JetBio planeja construir no Brasil a maior fábrica comercial de SAF do mundo, com produção anual de 1 bilhão de litros e foco na exportação.
O Brasil pode estar prestes a assumir uma posição estratégica em um dos mercados mais disputados da transição energética global. A JetBio, empresa controlada pelo grupo americano Summit Agricultural Group, anunciou planos para construir no país a maior fábrica comercial de combustível sustentável de aviação (SAF) do mundo, utilizando etanol brasileiro como matéria-prima principal.
O projeto prevê uma produção anual de aproximadamente 1 bilhão de litros de SAF, volume que colocaria a futura unidade em uma escala muito superior à maioria dos empreendimentos atualmente em operação ou construção no setor. A produção deverá começar em 2030 e terá forte orientação para exportação, com cerca de 90% do volume destinado ao mercado internacional.
Maior fábrica comercial de SAF do mundo pode colocar o Brasil no centro da descarbonização da aviação
O combustível sustentável de aviação é considerado uma das principais ferramentas para reduzir as emissões de carbono do transporte aéreo. Diferentemente dos carros elétricos, os aviões comerciais ainda dependem fortemente de combustíveis líquidos, o que torna o SAF uma alternativa estratégica para o setor.
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Segundo a JetBio, a futura planta terá capacidade para produzir até 254 milhões de galões por ano, equivalentes a cerca de 1 bilhão de litros ou 770 mil toneladas de combustível sustentável de aviação. Caso os planos sejam concretizados, a instalação será aproximadamente 25 vezes maior que algumas das primeiras plantas comerciais de SAF baseadas em etanol atualmente desenvolvidas nos Estados Unidos.
A escala do projeto reflete uma aposta na rápida expansão da demanda global por combustíveis de baixo carbono, impulsionada por metas internacionais de descarbonização da aviação.
Etanol de cana, milho e resíduos será a base do combustível que pode abastecer companhias aéreas do mundo inteiro
Um dos diferenciais do projeto está na matéria-prima. A JetBio pretende utilizar uma ampla rede de fornecedores brasileiros de etanol, incluindo produtores de cana-de-açúcar, etanol de milho de segunda safra e até combustíveis produzidos a partir de resíduos agrícolas. Essa diversidade reduz riscos de abastecimento e amplia a capacidade de expansão da produção.
De acordo com o CEO da JetBio, William Moore, a disponibilidade de etanol com baixa intensidade de carbono foi um dos principais fatores que levaram a empresa a escolher o Brasil em vez dos Estados Unidos para sediar a unidade.
O país já é um dos maiores produtores mundiais de etanol e possui uma cadeia consolidada que envolve agricultura, logística e processamento industrial em larga escala.
Projeto de US$ 2 bilhões reforça a importância do agro brasileiro na nova economia de baixo carbono
O investimento previsto para a construção da fábrica gira em torno de US$ 2 bilhões, segundo informações divulgadas pelo Summit Agricultural Group. O financiamento deverá ser captado junto a investidores americanos interessados no crescimento do mercado global de combustíveis sustentáveis.
A iniciativa também fortalece a ligação entre o agronegócio brasileiro e a indústria de energia renovável. O etanol produzido a partir da cana e do milho deixa de ser apenas um combustível para automóveis e passa a ocupar um espaço estratégico em um dos setores mais difíceis de descarbonizar: a aviação comercial.
Além disso, o projeto cria uma nova fonte de demanda para produtores de etanol, ampliando oportunidades para usinas e fornecedores espalhados pelo país.
Paulínia surge como favorita para receber a megafábrica
Embora a decisão final ainda não tenha sido oficialmente anunciada, a cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, aparece como a principal candidata para sediar o empreendimento. A localização oferece acesso a rodovias, ferrovias e infraestrutura industrial já consolidada.
A escolha também facilitaria o acesso a importantes polos produtores de etanol do Centro-Sul brasileiro, reduzindo custos logísticos e garantindo fornecimento em larga escala para a futura operação.

As obras estão previstas para começar no segundo semestre de 2027, caso os processos regulatórios e de financiamento avancem conforme o cronograma esperado pela empresa.
A corrida global pelo SAF está apenas começando e o Brasil quer largar na frente
Hoje, os combustíveis sustentáveis representam uma parcela muito pequena do consumo total da aviação mundial. Em 2025, o SAF respondeu por menos de 1% da demanda global do setor, mas a expectativa é de crescimento acelerado à medida que novas exigências ambientais entrarem em vigor.
A partir de 2027, companhias aéreas de diversos países passarão a enfrentar metas mais rígidas de redução de emissões, aumentando a procura por combustíveis renováveis capazes de substituir parte do querosene tradicional.
Nesse cenário, o Brasil reúne duas vantagens que poucos concorrentes possuem simultaneamente: enorme disponibilidade de biomassa e uma das cadeias de etanol mais desenvolvidas do planeta.
Se o projeto da JetBio sair do papel conforme planejado, o país poderá deixar de ser apenas uma potência agrícola para se tornar também um dos maiores fornecedores mundiais de combustível sustentável para a aviação.
A pergunta agora é se essa megafábrica será apenas o primeiro passo de uma nova indústria bilionária ou o início de uma disputa global em que o Brasil tentará liderar um mercado que ainda está sendo construído.

