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Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 13 comentários

Brasileiros não são mais bem-vindos nestes países, mesmo com passaportes válidos

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 31/03/2026 às 00:02
Atualizado em 31/03/2026 às 00:08
Passaporte brasileiro garante acesso global, mas riscos, regras rígidas e isolamento dificultam entrada em alguns países.
Passaporte brasileiro garante acesso global, mas riscos, regras rígidas e isolamento dificultam entrada em alguns países.
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Restrições, riscos e burocracias moldam o acesso de brasileiros a destinos internacionais, onde segurança, política e logística pesam mais que o passaporte e tornam algumas viagens inviáveis, complexas ou altamente seletivas, mesmo com documentação regular e aceitação global do documento brasileiro.

Ter um passaporte brasileiro, hoje entre os documentos de viagem com ampla aceitação internacional, não significa entrada automática em qualquer destino.

Em vários casos, o obstáculo não é a nacionalidade em si, mas uma combinação de guerra, restrições estatais ao turismo, exigências migratórias específicas e isolamento geográfico que tornam a viagem desaconselhada, cara ou de execução difícil, ainda que a documentação básica esteja em ordem.

Na prática, isso muda o sentido de frases que costumam circular nas redes sociais.

Brasileiros não estão, em regra, formalmente proibidos de entrar nesses países apenas por serem brasileiros.

O que existe, em boa parte dos casos, são cenários de risco extremo, modelos de turismo fortemente controlados ou rotas tão limitadas que a viagem deixa de ser uma opção simples para o visitante comum.

Segurança internacional e destinos de alto risco

Afeganistão e Somália aparecem entre os exemplos mais claros de destinos em que a maior barreira não é o passaporte, mas o contexto interno.

No caso afegão, a própria documentação oficial brasileira relacionada à acolhida humanitária descreve o país como afetado por grave ou iminente instabilidade institucional, além de graves violações de direitos humanos e de direito internacional humanitário.

Em cenário assim, qualquer possibilidade formal de ingresso perde relevância diante do risco concreto associado à permanência no território.

A Somália segue lógica parecida.

O país permanece associado, em alertas e orientações internacionais de viagem, a ameaças de violência armada, instabilidade e fragilidade institucional.

Nesses casos, a dificuldade para o brasileiro não decorre de um veto migratório clássico, mas da combinação entre insegurança, cobertura consular limitada e baixa previsibilidade sobre deslocamentos, hospedagem e serviços essenciais.

Esse tipo de restrição é diferente da recusa formal de visto.

Em destinos marcados por guerra, milícias ou ruptura institucional, o viajante até pode encontrar uma regra de entrada no papel, mas ela deixa de ser o elemento central da decisão.

O que pesa, de fato, é a avaliação de risco, inclusive porque seguradoras, companhias aéreas e operadores turísticos costumam impor suas próprias limitações em cenários assim.

Países com turismo controlado e regras rigorosas

A Coreia do Norte ocupa uma categoria própria.

O país manteve o turismo estrangeiro fechado durante a pandemia, chegou a flexibilizar restrições de forma limitada e segue com acesso altamente controlado.

Reportagens recentes e informações do setor mostram que a abertura tem sido parcial, instável e sujeita a interrupções repentinas, o que reduz drasticamente a previsibilidade da viagem para estrangeiros de várias nacionalidades, inclusive brasileiros.

Mesmo quando há alguma permissão, não se trata de turismo convencional.

A circulação costuma depender de operadores autorizados, roteiros supervisionados e regras locais rígidas.

Isso significa que o entrave não está no passaporte brasileiro em si, mas na forma como o Estado norte-coreano organiza, restringe e, quando decide, suspende o fluxo de visitantes estrangeiros.

O Butão também recebe estrangeiros, porém adota outra lógica.

O país mantém um modelo de turismo de alto valor e baixo volume, no qual o visitante internacional precisa pagar a Sustainable Development Fee, atualmente em US$ 100 por dia para adultos, além de uma taxa única e não reembolsável de visto de US$ 40.

O custo e o desenho da política pública tornam a viagem mais seletiva desde a largada.

Nesse caso, não há hostilidade a brasileiros nem bloqueio específico contra o Brasil.

O que existe é uma política deliberada para limitar o fluxo turístico e encarecer a permanência.

Isolamento geográfico e dificuldade de acesso

Já Nauru e Kiribati mostram outro tipo de barreira.

São destinos remotos do Pacífico, com conectividade aérea reduzida e planejamento logístico mais complexo do que em rotas turísticas tradicionais.

No caso de Nauru, a malha da companhia local cobre um número pequeno de pontos internacionais, o que limita combinações de viagem e encarece deslocamentos.

Em Kiribati, o próprio órgão oficial de turismo destaca que o país tem poucos portais internacionais de entrada.

A dificuldade surge no percurso, com poucos voos, conexões longas e oferta restrita.

Nessas circunstâncias, o acesso formal existe, mas a execução prática se torna restrita a um grupo pequeno de viajantes com tempo, orçamento e tolerância para trajetos pouco previsíveis.

O que o passaporte brasileiro realmente garante

Rankings internacionais indicam que o passaporte brasileiro segue bem posicionado em termos de mobilidade global e acesso sem visto prévio a um número elevado de destinos.

Ainda assim, esse indicador mede facilidade documental, não segurança local, estabilidade política, disponibilidade de voos ou grau de controle estatal sobre o turismo.

Um documento forte pode coexistir com viagens inviáveis ou pouco recomendáveis em vários pontos do mapa.

A diferença entre entrada permitida e viagem viável é o ponto central.

Um brasileiro pode ter o documento aceito e, ao mesmo tempo, esbarrar em guerra, taxas elevadas, fronteiras instáveis, turismo intermitente ou rotas aéreas escassas.

Em tempos de desinformação acelerada, a leitura correta passa menos por frases de efeito e mais por uma checagem objetiva das condições reais de cada destino antes de qualquer embarque.

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Eduardo Pierangelo
Eduardo Pierangelo
07/04/2026 18:51

Essa é uma matéria chula, mentirosa, desinteressante, tipo falta de coisa melhor pra fazer. É a mesma coisa que dizer que um Palmeirense não deve assistir ao vivo, um Derbi Paulista no meio da torcida do Corinthians, e vice versa. Todo mundo sabe. Ou dizer que no Polo Sul tem neve o ano inteiro. Só diz besteiras desnecessárias.

Luis
Luis
05/04/2026 20:09

Alguém se interessa em visitar esses países? Eu nem cogito e não me faz nenhuma diferença visitá-los!!!!

Kliberth
Kliberth
05/04/2026 18:53

Caracas que matéria chucra…Olha os países da lista aff , sem falar em Afeganistão citando instabilidade e direitos humanos do Brasil. Não abro mais matérias daq aqui …

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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