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Caminhão a gás movido a biometano entra na rota do açúcar até o Porto de Santos e mostra como resíduos da cana podem abastecer operações pesadas com nove eixos, 74 toneladas, menor ruído e autonomia de até 700 km

Escrito por Carla Teles
Publicado em 15/05/2026 às 22:48
Atualizado em 15/05/2026 às 22:51
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Caminhão a biometano entra na Biorrota do açúcar até o Porto de Santos com menor ruído e operação pesada de nove eixos.
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O caminhão movido a biometano integra a Biorrota, projeto que leva açúcar da usina ao Porto de Santos usando gás produzido a partir da vinhaça da cana. A operação reúne nove eixos, 74 toneladas, até 700 km de autonomia, menor ruído e proposta de reduzir emissões na logística pesada brasileira.

O caminhão a gás movido a biometano entrou na rota do açúcar até o Porto de Santos durante a apresentação do projeto Biorrota, iniciativa ligada à Coperçúcar e a transportadoras que operam no fluxo entre usinas e o terminal açucareiro. A operação mostra um modelo pesado, 6×4, com nove eixos e capacidade para 74 toneladas.

Com informações do canal Planeta Caminhão, o projeto foi apresentado no terminal açucareiro da Coperçúcar, no Porto de Santos, em uma rota usada para levar açúcar commodity das usinas até a exportação. A proposta é usar biometano produzido a partir de resíduos da cana, como vinhaça e torta de filtro, para abastecer caminhões pesados que antes dependiam principalmente do diesel.

Biorrota leva açúcar da usina ao Porto de Santos

Caminhão a biometano entra na Biorrota do açúcar até o Porto de Santos com menor ruído e operação pesada de nove eixos.

A Biorrota foi criada para conectar a produção das usinas ao Porto de Santos usando caminhões movidos a biometano. O trajeto envolve o transporte de açúcar em rodocaçambas, uma operação pesada que exige força, autonomia e capacidade para lidar com estrada, carga alta e trechos de uso misto.

O ponto central é que o combustível nasce dentro do próprio ciclo da cana. A vinhaça, resíduo gerado no processo da usina, passa por biodigestão e libera gás. Depois, o material restante pode voltar ao canavial como fonte de potássio, mantendo sua função agrícola.

Essa lógica cria um elo entre produção rural, transporte e exportação. Em vez de tratar o resíduo apenas como subproduto, a usina transforma parte dele em energia para mover a frota que carrega o açúcar até o porto.

O modelo chama atenção porque não se limita a uma operação leve ou urbana. O caminhão está sendo usado em uma aplicação de nove eixos, com 74 toneladas, justamente em uma das rotas logísticas mais exigentes do país.

Caminhão a gás chega às operações pesadas de nove eixos

Caminhão a biometano entra na Biorrota do açúcar até o Porto de Santos com menor ruído e operação pesada de nove eixos.

Durante muito tempo, caminhões a gás foram associados a operações urbanas, entregas, coleta e aplicações menos severas. Agora, o avanço para modelos 6×4 e conjuntos de nove eixos mostra uma tentativa de levar essa tecnologia para cargas mais pesadas.

O caminhão citado no projeto tem 460 cavalos e 2.300 Nm de torque, números próximos aos de modelos diesel da mesma faixa de potência. A diferença está na forma como o motor entrega força, já que o ciclo do gás tem comportamento distinto do diesel.

Para compensar essa característica, a transmissão foi ajustada. As primeiras marchas são mais reduzidas, com uma relação pesada para dar sensação de força na saída, enquanto as marchas finais são alongadas para manter giro mais baixo na estrada.

Esse acerto é importante porque o motorista precisa sentir confiança ao sair carregado, enfrentar trechos mistos e operar com uma composição pesada. Em transporte de açúcar, qualquer perda de desempenho pode afetar prazo, consumo e segurança.

Biometano vem da vinhaça e da torta de filtro

O biometano usado na Biorrota vem de resíduos do processo da cana. A vinhaça, antes aplicada diretamente no canavial como fertilizante por ser rica em potássio, passa por biodigestores capazes de capturar gás sem eliminar sua função agrícola.

A usina ganha uma etapa intermediária no ciclo produtivo. Primeiro, extrai energia do resíduo. Depois, devolve o material tratado ao campo, mantendo o aproveitamento do potássio na adubação.

Quando não é período de colheita, o processo também pode usar torta de filtro, outro resíduo gerado na indústria da cana. Isso ajuda a manter a produção de biometano ao longo do ano, reduzindo a dependência de uma única matéria-prima.

Na prática, o caminhão passa a ser abastecido por um combustível ligado à própria cadeia que ele atende. A cana gera açúcar, o resíduo gera gás, o gás move o transporte e a carga segue para exportação.

Autonomia pode chegar a 700 km com tanques extras

Caminhão a biometano entra na Biorrota do açúcar até o Porto de Santos com menor ruído e operação pesada de nove eixos.

A autonomia original do caminhão a gás é informada em torno de 450 km. Com tanques extras instalados atrás da cabine, essa capacidade pode chegar a até 700 km, ampliando o raio de operação em rotas rodoviárias.

Esse ponto é decisivo para transporte pesado. Sem autonomia suficiente, o caminhão fica preso a rotas curtas ou depende de uma rede de abastecimento muito próxima. Ao alcançar até 700 km, o modelo passa a disputar espaço em operações mais longas e complexas.

Ainda assim, a infraestrutura de abastecimento continua sendo um fator estratégico. Para o biometano funcionar em escala, é preciso ter produção, compressão, armazenamento, pontos de abastecimento e planejamento de frota alinhados.

Por isso, a Biorrota funciona como um ecossistema. Não basta comprar o caminhão. A usina, as transportadoras, a rota e o combustível precisam conversar entre si para que a operação seja viável.

Menor ruído e ausência de Arla entram no pacote

Além da redução potencial de emissões, o caminhão a gás tem outras diferenças operacionais. Segundo a apresentação, o modelo é cerca de 25% mais silencioso, um ganho relevante para motoristas, áreas urbanas, terminais e operações contínuas.

O veículo também não utiliza Arla, porque não depende do mesmo sistema de pós-tratamento aplicado aos motores diesel. Isso simplifica parte da operação e elimina uma preocupação comum em frotas movidas a diesel.

Outro ponto citado é a ausência de particulados como os associados ao diesel. Em aplicações urbanas, essa característica já motivou adoção maior de caminhões a gás em operações de coleta e distribuição.

No caso do açúcar, o destaque é levar essas vantagens para um cenário mais pesado. A rota até o Porto de Santos exige força, frenagem, estabilidade e segurança, especialmente em trechos como a descida da Serra de Santos.

Segurança na descida da serra exige retarder

Um caminhão de 74 toneladas descendo a Serra de Santos precisa de controle. Como o motor a gás não tem o mesmo comportamento de freio motor do diesel, o modelo sai equipado com retarder na caixa.

O retarder ajuda a compensar a diferença do ciclo do motor, oferecendo mais segurança em descidas longas e pesadas. Em uma operação portuária, esse detalhe é essencial para preservar freios, reduzir risco e manter controle do conjunto.

Essa configuração mostra que o projeto não depende apenas do combustível. Para funcionar bem, o caminhão precisa de motor, câmbio, freio auxiliar, tanques e planejamento de rota adequados à carga.

A comparação com o diesel, portanto, não é simples. O caminhão a gás pode ter torque semelhante e menor ruído, mas exige engenharia específica para entregar uma experiência confiável ao motorista em operação severa.

Transporte pesado começa a testar outro caminho

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A entrada do caminhão a gás movido a biometano na rota do açúcar mostra que a descarbonização do transporte pesado pode passar por soluções ligadas ao próprio setor produtivo. No caso da cana, o resíduo vira combustível e abastece parte da logística.

Isso não significa que o diesel desaparecerá rapidamente das estradas. Mas indica que algumas rotas fechadas, com origem, destino e abastecimento previsíveis, podem ser mais favoráveis ao biometano.

A Biorrota também revela uma mudança de escala. O que antes parecia restrito a caminhões urbanos passa a chegar a composições de nove eixos, 74 toneladas e aplicações rodoviárias pesadas.

Se o modelo provar viabilidade econômica, autonomia e disponibilidade operacional, pode abrir espaço para outras cadeias produtivas aproveitarem resíduos locais como fonte de energia para transporte.

Quando o resíduo da cana vira combustível da logística

O caminhão movido a biometano na rota do açúcar até o Porto de Santos mostra uma tentativa de fechar o ciclo entre lavoura, indústria e transporte. A cana gera o açúcar exportado, mas também fornece resíduos capazes de abastecer a frota que leva a carga ao terminal.

A força do projeto está em transformar um subproduto em parte da operação logística. Com nove eixos, 74 toneladas, menor ruído e autonomia ampliada, o modelo tenta provar que o gás pode entrar em aplicações pesadas sem ficar limitado ao transporte urbano.

A dúvida agora é se essa solução pode ganhar escala em outras rotas brasileiras ou se ficará concentrada em operações específicas, onde há usina, produção de biometano e demanda constante por transporte.

Você acredita que caminhões a biometano podem competir com o diesel em rotas pesadas como a do açúcar até o Porto de Santos, ou ainda vê essa tecnologia como solução de nicho? Deixe sua opinião nos comentários.

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Nelson Moreira
Nelson Moreira
16/05/2026 11:09

Acredito que a tecnologia neste país é de ponta.
E qualquer estudo que resolver a dependência pelo petróleo é essencial.
Só não posso aceitar um país com auto suficiência em petróleo não modificar as refinarias já existentes neste país para transformar parte do nosso petróleo em diesel também, e ficarmos auto suficiente neste subproduto.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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