Decisão unânime da Câmara dos Deputados garante isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil, beneficiando milhões de trabalhadores, enquanto contribuintes de alta renda terão aumento de alíquotas mínimas para compensar a perda de arrecadação
A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto que garante isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais. A medida, enviada pelo governo e relatada pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira, representa um dos maiores ajustes da tabela do IR em duas décadas e deve beneficiar diretamente cerca de 10 milhões de brasileiros.
Para equilibrar as contas, o texto aprovado prevê que a alta renda será mais tributada: contribuintes com ganhos anuais acima de R$ 600 mil passarão a pagar uma alíquota mínima de 10%. A proposta ainda precisa passar pelo Senado, mas já é considerada uma vitória política significativa para o governo e um marco histórico para a classe média.
O que muda para quem ganha até R$ 5 mil
Atualmente, apenas rendimentos de até R$ 3.036 estavam isentos. Com a mudança, trabalhadores que recebem até R$ 5 mil ao mês não pagarão Imposto de Renda.
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O impacto é imediato: milhões de brasileiros deixarão de ter desconto no salário ou na aposentadoria, ampliando a renda disponível para consumo e alívio no orçamento doméstico.
Especialistas ressaltam que esse avanço corrige uma defasagem acumulada na tabela do IR, que por anos pressionou justamente a faixa da classe média.
Com a correção, a carga tributária se torna mais progressiva, aproximando o Brasil de padrões adotados em outros países.
Faixa entre R$ 5 mil e R$ 7.350 também será beneficiada
Quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terá uma tabela especial com alíquotas progressivas e deduções automáticas, o que evita que quem ganha pouco acima do limite da isenção acabe pagando mais imposto do que deveria.
Na prática, essa faixa terá redução de carga tributária em relação ao cenário atual, embora não esteja totalmente isenta.
Esse ajuste atende uma demanda recorrente de trabalhadores que se viam penalizados por cruzar ligeiramente o limite da isenção, criando maior justiça tributária dentro da classe média.
O impacto para a alta renda
Para compensar a renúncia fiscal, o governo concentrou a cobrança nos mais ricos.
Contribuintes com ganhos acima de R$ 50 mil por mês, ou cerca de R$ 600 mil por ano, passam a ter uma alíquota mínima de 10%, independentemente de como organizam seus rendimentos.
Isso atinge especialmente profissionais liberais e empresários que utilizam empresas para receber lucros e dividendos hoje isentos.
Segundo dados apresentados na tramitação, apenas 0,2% da população será afetada pela cobrança mínima, o que corresponde a pouco mais de 200 mil pessoas.
Esse grupo, no entanto, concentra grande parte da renda nacional, tornando a medida uma forma de redistribuição fiscal.
O peso político da decisão
A votação foi simbólica: todos os 493 votos registrados foram favoráveis, incluindo parlamentares da oposição.
A unanimidade reforça o apelo popular da medida e a habilidade de articulação política para aprovar o projeto em regime de urgência.
O relator Arthur Lira fez apenas ajustes pontuais ao texto original enviado pelo Ministério da Fazenda.
A aprovação também é vista como vitória pessoal do presidente Lula, que prometeu durante a campanha ampliar a faixa de isenção.
Para a base do governo, o tema combina alívio econômico para a classe média com cobrança mais justa para os mais ricos, fortalecendo o discurso de justiça social.
O que ainda falta para valer
O projeto segue agora para análise do Senado. Se aprovado sem alterações, será enviado para sanção presidencial.
Caso sofra mudanças, retorna à Câmara para nova votação.
O governo trabalha para garantir a aprovação ainda em 2025, de modo que as novas regras já possam ser aplicadas na declaração do Imposto de Renda de 2026.
A aprovação da isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil representa uma virada histórica na política tributária do país.
Milhões terão alívio imediato no bolso, enquanto a alta renda passa a contribuir mais. O debate agora se volta para os efeitos na arrecadação, no consumo e na economia como um todo.
E você, acredita que a medida trará mais justiça tributária ou teme que a compensação sobre os mais ricos acabe desestimulando investimentos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe como essa mudança impacta diretamente sua vida ou seu setor.

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