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Brasileiro que saiu de Recife diz ter visitado todos os países do mundo em 543 dias e parte para nova volta ao planeta

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 17/06/2026 às 12:51
Atualizado em 17/06/2026 às 12:54
Brasileiro que saiu de Recife diz ter visitado todos os países do mundo em 543 dias e parte para nova volta ao planeta
Anderson Dias, que quebrou o recorde ao conhecer 196 países em 543 dias, agora enfrenta uma nova viagem sem pressa e com outro objetivo: mergulhar mais fundo na cultura de cada lugar.
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Anderson Dias, que quebrou o recorde ao conhecer 196 países em 543 dias, agora enfrenta uma nova viagem sem pressa e com outro objetivo: mergulhar mais fundo na cultura de cada lugar.

Anderson Dias saiu de Recife, em 2018, e afirma ter visitado todos os 196 países reconhecidos pela ONU em apenas 543 dias. O feito o colocou como o humano mais rápido a completar a volta ao mundo por todos os Estados soberanos, e agora ele tenta repetir a dose em outro ritmo, numa nova viagem que começou na Costa Rica.

O brasileiro diz que desta vez a jornada será mais longa e menos acelerada. A meta é cruzar fronteiras com mais calma, sem a pressão de bater recordes, enquanto vive experiências mais profundas em cada destino. Ao mesmo tempo, a nova aventura acontece em meio às restrições da pandemia, que mudaram a logística de quem quer circular pelo mundo.

Segundo a cnnbrasil.com.br, Anderson superou inclusive a marca da norte-americana Taylor Demonbreun, que havia completado a mesma façanha em 554 dias. A diferença de 11 dias pode parecer pequena, mas foi suficiente para consolidar o brasileiro como dono do recorde.

Da venda de capinhas aos 196 países reconhecidos pela ONU

Anderson Dias posa em frente ao Anfiteatro de El Jem, na Tunísia, durante sua volta ao mundo em 2019. Foto: acervo pessoal
Anderson Dias posa em frente ao Anfiteatro de El Jem, na Tunísia, durante sua volta ao mundo em 2019. Foto: acervo pessoal

Nascido em Salvador e radicado em Caruaru, Anderson conta que veio de origem humilde e chegou a vender capinhas nos ônibus de Recife para juntar dinheiro. Depois, fez um intercâmbio de seis meses para a Europa, voltou ao Brasil e abriu a própria empresa.

A vontade de conhecer o mundo, segundo ele, apareceu ainda na infância, ao assistir à novela América, da TV Globo. O incômodo com a ideia de pertencer a apenas um lugar virou combustível para a decisão tomada em 2018, quando saiu do Brasil com mala, dinheiro e celular nas mãos.

O roteiro da primeira volta ao planeta começou pela América do Sul, atravessou diferentes continentes e terminou em Cabo Verde, no noroeste da África. Em 24 de novembro de 2019, ele voltou ao Brasil com a missão cumprida e com uma mochila bem mais leve do que a que havia levado no embarque.

Perrengues, fronteiras e um recorde construído na marra

Se o número impressiona, a travessia foi ainda mais dura. Durante a primeira viagem, Anderson relata que dormiu nas ruas de Barcelona, participou de uma festa com Neymar e outros jogadores em Paris, cruzou a pé e sozinho a fronteira do Afeganistão e quase foi preso na Líbia.

Ele também diz ter sido deportado da República do Congo. Na narrativa dele, o episódio foi marcado por agressões, perda do passaporte e ajuda de um embaixador no aeroporto. Já no Iêmen, entrou armado com uma AK47, segundo seu relato.

Essas histórias ajudaram a construir a imagem de viagem extrema que o acompanhou nas redes sociais. No perfil @196sonhos, ele foi mostrando os deslocamentos em tempo real para uma audiência que cresceu ao longo da jornada e hoje passa de 1,1 milhão de seguidores.

Anderson Dias registra sua passagem pela Muralha da China, uma das sete maravilhas do mundo moderno, durante sua jornada pelos 196 países. Foto: acervo pessoal
Anderson Dias registra sua passagem pela Muralha da China, uma das sete maravilhas do mundo moderno, durante sua jornada pelos 196 países. Foto: acervo pessoal

Dinheiro apertado, improviso e uma estratégia de última hora

Anderson diz que o dinheiro inicial para rodar o mundo veio da venda da empresa e do carro. Com o orçamento apertando, ele passou a monetizar o perfil no Instagram e a usar a internet como fonte de renda durante a viagem.

O planejamento, segundo ele, foi curto: cerca de três semanas. Nada de rota engessada ou hotéis definidos com antecedência. Na maior parte do tempo, o caminho foi montado no guichê das companhias aéreas, e a hospedagem ficou por conta de hostels e Airbnb.

Para se manter seguro, o viajante carregava mil dólares e mais 600 de emergência. Também recorria a casas de câmbio, chips de internet e wi-fi em aeroportos para não perder a comunicação com os seguidores e com o restante da viagem.

A nova volta ao mundo agora vai sem pressa

Depois de ser recebido com festa no Recife ao voltar com o recorde quebrado, Anderson embarcou em outra aventura, dessa vez com outro propósito: conhecer melhor a cultura local e viver cada país sem a urgência do recorde anterior.

A viagem começou no fim de maio na Costa Rica, seguiu para Nova York, onde ele tomou a vacina contra a Covid-19, e deve continuar até outros destinos. A expectativa dele é concluir a nova jornada em até cinco anos, sempre adaptando a rota às regras impostas pela pandemia.

O próprio viajante admite que a crise sanitária complicou tudo, mas diz que ainda é possível seguir viagem com atenção às exigências de cada país. Para quem acompanha suas andanças, fica a promessa de mais histórias, mais fronteiras e mais uma volta ao planeta em andamento.

Se essa história também te surpreendeu, compartilhe com quem gosta de viagem e conta pra gente: você teria coragem de fazer uma volta ao mundo assim?

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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