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Brics Pay surge como proposta do Brasil para integrar moedas locais, reduzir dependência do dólar e do Swift e facilitar pagamentos instantâneos entre países do bloco, mas levanta debate sobre geopolítica, sanções e alcance sobre transações financeiras

Escrito por Carla Teles
Publicado em 27/04/2026 às 10:06
Atualizado em 27/04/2026 às 10:14
Brics Pay surge como proposta do Brasil para integrar moedas locais, reduzir dependência do dólar e do Swift e facilitar pagamentos instantâneos entre países do bloco, mas levanta
Brics Pay une moedas locais e pagamentos para reduzir dólar e Swift no bloco, mas debate alcance geopolítico e financeiro.
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O Brics Pay foi apresentado pelo Brasil como um sistema próprio de pagamentos internacionais para conectar moedas locais e facilitar transferências diretas entre os países do bloco, em uma proposta que promete simplificar operações e reduzir a dependência do dólar, mas também levanta dúvidas sobre controle, integração e impacto geopolítico

O Brics Pay entrou no debate econômico e geopolítico após o Brasil apresentar, na última reunião do bloco, a proposta de uma plataforma própria de pagamentos internacionais. A ideia é criar um sistema capaz de conectar os países do Brics por meio de transferências diretas entre moedas locais, sem depender da estrutura tradicional em que o dólar funciona como principal moeda intermediária.

A proposta chama atenção porque toca em um dos pontos mais sensíveis das finanças globais: a infraestrutura que sustenta pagamentos entre países. Ao buscar reduzir a dependência do Swift, plataforma controlada pelos Estados Unidos, e ao defender um modelo de liquidação mais direto, o projeto passa a ser visto ao mesmo tempo como uma ferramenta de simplificação comercial e como um movimento com peso geopolítico.

O que é o Brics Pay e por que ele ganhou relevância

O Brics Pay é uma proposta de sistema de pagamentos internacionais voltado aos países do bloco. Sua função seria permitir transferências entre moedas locais de forma mais direta, reduzindo etapas que hoje passam pelo dólar e pelo Swift.

Na prática, isso significa tentar aproximar os sistemas de pagamento dos países membros dentro de uma estrutura própria. O objetivo é facilitar transações comerciais e criar um ambiente mais ágil para operações financeiras entre os integrantes do grupo.

Como o Brics Pay funcionaria na prática

Segundo a proposta apresentada, o Brics Pay teria um funcionamento semelhante ao Pix. A ideia é permitir pagamentos instantâneos e integrar os sistemas nacionais já existentes, criando uma ponte entre as estruturas domésticas de cada país.

O efeito prático seria reduzir a necessidade de conversão para o dólar em operações entre membros do bloco. Em um exemplo citado no debate, uma transação comercial entre Brasil e China poderia ser feita diretamente entre real e yuan, sem passar pela moeda americana e sem depender do Swift.

O que muda com a tentativa de operar em moedas locais

A principal mudança está na forma como o pagamento seria processado. Hoje, boa parte das transações internacionais depende de uma engrenagem em que o dólar ocupa posição central. O Brics Pay tenta alterar essa lógica ao priorizar liquidação direta entre moedas locais.

Isso pode tornar as operações mais simples dentro do bloco e reduzir a dependência de intermediários externos. Ao mesmo tempo, essa mudança coloca em discussão a capacidade real de integração entre sistemas nacionais com regras, estruturas e níveis de desenvolvimento diferentes.

Por que o Swift e o dólar aparecem no centro da discussão

O debate em torno do Brics Pay não se limita à tecnologia do sistema. Ele envolve também a arquitetura financeira internacional. O Swift aparece como peça central porque hoje é uma das principais plataformas usadas para mensagens e instruções financeiras entre instituições ao redor do mundo.

Já o dólar surge como eixo da intermediação. Ao tentar criar uma rota alternativa, o Brics Pay passa a ser interpretado como uma tentativa de reduzir a dependência do modelo atual e ampliar a autonomia das transações dentro do bloco.

O peso geopolítico do projeto vai além dos pagamentos

Especialistas apontam que a proposta também precisa ser lida sob a ótica geopolítica. A busca por alternativas ao Swift foi associada, no debate, à possibilidade de manter o comércio funcionando mesmo em cenários de restrição ou bloqueio ao sistema.

Esse ponto amplia o alcance da discussão. O Brics Pay deixa de ser apenas uma plataforma financeira e passa a ser visto como uma ferramenta que pode ganhar importância em contextos de sanções internacionais, disputas entre potências e rearranjos na ordem econômica global.

Onde estão as dúvidas sobre alcance e controle

Apesar do apelo de simplificação, o projeto não é visto de forma uniforme. Há especialistas que diferenciam claramente acordos comerciais de sistemas integrados de pagamento. Uma coisa é fortalecer o bloco nas negociações. Outra é criar uma estrutura capaz de processar transações em ambiente compartilhado entre países.

É justamente aí que surgem dúvidas sobre alcance e controle. O debate inclui a possibilidade de governos terem acesso a transações de pessoas físicas, algo que foi apontado como ponto sensível e que diferencia uma plataforma comercial de uma arquitetura financeira mais ampla.

O que o Brics Pay promete para empresas e transações comerciais

No campo econômico, a proposta promete tornar as operações entre países do bloco mais diretas. Isso tende a reduzir etapas, acelerar pagamentos e diminuir a dependência de rotas tradicionais de liquidação internacional.

Para empresas que negociam entre os países membros, a promessa é de maior fluidez nas transações e menos necessidade de conversões intermediárias. O projeto tenta se apresentar como uma solução voltada a eficiência, rapidez e integração financeira.

Por que o debate vai além da tecnologia e entra no campo estratégico

Embora o discurso tecnológico seja importante, o Brics Pay não é tratado apenas como inovação operacional. Ele se insere em uma discussão maior sobre soberania financeira, autonomia de blocos econômicos e capacidade de manter o comércio funcionando em contextos mais tensos.

Essa dimensão estratégica explica por que a proposta desperta atenção mesmo antes de qualquer implementação concreta mais ampla. Quando um sistema tenta reduzir a centralidade do dólar e oferecer alternativa ao Swift, ele automaticamente entra no radar da geopolítica e das disputas por influência.

O que especialistas enxergam como oportunidade e limite

Entre os pontos positivos apontados está a possibilidade de simplificar operações dentro do Brics e fortalecer o uso de moedas locais. Isso pode facilitar pagamentos e tornar a relação comercial entre os países menos dependente da estrutura dominada pelo dólar.

Ao mesmo tempo, os limites do projeto aparecem na dificuldade de transformar uma ideia de integração comercial em um sistema de pagamentos com alcance amplo e governança sensível. É nesse espaço entre ambição e execução que o Brics Pay começa a ser medido.

O que o surgimento do Brics Pay revela sobre o momento do bloco

A apresentação do Brics Pay mostra que o bloco quer discutir instrumentos mais próprios para circulação de recursos entre seus integrantes. Isso sinaliza um movimento de busca por mecanismos que combinem comércio, tecnologia financeira e maior coordenação econômica.

Mais do que uma simples plataforma, a proposta funciona como um retrato do momento atual. O Brics tenta ampliar sua capacidade de articulação e, ao fazer isso, coloca no centro da mesa temas que envolvem moeda, infraestrutura de pagamento e poder internacional.

As próximas etapas dependem de integração e confiança

O Brics Pay ainda é uma proposta, mas já abriu uma discussão relevante sobre viabilidade, alcance e impacto. Para avançar, o projeto dependerá da integração entre sistemas nacionais, da confiança entre os países do bloco e da clareza sobre até onde a plataforma pode ir.

É por isso que o debate não se resume a saber se o sistema pode funcionar tecnicamente. A questão central passa a ser se o bloco conseguirá transformar essa ideia em uma estrutura efetiva, aceita e capaz de operar sem ampliar incertezas sobre controle, segurança e uso político das transações.

Na sua visão, o Brics Pay tem potencial para realmente facilitar pagamentos entre países do bloco ou o peso geopolítico e as dúvidas sobre alcance ainda devem frear esse avanço?

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Raymundo
Raymundo
30/04/2026 20:58

Se os paises membros tiverem viés nacionalista e patriótico, fica fácil implantar o BRICS PAY. Por isso não se deve permitir entrar países de governos com a mente colonizada no BRICS. Só países que amam sua própria pátria

Marco Antonio Nogueira Rodrigues
Marco Antonio Nogueira Rodrigues
30/04/2026 13:38

Livrar-se da preponderância do dólar e do euro, é de grande importância pra humanidade… Eles enriquecem fácil; e empobrece povos, inclusive, impedem-os de se desenvolverem.
E tapeiam a humanidade com ajudas, que na verdade são esmolas que nunca resolve a miséria, quando poderiam transformá-los em consumidores.
Hoje, década de 2020 a 2030, tentam alternativas, as quais os “inescrupulosos”, as vêem como declaração de guerra, com o eterno medo da inexistência de pessoas ou povos pobres, e isso comprometerem as suas riquezas, o que não passa de ignorância maléfica.
Atualmente os BRICS, tem plano de lançar moeda digital, em parceria com países assinantes, mas é uma iniciativa, válida, por um lado, porém, muito arriscada por outros entraves que terão de enfrentarem.
Os donos das moedas dominantes ( dólar e euro), que detém o domínio dos câmbios internacionais, como o “Sistema Swift”, tomarão medidas de combate comercialmente, praticando impedimentos e entraves comerciais contra o “sistema de moedas digitais” a ser implantados pelos BRICS, com certeza!? Seja ele próspero ou não!?
Os USA tem por costume, quando ele não ataca de frente, o faz pelas tangentes. Basta eles (USA E EUROPA – ZE – Zona do Euro) firmarem norma proibindo quem utilizar o novo sistema dos BRICS (moeda digital e pix), ficarão proibidos de utilizarem o Sistema Swift, e aí quem sempre fez, ou faz, transações só em dólar e euro (principalmente), ficarão desesperados, simplesmente acatando as decisões do sistema financeiro vigente, que regula as cotações das moedas intercionalmente…?
A situação não é tão simples como os insurgentes imaginam!?
Seria mais próspero utilizarem a moeda (como referência) do país que mais prospera entre os assinantes de um novo Sistema de Câmbio Internacional, paralelo, para atuar junto com o os demais sistemas financeiros vigentes, ainda que esse novo sistema seja a margem dos que serão contra. Um sistema paralelo completo! Ainda que seja um sistema aberto/paralelo, terá de ter suas metas com base em banco central, bolsas, sistemas financeiros que regem o mercado em geral…
No caso, a moeda yuan seria a mais indicada (como referência), pois a China, atualmente, é o país que mais prospera, em quase todos os setores sociais e comerciais, indiscutivelmente.
Os demais países, que tem significavas desvalorizações das suas moedas, deverão renová-las “cortando zeros”, para manterem as moedas em valores iguais ou próximos do yuan (sempre abaixo da casa decimal da moeda referencial), pois isso, facilitarão as transações entre os países, do novo bloco, utilizando-se do sistema de conversão paralelo criado pelo novo grupo, estes compostos pelos países corajosamente insurgentes contra o sistema opressor, e capaz de dividir, ou criar, uma nova Ordem Econômica Internacional. Em resumo: Devemos sim, criar uma nova Ordem Financeira Internacional competitiva!? Se os opositores vão gostar, ou não, é problema deles…? Nenhum povo é obrigado a ser escravo dos mais espertos, pra não dizer, mais inescrupulosos.
Quanto aos lastros de uma nova moeda, ela pode ser criada aos poucos, com ouro, dólar, euro, etc. Para constituir o lastro. Pode-se instituir, por determinados anos, um imposto por cada transação efetuada pelos usuários da nova moeda, como 0,2, 0,3, ou 0,5%. Claro, todo esses valores e ativos em geral, estarão de posse do Banco Central Internacional do grupo (no caso, supondo-se ser os BRICS), deverão constar dos estatutos que pertencem aos integrantes. Em caso de falência, liquidação, ou dissolução da nova empreitada (conceito hipotético), os valores em caixa serão rateados entre os integrantes.
A hipótese de moeda digital, ainda é vista com muita descredibilidade da maioria das população mundial. Tal integrante será legado um bilhão (valor inicial). Onde está esse ativo: simplesmente é um código (ou algoritmos) de informática. Na verdade, um valor quase imaginário? Ao repassá-lo, o conceito desse pseudo valor ativo será o mesmo pra quem adquirir…!? Eis apenas um dos muitos problemas que poderão comprometer o projeto todo? Por isso, particularmente eu acho menos arriscado partir através de uma moeda já existente. O mais ideal seria criar uma moeda nova, mas parece que o embate financeiro/monetário será maior…
Marco Antonio Nogueira Rodrigues
Sorocaba, São Paulo, Brasil.

George Quintas
George Quintas
29/04/2026 07:17

INDEPENDÊNCIA JÁ do dólar!

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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