Em uma virada que ninguém esperava, o Canadá está pronto para cortar a energia destinada aos Estados Unidos caso Donald Trump decida impor tarifas drásticas na fronteira. A tensão entre Canadá e EUA aumenta após declarações contundentes de Doug Ford, primeiro-ministro de Ontário.
Em uma jogada que pode abalar a economia norte-americana, o Canadá declarou que está preparado para cortar até 85% da energia fornecida aos EUA caso o ex-presidente Donald Trump avance com a imposição de tarifas de 25% sobre todos os produtos canadenses. Essa ameaça vem em resposta às declarações de Trump sobre a implementação de impostos abrangentes, visando pressionar a redução do fluxo de migrantes e drogas na fronteira.
Ameaça séria: Cortes de energia em jogo
Doug Ford, primeiro-ministro de Ontário e líder do partido conservador de oposição, afirmou que a maior província do Canadá não hesitará em usar a energia como ferramenta de retaliação. “Vamos montar a nossa lista e tenho certeza que as outras províncias também o farão. Mas iremos até ao fim, dependendo de até onde isso vai. Iremos ao ponto de cortar a energia deles”, declarou Ford após uma reunião com o primeiro-ministro Justin Trudeau e outros homólogos provinciais.
A ameaça canadense é particularmente grave considerando que 60% das importações de petróleo bruto dos EUA vêm do Canadá, e impressionantes 85% das importações de eletricidade americanas também são fornecidas pelo vizinho do norte. Cerca de 3,6 bilhões de dólares canadenses em bens e serviços atravessam a fronteira diariamente, tornando-se um pilar essencial do comércio entre os dois países.
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Impacto econômico e respostas globais
Grace Lee, porta-voz de Ford, destacou que Ontário abasteceu 1,5 milhão de residências nos EUA em 2023 e é um grande exportador de energia para estados como Michigan, Minnesota e Nova York. “Usaremos todas as ferramentas em nossa caixa de ferramentas para contra-atacar. Não podemos sentar e rolar. Simplesmente não o faremos como país”, enfatizou Ford.
A resposta dos EUA ainda não foi clara, com a equipe de transição de Trump não respondendo imediatamente ao pedido de comentário sobre a ameaça canadense de cortar a energia. Enquanto isso, o governo canadense, liderado por Justin Trudeau, alertou que as tarifas seriam “absolutamente devastadoras” para a economia do Canadá e trariam dificuldades significativas para os americanos, com aumentos nos preços de alimentos, vestuário, automóveis e outros bens essenciais.
Economistas já sinalizam que as tarifas de 25% provavelmente serão repassadas para os consumidores, exacerbando a inflação e afetando milhões de americanos. A Associação de Distribuidores de Produtos em Washington alertou que os preços de frutas, legumes frescos e outros produtos essenciais sofreriam aumentos substanciais, prejudicando especialmente os agricultores dos EUA.
Além das implicações econômicas, a disputa energética entre Canadá e EUA destaca a interdependência complexa entre os dois países, que juntos movimentam cerca de 3,6 bilhões de dólares canadenses em comércio diário. Qualquer interrupção no fornecimento de energia pode ter repercussões de longo alcance, afetando desde residências até grandes indústrias nos EUA.
Com as negociações ainda incertas e a possibilidade de uma escalada ainda presente, a energia permanece no centro de uma das mais tensas relações comerciais entre o Canadá e os EUA nos últimos anos. O desenrolar dessa crise determinará não apenas o futuro das relações bilaterais, mas também o bem-estar de milhões de consumidores e empresas em ambos os lados da fronteira.
