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Brasil também aposta em plantas para o espaço e transforma corrida lunar em uma saída real para produzir alimentos que crescem em clima cada vez mais extremo

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 13/04/2026 às 10:20 Atualizado em 13/04/2026 às 10:23
Brasil também aposta em plantas para o espaço e transforma corrida lunar em uma saída real para produzir alimentos que crescem em clima cada vez mais extremo
Projeto brasileiro no Artemis desenvolve plantas para o espaço com foco em segurança alimentar e agricultura resistente ao clima extremo.
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Pesquisa brasileira une agricultura espacial, segurança alimentar e adaptação climática em um dos projetos mais ambiciosos do país no programa Artemis

O Brasil entrou em uma frente estratégica da corrida espacial com um objetivo que vai muito além da Lua. Pesquisadores brasileiros trabalham no desenvolvimento de plantas capazes de crescer em ambientes espaciais, mas o efeito prático dessa tecnologia pode aparecer primeiro aqui na Terra, em regiões afetadas pela seca, pelo calor extremo e pela instabilidade do clima.

O projeto faz parte do programa Artemis, iniciativa internacional liderada pelos Estados Unidos desde 2012 e que já reúne 56 países signatários. Em abril de 2026, o programa voltou ao noticiário com o encerramento da segunda missão tripulada à Lua, concluída no dia 10 de abril com o retorno de quatro astronautas à Terra.

No lado brasileiro, a aposta está na Rede Space Farming Brazil, liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, com apoio da Agência Espacial Brasileira, a AEB, e participação de cientistas de 22 instituições. A proposta é criar bases para futuras “fazendas” extraterrestres e, ao mesmo tempo, desenvolver cultivos mais resistentes para um planeta em transformação.

A lógica é simples e poderosa. Se uma planta consegue se adaptar a condições extremas de cultivo, com pouca água, energia controlada e estresse ambiental elevado, ela também pode ajudar a enfrentar a crise alimentar em áreas vulneráveis do Brasil e de outros países.

Como a Rede Space Farming Brazil quer criar superplantas para missões espaciais e também para áreas vulneráveis na Terra

A primeira fase da pesquisa escolheu batata-doce e grão-de-bico como cultivos prioritários. As duas espécies exigem menos água e menos calor do que outras culturas, o que as torna candidatas promissoras para testes em ambientes fechados e hostis.

O foco dos pesquisadores é explorar a variabilidade genética para selecionar plantas com maior produtividade, mais resistência e melhor valor nutricional. O trabalho também busca maior eficiência no uso de água e energia, dois fatores centrais tanto para missões espaciais quanto para a agricultura em regiões afetadas pelas mudanças climáticas.

Alessandra Fávero, pesquisadora da Embrapa e coordenadora da pesquisa, explica que esse processo pode acelerar a seleção de genótipos mais preparados para as condições climáticas das próximas décadas. Na prática, o laboratório antecipa cenários futuros de temperatura e estresse ambiental para encontrar plantas mais aptas a sobreviver.

Essa aplicação não fica restrita ao setor espacial. Os protótipos desenvolvidos pela rede podem ser usados em grandes centros urbanos e também em áreas rurais remotas, fortalecendo a segurança alimentar em locais mais expostos à crise do clima.

Os testes no Brasil já simulam radiação, microgravidade e cultivo sem solo para enfrentar o desafio de produzir vida fora da Terra

Um dos maiores obstáculos da agricultura espacial é proteger os vegetais da radiação ionizante cósmica. No espaço, partículas viajam em alta velocidade e podem alterar a matéria ao arrancar elétrons dos átomos, criando um ambiente incompatível com a vida sem proteção adequada.

Por isso, parte central da pesquisa está na construção de um invólucro que consiga blindar as plantas. Enquanto essa solução avança, as condições extremas vêm sendo reproduzidas em laboratórios brasileiros e em missões análogas, que simulam na Terra o ambiente de uma estação espacial.

Um dos testes ocorreu no Habitat Marte, estrutura da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a UFRN, que reproduz condições inspiradas no planeta vermelho. O experimento usou mudas de tomate cultivadas por sistemas hidropônicos e aeropônicos, ambos sem uso de solo, e foi considerado bem-sucedido.

Em abril de 2025, a Rede Space Farming Brazil enviou sementes de grão-de-bico e batata-doce em um foguete da Blue Origin, empresa comercial de Jeff Bezos. As sementes ficaram expostas à microgravidade por cinco minutos antes de passarem por análise genética.

Depois, em agosto de 2025, o grupo enviou outras plantas brasileiras, entre elas morango e orquídeas, para a Estação Espacial Internacional. A primeira fase do programa deve durar cinco anos, com simulações na Terra. Na sequência, a segunda etapa prevê testes em órbita terrestre, e a terceira mira experimentos no espaço profundo, incluindo a Lua.

Além da agricultura espacial, o Brasil prepara o nanossatélite SelenITA para chegar à órbita lunar e estudar o polo sul da Lua em 2028

A participação brasileira no Artemis não se limita ao cultivo de alimentos. O país também prepara sua primeira missão lunar com o desenvolvimento do SelenITA, um nanossatélite pensado para ir à órbita da Lua e contornar o polo sul lunar.

O nome faz referência à selenita, cristal de brilho associado à Lua. O lançamento está previsto para a próxima fase do programa Artemis, em 2028, e o equipamento deverá estudar campos magnéticos e relevo, informações valiosas para futuras missões tripuladas.

O projeto é conduzido pelo Instituto de Tecnologia Aeronáutica, o ITA, em parceria com a AEB e a Nasa. Para a Força Aérea Brasileira, os estudos ligados ao SelenITA tendem a impulsionar áreas como sistemas embarcados espaciais, navegação orbital, telecomunicações em espaço profundo e engenharia de energia.

Esse tipo de avanço costuma parecer distante, mas já conversa com usos concretos do cotidiano. Tecnologias espaciais ajudam no monitoramento da Amazônia, na vigilância de fronteiras e no compartilhamento seguro de informações sensíveis, o que amplia o peso estratégico do investimento.

O que o acordo do Brasil com o programa Artemis significa na prática e por que os resultados devem aparecer mais no longo prazo

O Brasil assinou os acordos do Artemis em 2021. Esses compromissos funcionam como um protocolo de intenções e salvaguardas para a exploração espacial com fins pacíficos e não impõem obrigações tecnológicas automáticas aos países participantes.

Na avaliação do astrofísico Gabriel Rodrigues Hickel, da Universidade Federal de Itajubá, a Unifei, o retorno para a população não deve ser imediato. Ainda assim, a história da corrida espacial mostra que tecnologias inicialmente criadas para missões fora da Terra acabam chegando ao dia a dia anos depois, como ocorreu com telecomunicações via satélite e avanços em diagnósticos médicos.

Para Hickel, um dos pontos mais promissores para o Brasil está justamente nos estudos da Embrapa. Ao buscar espécies adaptadas a ambientes espaciais, a pesquisa pode revelar plantas mais produtivas para terrenos áridos, menos férteis e com iluminação não ideal.

A AEB afirma que o país conduz sua atuação espacial com base no multilateralismo, mantendo cooperação tanto com os Estados Unidos quanto com a China, como já ocorre no programa CBERS há mais de 30 anos. Hoje, as prioridades brasileiras estão concentradas em três frentes, a renovação da frota de satélites, o acesso autônomo ao espaço e a consolidação dos centros de lançamento.

Nesse desenho, o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, é tratado como peça-chave para virar um polo comercial competitivo no mercado global, com ampliação da frequência de lançamentos iniciada com a empresa sul-coreana Innospace. Ao mesmo tempo, não há negociações em curso para enviar um astronauta brasileiro ao espaço pelo menos até 2030.

Os números por trás da corrida espacial ajudam a explicar por que o Brasil tenta transformar ciência de alto custo em solução concreta para a vida real

O programa Artemis já consumiu 93 bilhões de dólares em seus 13 anos de existência, valor apontado em auditoria da Nasa. É um investimento gigantesco, o que torna ainda mais relevante a busca por aplicações práticas que justifiquem esse esforço além do simbolismo geopolítico.

No caso brasileiro, a agricultura espacial aparece como uma das portas mais promissoras para essa transformação. Em vez de vender apenas a ideia de conquista tecnológica, o país tenta ligar a exploração lunar a um problema urgente e muito terrestre, a capacidade de produzir alimentos em condições cada vez mais adversas.

Se a estratégia der certo, o impacto pode alcançar desde bases espaciais futuras até comunidades vulneráveis no semiárido, periferias urbanas e áreas isoladas. É justamente nessa ponte entre ciência avançada e necessidade real que o projeto ganha relevância política, econômica e social.

O debate agora é inevitável. Vale investir em pesquisa espacial quando os resultados demoram, ou esse é exatamente o tipo de aposta que pode evitar crises maiores no futuro? Deixe seu comentário e diga se o Brasil está olhando longe demais ou finalmente pensando à frente do problema.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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