos de câncer e 10,4 milhões de mortes em 2023. Caso as tendências atuais persistam, os diagnósticos anuais poderão alcançar aproximadamente 30,5 milhões até 2050.

Para pesquisadores da Universidade de Washington envolvidos no levantamento, o envelhecimento populacional e a exposição contínua a fatores de risco evitáveis explicam boa parte desse crescimento projetado.

Prevenção continua sendo a principal ferramenta

Os resultados reforçam uma conclusão compartilhada por organismos internacionais de saúde: prevenir continua sendo mais eficiente do que tratar.

A análise liderada pela OMS e pela IARC mostra que milhões de casos poderiam deixar de acontecer com medidas já conhecidas pela ciência. Por isso, campanhas antitabagismo, vacinação, alimentação saudável, atividade física e acesso a exames preventivos seguem entre as principais estratégias para reduzir o impacto do câncer no mundo nas próximas décadas.

Fonte: ScienceAlert, Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e estudo publicado na revista Nature Medicine em fevereiro de 2026.

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Keila Andrade

Jornalista há 20 anos, especialista em produção e planejamento de conteúdos online e offline para estruturas do marketing digital. Jornalista, especialista em SEO para estruturas do marketing digital (sites, blogs, redes sociais, infoprodutos, email-marketing, funil inbound marketing, landing pages).

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