Estudo global revela liderança brasileira em treinamento de inteligência artificial nas empresas
O Brasil tem se destacado no cenário internacional ao superar países como Estados Unidos, Japão e Alemanha em capacitação de inteligência artificial (IA) nas empresas. De acordo com a pesquisa “Confiança, atitudes e uso de inteligência artificial: um estudo global 2025″, realizada pela KPMG em parceria com a Universidade de Melbourne, 47% dos profissionais brasileiros afirmam conhecer e utilizar ferramentas de IA, posicionando o país atrás apenas da China, que lidera com 64%.
Adoção da IA no ambiente corporativo brasileiro
O estudo, divulgado em 29 de maio de 2025, entrevistou 48 mil pessoas em 47 países, abrangendo diversas regiões geográficas e utilizando uma amostragem representativa baseada em idade, gênero e distribuição regional. No Brasil, 53% dos respondentes são mulheres e 47% homens, com 17% entre 18 e 24 anos, 45% de 25 a 44, 28% de 45 a 64 e 10% com mais de 65 anos. A pesquisa revelou que 86% das empresas brasileiras já incorporaram a IA em suas rotinas diárias. Além disso, 47% dos funcionários utilizam ferramentas de IA para concluir todas as suas tarefas, enquanto 54% recorrem a essas tecnologias para executar obrigações, em vez de aprender como realizá-las.
Benefícios percebidos e desafios enfrentados
Os principais benefícios identificados pelos respondentes incluem:
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- Melhoria na eficiência do trabalho, com redução do tempo gasto em tarefas repetitivas e obtenção de conhecimento para resolver problemas;
- Geração de ideias, como produção de mensagens e e-mails, adaptando a escrita conforme o contexto;
- Tradução de conteúdos;
- Aprimoramento da criatividade;
- Maior precisão nas informações necessárias para a realização do trabalho.
Entretanto, a pesquisa também apontou preocupações entre os usuários, especialmente em relação à cibersegurança e à privacidade dos dados. Esses temores são compreensíveis, considerando o elevado índice de fraudes no país. A maioria dos entrevistados expressou apoio à necessidade de regulamentação da IA.
Fatores que impulsionam a adoção da IA no Brasil
Frank Meylan, sócio da KPMG, atribui o avanço brasileiro na adoção da IA à forte presença da tecnologia no cotidiano da população, desde o sistema financeiro até a vida social. Ele destaca que os brasileiros são usuários frequentes de tecnologia, como internet banking e mobile banking. Durante a pandemia, programas sociais exigiram o uso de aplicativos, promovendo uma ampla inclusão digital e bancarização, o que impulsionou a familiaridade com tecnologias digitais.
Perspectivas futuras e importância da regulamentação
Ricardo Santana, sócio-líder da KPMG no Brasil, destaca que, para entender a IA nas empresas, é necessário observar também o cenário global. Além disso, ele ressalta que os sistemas de inteligência artificial, por não conhecerem fronteiras, impactam diretamente o comportamento de pessoas e organizações em escala mundial. Portanto, diante dessas transformações, torna-se essencial que o Brasil invista continuamente em capacitação, regulamentação e desenvolvimento responsável da inteligência artificial. Desse modo, o país poderá manter sua posição de destaque e, ao mesmo tempo, aproveitar plenamente as oportunidades geradas por essa tecnologia emergente.

