Brasil ultrapassa os Estados Unidos e assume o 1º lugar mundial na carne bovina em 2025, enquanto 2026 já indica confronto apertado
O Brasil assume em 2025 a posição de maior produtor de carne bovina do mundo, superando os Estados Unidos em volume total.
A estimativa aponta 12,35 milhões de toneladas para o Brasil e 11,81 milhões de toneladas para os EUA, considerando o peso do animal morto.
Esse avanço reforça o peso do setor pecuário brasileiro e altera a fotografia do mercado internacional, com reflexos em exportações, preços e disputa por compradores.
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O que aconteceu e por que isso chamou atenção
Pela primeira vez, o Brasil ocupa o topo das estatísticas do USDA, que começaram na década de 1960 e mantinham os EUA na liderança.
O marco coloca a pecuária brasileira em evidência num indicador global que costuma orientar projeções de oferta e movimentos de compra no comércio exterior.
A publicação do relatório ocorreu na última terça feira (9), com os volumes detalhados para 2025 e projeções também para 2026.
Números de 2025 e a diferença para a estimativa do governo

A estimativa para 2025 indica 12,35 milhões de toneladas no Brasil, contra 11,81 milhões de toneladas nos Estados Unidos.
Há uma diferença em relação à projeção oficial mais recente feita no país, divulgada pela Conab.
Em novembro, a Conab estimou 11,38 milhões de toneladas de carne bovina no Brasil em 2025, apontando alta frente ao ano anterior.
O que pode acontecer a partir de agora em 2026
A projeção para 2026 indica um recuo no volume brasileiro em relação a 2025, com o mercado caminhando para um equilíbrio entre os dois países.
O Brasil aparece com 11,7 milhões de toneladas e os Estados Unidos com 11,71 milhões de toneladas em 2026.
Esse cenário reduz a distância entre as duas potências e pode intensificar a competição por mercados compradores ao longo do próximo ano.
Tarifaço, inflação e pressão sobre o mercado americano
O ano teve impacto do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a importação de diversos produtos, incluindo carne bovina.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos enfrentaram uma baixa histórica no rebanho, o que elevou custos e ajudou a puxar a inflação da carne.
Nesse contexto, Trump chegou a citar a possibilidade de ampliar a entrada de carne bovina argentina para tentar reduzir preços, gerando reação entre pecuaristas locais.
Exportações brasileiras, sobretaxa e recorde de vendas
O Brasil, principal fornecedor para a indústria americana, chegou a enfrentar sobretaxa de 50% nas vendas para os EUA, com queda nos volumes após uma forte alta no começo do ano.
Mesmo assim, em setembro, o país bateu recorde nas vendas internacionais de carne bovina para um único mês, superando a marca de julho.
Os embarques se diversificaram, com inclusão de destinos como o México, e as vendas para a Argentina também avançaram.
O tarifaço foi suspenso para carne e outros alimentos do Brasil em novembro, aliviando a pressão sobre esse fluxo comercial.
EUA com menos gado, restrições e fechamento de fábricas
Os estoques de gado dos EUA em janeiro caíram ao nível mais baixo em quase 75 anos, após anos de seca afetarem pastagens e aumentarem custos de alimentação.
O abastecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, desde maio, a maioria das importações de gado mexicano por preocupação com a disseminação da bicheira do Novo Mundo, praga carnívora que infesta o gado.
Com menor oferta, frigoríficos passaram a pagar mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes, pressionando preços.
Na última sexta feira (12), a JBS informou que vai fechar de forma permanente uma fábrica nos arredores de Los Angeles, voltada à preparação de carne bovina para supermercados.
A Tyson Foods também anunciou o fechamento, em janeiro, de uma importante fábrica de abate em Nebraska, que emprega cerca de 3.200 pessoas.
O Brasil encerra 2025 com 12,35 milhões de toneladas e assume a liderança global na produção de carne bovina, à frente dos Estados Unidos.
Para 2026, a projeção de 11,7 milhões de toneladas no Brasil e 11,71 milhões de toneladas nos EUA sinaliza um cenário de disputa mais apertada, com atenção redobrada a oferta, preços e decisões comerciais ao longo do período.
