Anderson Dias, que quebrou o recorde ao conhecer 196 países em 543 dias, agora enfrenta uma nova viagem sem pressa e com outro objetivo: mergulhar mais fundo na cultura de cada lugar.
Anderson Dias saiu de Recife, em 2018, e afirma ter visitado todos os 196 países reconhecidos pela ONU em apenas 543 dias. O feito o colocou como o humano mais rápido a completar a volta ao mundo por todos os Estados soberanos, e agora ele tenta repetir a dose em outro ritmo, numa nova viagem que começou na Costa Rica.
O brasileiro diz que desta vez a jornada será mais longa e menos acelerada. A meta é cruzar fronteiras com mais calma, sem a pressão de bater recordes, enquanto vive experiências mais profundas em cada destino. Ao mesmo tempo, a nova aventura acontece em meio às restrições da pandemia, que mudaram a logística de quem quer circular pelo mundo.
Segundo a cnnbrasil.com.br, Anderson superou inclusive a marca da norte-americana Taylor Demonbreun, que havia completado a mesma façanha em 554 dias. A diferença de 11 dias pode parecer pequena, mas foi suficiente para consolidar o brasileiro como dono do recorde.
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Da venda de capinhas aos 196 países reconhecidos pela ONU

Nascido em Salvador e radicado em Caruaru, Anderson conta que veio de origem humilde e chegou a vender capinhas nos ônibus de Recife para juntar dinheiro. Depois, fez um intercâmbio de seis meses para a Europa, voltou ao Brasil e abriu a própria empresa.
A vontade de conhecer o mundo, segundo ele, apareceu ainda na infância, ao assistir à novela América, da TV Globo. O incômodo com a ideia de pertencer a apenas um lugar virou combustível para a decisão tomada em 2018, quando saiu do Brasil com mala, dinheiro e celular nas mãos.
O roteiro da primeira volta ao planeta começou pela América do Sul, atravessou diferentes continentes e terminou em Cabo Verde, no noroeste da África. Em 24 de novembro de 2019, ele voltou ao Brasil com a missão cumprida e com uma mochila bem mais leve do que a que havia levado no embarque.
Perrengues, fronteiras e um recorde construído na marra
Se o número impressiona, a travessia foi ainda mais dura. Durante a primeira viagem, Anderson relata que dormiu nas ruas de Barcelona, participou de uma festa com Neymar e outros jogadores em Paris, cruzou a pé e sozinho a fronteira do Afeganistão e quase foi preso na Líbia.
Ele também diz ter sido deportado da República do Congo. Na narrativa dele, o episódio foi marcado por agressões, perda do passaporte e ajuda de um embaixador no aeroporto. Já no Iêmen, entrou armado com uma AK47, segundo seu relato.
Essas histórias ajudaram a construir a imagem de viagem extrema que o acompanhou nas redes sociais. No perfil @196sonhos, ele foi mostrando os deslocamentos em tempo real para uma audiência que cresceu ao longo da jornada e hoje passa de 1,1 milhão de seguidores.

Dinheiro apertado, improviso e uma estratégia de última hora
Anderson diz que o dinheiro inicial para rodar o mundo veio da venda da empresa e do carro. Com o orçamento apertando, ele passou a monetizar o perfil no Instagram e a usar a internet como fonte de renda durante a viagem.
O planejamento, segundo ele, foi curto: cerca de três semanas. Nada de rota engessada ou hotéis definidos com antecedência. Na maior parte do tempo, o caminho foi montado no guichê das companhias aéreas, e a hospedagem ficou por conta de hostels e Airbnb.
Para se manter seguro, o viajante carregava mil dólares e mais 600 de emergência. Também recorria a casas de câmbio, chips de internet e wi-fi em aeroportos para não perder a comunicação com os seguidores e com o restante da viagem.
A nova volta ao mundo agora vai sem pressa
Depois de ser recebido com festa no Recife ao voltar com o recorde quebrado, Anderson embarcou em outra aventura, dessa vez com outro propósito: conhecer melhor a cultura local e viver cada país sem a urgência do recorde anterior.
A viagem começou no fim de maio na Costa Rica, seguiu para Nova York, onde ele tomou a vacina contra a Covid-19, e deve continuar até outros destinos. A expectativa dele é concluir a nova jornada em até cinco anos, sempre adaptando a rota às regras impostas pela pandemia.
O próprio viajante admite que a crise sanitária complicou tudo, mas diz que ainda é possível seguir viagem com atenção às exigências de cada país. Para quem acompanha suas andanças, fica a promessa de mais histórias, mais fronteiras e mais uma volta ao planeta em andamento.
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