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Brasil pode virar potência mundial do combustível verde de aviação: JetBio planeja erguer a maior fábrica comercial de SAF do planeta, com 1 bilhão de litros por ano a partir do etanol nacional, 90% da produção para exportação e operação prevista para 2030

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 03/06/2026 às 12:14 Atualizado em 03/06/2026 às 12:18
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megafabrica de SAF
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JetBio planeja construir no Brasil a maior fábrica comercial de SAF do mundo, com produção anual de 1 bilhão de litros e foco na exportação.

O Brasil pode estar prestes a assumir uma posição estratégica em um dos mercados mais disputados da transição energética global. A JetBio, empresa controlada pelo grupo americano Summit Agricultural Group, anunciou planos para construir no país a maior fábrica comercial de combustível sustentável de aviação (SAF) do mundo, utilizando etanol brasileiro como matéria-prima principal.

O projeto prevê uma produção anual de aproximadamente 1 bilhão de litros de SAF, volume que colocaria a futura unidade em uma escala muito superior à maioria dos empreendimentos atualmente em operação ou construção no setor. A produção deverá começar em 2030 e terá forte orientação para exportação, com cerca de 90% do volume destinado ao mercado internacional.

Maior fábrica comercial de SAF do mundo pode colocar o Brasil no centro da descarbonização da aviação

O combustível sustentável de aviação é considerado uma das principais ferramentas para reduzir as emissões de carbono do transporte aéreo. Diferentemente dos carros elétricos, os aviões comerciais ainda dependem fortemente de combustíveis líquidos, o que torna o SAF uma alternativa estratégica para o setor.

Segundo a JetBio, a futura planta terá capacidade para produzir até 254 milhões de galões por ano, equivalentes a cerca de 1 bilhão de litros ou 770 mil toneladas de combustível sustentável de aviação. Caso os planos sejam concretizados, a instalação será aproximadamente 25 vezes maior que algumas das primeiras plantas comerciais de SAF baseadas em etanol atualmente desenvolvidas nos Estados Unidos.

A escala do projeto reflete uma aposta na rápida expansão da demanda global por combustíveis de baixo carbono, impulsionada por metas internacionais de descarbonização da aviação.

Etanol de cana, milho e resíduos será a base do combustível que pode abastecer companhias aéreas do mundo inteiro

Um dos diferenciais do projeto está na matéria-prima. A JetBio pretende utilizar uma ampla rede de fornecedores brasileiros de etanol, incluindo produtores de cana-de-açúcar, etanol de milho de segunda safra e até combustíveis produzidos a partir de resíduos agrícolas. Essa diversidade reduz riscos de abastecimento e amplia a capacidade de expansão da produção.

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De acordo com o CEO da JetBio, William Moore, a disponibilidade de etanol com baixa intensidade de carbono foi um dos principais fatores que levaram a empresa a escolher o Brasil em vez dos Estados Unidos para sediar a unidade.

O país já é um dos maiores produtores mundiais de etanol e possui uma cadeia consolidada que envolve agricultura, logística e processamento industrial em larga escala.

Projeto de US$ 2 bilhões reforça a importância do agro brasileiro na nova economia de baixo carbono

O investimento previsto para a construção da fábrica gira em torno de US$ 2 bilhões, segundo informações divulgadas pelo Summit Agricultural Group. O financiamento deverá ser captado junto a investidores americanos interessados no crescimento do mercado global de combustíveis sustentáveis.

A iniciativa também fortalece a ligação entre o agronegócio brasileiro e a indústria de energia renovável. O etanol produzido a partir da cana e do milho deixa de ser apenas um combustível para automóveis e passa a ocupar um espaço estratégico em um dos setores mais difíceis de descarbonizar: a aviação comercial.

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Além disso, o projeto cria uma nova fonte de demanda para produtores de etanol, ampliando oportunidades para usinas e fornecedores espalhados pelo país.

Paulínia surge como favorita para receber a megafábrica

Embora a decisão final ainda não tenha sido oficialmente anunciada, a cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, aparece como a principal candidata para sediar o empreendimento. A localização oferece acesso a rodovias, ferrovias e infraestrutura industrial já consolidada.

A escolha também facilitaria o acesso a importantes polos produtores de etanol do Centro-Sul brasileiro, reduzindo custos logísticos e garantindo fornecimento em larga escala para a futura operação.

JetBio planeja construir no Brasil a maior fábrica comercial de SAF do mundo, com produção anual de 1 bilhão de litros e foco na exportação.
produção de SAF no Brasil

As obras estão previstas para começar no segundo semestre de 2027, caso os processos regulatórios e de financiamento avancem conforme o cronograma esperado pela empresa.

A corrida global pelo SAF está apenas começando e o Brasil quer largar na frente

Hoje, os combustíveis sustentáveis representam uma parcela muito pequena do consumo total da aviação mundial. Em 2025, o SAF respondeu por menos de 1% da demanda global do setor, mas a expectativa é de crescimento acelerado à medida que novas exigências ambientais entrarem em vigor.

A partir de 2027, companhias aéreas de diversos países passarão a enfrentar metas mais rígidas de redução de emissões, aumentando a procura por combustíveis renováveis capazes de substituir parte do querosene tradicional.

Nesse cenário, o Brasil reúne duas vantagens que poucos concorrentes possuem simultaneamente: enorme disponibilidade de biomassa e uma das cadeias de etanol mais desenvolvidas do planeta.

Se o projeto da JetBio sair do papel conforme planejado, o país poderá deixar de ser apenas uma potência agrícola para se tornar também um dos maiores fornecedores mundiais de combustível sustentável para a aviação.

A pergunta agora é se essa megafábrica será apenas o primeiro passo de uma nova indústria bilionária ou o início de uma disputa global em que o Brasil tentará liderar um mercado que ainda está sendo construído.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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