Com energias renováveis representando metade da matriz, Brasil supera média global e da OCDE, impulsionado por solar, eólica e biocombustíveis.
O Brasil reforçou sua posição de destaque no cenário internacional ao consolidar uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta. Dados oficiais mostram que as energias renováveis responderam por 50% de toda a matriz energética nacional, um patamar muito acima da média mundial e também superior ao observado em países desenvolvidos.
O resultado confirma a relevância estratégica do país na transição energética e amplia o protagonismo brasileiro no debate sobre sustentabilidade.
As informações constam na edição 2025 da Resenha Energética Brasileira, divulgada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e refletem um ano marcado por expansão das fontes limpas e estabilidade no uso de energias não renováveis.
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Matriz energética brasileira supera média global e países da OCDE
De acordo com o levantamento, a participação das energias renováveis no Brasil chegou a 50% em 2024, número quase quatro vezes superior à média global, que ficou em 14,2%.
Além disso, o índice nacional também superou o registrado nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Esse desempenho coloca o Brasil entre as principais lideranças mundiais em energia limpa. A diversificação da matriz e o aproveitamento de recursos naturais abundantes ajudam a explicar o resultado.
Ao mesmo tempo, o avanço sinaliza um diferencial competitivo relevante em um contexto de pressão internacional por descarbonização.
Energia solar e eólica aceleram crescimento das fontes limpas
O avanço das energias renováveis no país foi impulsionado principalmente pelo desempenho da energia solar. Segundo o estudo, essa fonte registrou crescimento de 33,2% ao longo do ano. Em seguida, a energia eólica avançou 12,4%, mantendo trajetória de expansão consistente.
Outro destaque relevante foi o aumento do uso de óleos vegetais, que apresentou crescimento de 28,35%. Esses números mostram que, além da eletricidade, outras aplicações energéticas também vêm ampliando a participação de fontes renováveis na matriz nacional.
Além do avanço das fontes limpas, a Oferta Interna de Energia (OIE) alcançou em 2024 seu maior patamar histórico. O volume chegou a 322 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEPs), representando uma alta de 2,4% na comparação com 2023.
Enquanto isso, o consumo de fontes não renováveis permaneceu praticamente estável. Os derivados de petróleo, inclusive, registraram leve queda, o que contribuiu para ampliar, proporcionalmente, a presença das energias renováveis no conjunto da matriz.
Biocombustíveis lideram expansão no setor de transportes
No setor de transportes, o consumo final de energia cresceu 2,7% em 2024. Esse avanço foi puxado sobretudo pelos biocombustíveis, que ganharam ainda mais espaço na matriz.
Segundo os dados do MME, o consumo de etanol avançou 15,6%, enquanto o biodiesel teve crescimento ainda mais expressivo, de 19,2%. Esse movimento reforça o papel estratégico do setor sucroenergético e da cadeia de biocombustíveis na consolidação das energias renováveis no Brasil.
O avanço no consumo de biocombustíveis foi impulsionado por mudanças regulatórias recentes. De acordo com o MME, a Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024) teve papel central nesse processo.
A nova legislação estabelece mandatos para biocombustíveis, além de regras específicas para biometano e diesel verde. Com isso, o marco legal cria previsibilidade para investimentos e estimula o aumento gradual da participação das energias renováveis em diferentes segmentos da economia brasileira.
